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Paraná tem duas das cidades mais caras do mundo para se viver

O Paraná tem duas das cidades mais caras do mundo para se viver. É o que mostra o levantamento da plataforma colaborativa Expatistan. De acordo com o estudo, Curitiba e Foz do Iguaçu aparecem na lista das 140 cidades com maior custo de vida global em 2025.

A capital paranaense ocupa a 116ª posição, atrás apenas de São Paulo e Florianópolis no ranking nacional, enquanto Foz aparece na 133ª colocação.

O estudo considera despesas com moradia, transporte, alimentação, saúde, vestuário e lazer — todos fatores que pesam diretamente no orçamento das famílias. No Brasil, além das duas paranaenses, também figuram na lista cidades como Campinas, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Rio Preto, Salvador e Bauru.

Apesar do alto custo, especialistas destacam que, no país, os preços elevados nem sempre caminham lado a lado com qualidade de serviços públicos e infraestrutura, o que leva muitas pessoas a reconsiderarem seus planos de moradia.

Por que Curitiba e Foz do Iguaçu são tão caras?

De acordo com o professor Sérgio Czajkowski, da UniCuritiba, o encarecimento dessas cidades é resultado de um conjunto de fatores como valorização imobiliária, turismo, qualidade de vida e fluxo internacional.

“Curitiba deixou de ser uma cidade industrial para se consolidar como polo de serviços, inovação e turismo de negócios, o que atrai profissionais qualificados e com alto poder aquisitivo. Isso gera um ciclo de valorização imobiliária e pressiona custos básicos”, explica.

Já em Foz do Iguaçu, a presença de atrativos internacionais como as Cataratas, a Usina de Itaipu e a tríplice fronteira estimula investimentos e aquece a economia, mas também encarece o cotidiano dos moradores.

O turismo de massa, somado à expansão de hospedagens por plataformas digitais, pressiona o mercado de imóveis e empurra famílias de baixa renda para regiões mais afastadas.

Pesquisas apontam que o custo médio mensal de uma família de quatro pessoas em Foz ultrapassa R$ 10 mil. Muitos moradores recorrem ao Paraguai ou à Argentina para comprar combustível, alimentos e eletrônicos mais baratos, aproveitando a diferença cambial.

Essa dinâmica de integração entre fronteiras aquece a economia local, mas também cria distorções no comércio.

Impactos e perspectivas

O alto custo de vida pode afastar famílias de renda média e baixa, mas não desestimula investidores, segundo Czajkowski. “Para quem não tem recursos, o efeito é a exclusão das áreas mais valorizadas. Já o investidor enxerga oportunidades e retroalimenta o crescimento urbano e econômico”, avalia.

Curitiba e Foz exemplificam como planejamento urbano, infraestrutura consolidada e inserção internacional podem transformar cidades em polos de atração — ainda que a conta para os moradores seja cada vez mais salgada.

(Com Bem Paraná)

Leonardo Revesso

Graduado em Direito pela Unipar, mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP e especializando em Neurociência do Consumo pela ESPM. Tutor da Olívia, da Ludi e da Mila. Está no jornalismo há 27 anos (iniciou aos 15). No OBemdito escreve sobre política e consumo.

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