Umuarama

Caldo de cana no Lago: a história do casal que escolheu o lado doce da vida

No coração de Umuarama, entre o verde das árvores e o reflexo tranquilo do Lago Aratimbó, um ponto se destaca não só pelo sabor, mas também pela história que carrega: é ali, na avenida Paraná, que há 12 anos o casal Antônio de Souza, de 76 anos, e Quitéria Maria de Souza, de 66, vende caldo de cana fresquinho, feito na hora, para o deleite de freguesia.

Juntos desde os tempos em que festinhas de garagem ainda eram o ponto de encontro da juventude, Antônio e Quitéria formam uma dupla inseparável.

“Ele tinha outra namorada, e eu também não estava sozinha”, conta Quitéria com um sorriso tímido, relembrando as primeiras trocas de olhares. O destino, porém, os uniu. Hoje, são três filhos, seis netos e um bisneto. Uma vida de respeito mútuo e parceria.

Antes do caldo de cana, Quitéria dedicou 20 anos à costura, enquanto Antônio trabalhou por 35 anos como eletricista na Prefeitura de Umuarama, até se aposentar, em 2011. Foi justamente após a aposentadoria que nasceu a ideia do negócio.

“A gente estava parado. Ficar em casa não é fácil. A mulher falando na orelha…”, brinca Antônio, arrancando risadas da esposa. E assim nasceu o caldo de cana, que se tornou um ponto tradicional da cidade.

O trabalho vai além da venda de caldo de cana, água de coco e vários outros itens. O espaço virou ponto de encontro, amizade e histórias.

“Tem gente que vem de toda a região. A gente conversa, brinca, conhece pessoas novas. Isso aqui virou parte da nossa vida”, afirma Quitéria. Eles também salgados, o que ajuda a atrair mais clientes.

Moradores do Conjunto Guarani e frequentadores da Igreja São Paulo, Antônio e Quitéria mantêm a rotina de fé aos domingos pela manhã, antes de abrir o ponto de venda. Trabalham de terça a domingo, das 13h até por volta das 21h nos fins de semana, sempre juntos.

“Onde está um, está o outro também”, resume Quitéria. Prova disso foi o tempo em que ficaram afastados por quase 30 dias, devido a uma cirurgia ocular de Antônio. Os clientes sentiram a ausência, não só do caldo de cana de dos salgadinhos, mas do sorriso franco e da amizade do casal que é gente nossa e complementa a receita com um doce sabor.

Ah, quem foi visitar o Antônio e a Quitéria na kombi do caldo de cana no Lago pode dizer que leu a matéria no OBemdito. É bem provável que o chorinho no copo seja ainda mais generoso.

Leonardo Revesso

Graduado em Direito pela Unipar, mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP e especializando em Neurociência do Consumo pela ESPM. Tutor da Olívia, da Ludi e da Mila. Está no jornalismo há 27 anos (iniciou aos 15). No OBemdito escreve sobre política e consumo.

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