Política

PEC da Blindagem é derrubada na CCJ do Senado em votação unânime

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado rejeitou nesta quarta-feira (24), por unanimidade, a PEC da Blindagem. Todos os 27 senadores votaram contra a proposta, que previa autorização prévia da Câmara ou do Senado, em votação secreta, para processar criminalmente deputados e senadores.

O relatório aprovado deve seguir ao plenário ainda hoje. O presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA), afirmou que há acordo para a rejeição definitiva. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), também se comprometeu a encerrar a votação nesta quarta.

A PEC foi apelidada de “PEC da Bandidagem” após protestos em diversas capitais no último domingo (21). Entidades anticorrupção alertaram que a medida criaria barreiras para investigações de crimes de parlamentares, inclusive no uso de emendas.

O relator Alessandro Vieira (MDB-SE) recomendou a rejeição da proposta. Ele afirmou que a PEC apresenta “vício insanável de desvio de finalidade”. Em sua avaliação, o objetivo não era proteger o mandato parlamentar, mas blindar políticos de investigações criminais.

Vieira também rejeitou emendas de Sérgio Moro (União-PR), Carlos Portinho (PL-RJ) e Magno Malta (PL-ES). Segundo ele, as sugestões ficaram prejudicadas, já que a proposta não deveria seguir adiante. O senador Jorge Seif (PL-SC), que havia apresentado voto em separado para manter a PEC com alterações, retirou o relatório alternativo e acompanhou o relator.

Durante o debate, a senadora Eliziane Gama (PSD-MA) disse que a proposta criaria uma “casta de privilegiados”. Já Humberto Costa (PT-PE) afirmou que a reação popular expôs contradições da extrema direita.

Líderes da oposição e da base governista também criticaram a proposta. Carlos Portinho (PL-RJ) classificou a PEC como “indecente” e alertou para riscos de infiltração do crime organizado em assembleias estaduais. Eduardo Braga (MDB-AM) afirmou que a medida seria um retrocesso democrático e desrespeitaria a população.

O debate incluiu ainda a discussão sobre imunidade parlamentar. Senadores diferenciaram a imunidade por opiniões, prevista na Constituição, da imunidade processual, extinta em 2001. Para Randolfe Rodrigues (PT-AP), nenhum direito é absoluto, e mesmo a imunidade material deve ser limitada quando usada para atacar pessoas ou incitar violência.

Caso fosse aprovada, a PEC também alcançaria deputados estaduais e distritais. Para críticos, isso ampliaria a vulnerabilidade do sistema político, incentivando a entrada de organizações criminosas nos parlamentos locais.

Leia também: Ratinho Junior critica PEC da Blindagem e diz que proposta não atende sociedade

Rodrigo Mello

Formado em Jornalismo pelo Centro Universitário de Pato Branco (Unidep), tem especialização em Docência e Gestão do Ensino Superior pela Universidade Paranaense (Unipar). Com 23 anos de experiência, trabalhou em portais de notícia, assessoria de imprensa, TV e rádio. Foi assessor parlamentar na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) e secretário municipal de Comunicação entre os anos de 2010 e 2013. Atualmente, é jornalista no portal OBemdito, onde escreve sobre política, educação, saúde, cidadania e segurança pública.

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