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Quem é o homem preso com o carro dos Buscariollo e por que ele segue na cadeia

Até poucas semanas atrás, o nome de Roni Cláudio Nogueira Honorato aparecia nos registros policiais apenas como vítima. Ele havia procurado as autoridades para denunciar o furto da bicicleta da mãe. Dias depois, acompanhado de amigos, localizou o autor do crime, recuperou o objeto e ouviu um pedido de desculpas.

Hoje, o cenário é diferente. Roni divide cela com outros 19 presos. A virada em sua trajetória ocorreu em 19 de setembro, quando foi preso em flagrante pela Força Nacional no centro de Icaraíma. Ele dirigia uma Fiat Strada branca com placas adulteradas, que correspondiam a uma Chevrolet Tracker. 

O carro, segundo o próprio Roni, pertence a Paulo Ricardo Buscariollo, filho de Antonio Buscariollo, pai e filho apontados pela polícia como principais responsáveis pela execução dos quatro homens na área rural do distrito de Vila Rica do Ivaí, em uma cobrança de dívida de terras.

No relatório final do flagrante, a Polícia Civil demonstrou acreditar que Roni pudesse estar ligado, mesmo que indiretamente, às mortes. Ou que tem informações cruciais para a elucidação do crime. Essa suspeita fundamentou o pedido de prisão temporária por 30 dias, decretado pela justiça, e que pode ser renovada por muito mais tempo.

Empresário de pequeno porte, Roni fundou em dezembro de 2023 uma empresa que presta serviços à prefeitura. Segundo informou seu próprio advogado na audiência de custódia, à qual OBemdito teve acesso, entre seus afazeres contratuais estão a gestão do setor de reciclados no aterro sanitário e a fiscalização de presos que atuam para remissão de pena. 

Dias nefastos

Em depoimento, Roni disse ter visto a Fiat Strada na oficina localizada perto da sua casa no dia 4 de agosto (segunda-feira), véspera do desaparecimento das vítimas, que ocorreu no dia 5 (terça-feira). Já no dia 6 (quarta-feira), em meio à repercussão do caso, o dono da oficina teria pedido que ele retirasse o carro dali, por “não querer se envolver em rolo”. Roni relatou que buscou o automóvel no dia 7 (quinta-feira) e passou a utilizá-lo a partir do dia 8 de agosto (sexta-feira). 

Durante todo esse tempo, ou seja, de 7 de agosto a 19 de setembro (43 dias), o contratado da Prefeitura usou a Fiat Strada com placa adulterada, situação que negou ter conhecimento. A grande questão é que existiriam evidências da utilização do veículo na execução das vítimas. OBemdito questionou a polícia sobre essa possibilidade, mas a informação continua sendo a de que o inquérito está sob segredo de justiça.

O “Mamute”

Ainda no relatório final pela prisão em flagrante de Roni Cláudio Nogueira Honorato por adulteração de placas da Fiat Strada, aparece, ainda que nas entrelinhas, um outro personagem que começou a ganhar visibilidade no caso das mortes. 

Trata-se de Carlos Henrique Buscariollo, o Mamute, filho de Antonio e irmão por parte de pai de Paulo Ricardo. Em conversas reservadas, Mamute é chamado de “o filho perigoso” de Antonio. Até o momento, porém, não há, por parte da autoridade policial, a confirmação de que Mamute seja considerado suspeito das execuções.

Mas por que a fama de perigoso deste filho de Antonio? 

Em 2020, Mamute foi acusado de atirar contra a própria companheira em Icaraíma, em um episódio que somou ocorrências de violência doméstica, lesão corporal, disparo de arma de fogo e porte de drogas.

A vítima chegou ferida ao Pronto Atendimento e relatou que o disparo ocorreu durante uma discussão com o marido. Na vistoria à residência do casal, policiais encontraram cápsulas deflagradas, cartuchos de diversos calibres e uma pequena quantidade de maconha. 

O site ‘Umuarama News’ apurou que antes disso, em 2018, um ofício do Ministério Público já citava Mamute como executor de homicídios na região, incluindo o assassinato de um jovem de 18 anos em Herculândia, distrito de Ivaté, em 2016.

Apesar do histórico, Mamute nunca foi oficialmente citado nas investigações sobre as mortes de Robishley Hirnani de Oliveira, Rafael Juliano Marascalchi, Diego Henrique Afonso e Alencar Gonçalves de Souza. Mas, assim como o pai e o irmão, vivia na comunidade de Vila Rica do Ivaí.

Leonardo Revesso

Graduado em Direito pela Unipar, mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP e especializando em Neurociência do Consumo pela ESPM. Tutor da Olívia, da Ludi e da Mila. Está no jornalismo há 27 anos (iniciou aos 15). No OBemdito escreve sobre política e consumo.

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