Graça Milanez

Artesão da madeira transforma tocos de árvores em peças de decoração e de cozinha

O ambiente de trabalho é um espetáculo à parte: um verdadeiro recanto verdejante a uns 10 quilômetros do centro da cidade de Umuarama. Nesse sítio, o artesão Antônio Pedro Della Valentina, 73 anos, encontrou sua nova vocação após a aposentadoria e transforma a madeira bruta em peças de decoração.

Agricultor por décadas, Toninho, como é chamado pelos amigos, descobriu na pandemia uma paixão inesperada: a marcenaria. Desde 2019, ele tem transformado pedaços de madeira bruta em peças únicas e funcionais, que chamam a atenção pela simplicidade e beleza.

E passa o dia trabalhando, ora debaixo de árvores, ora na varanda da casa, sempre concentrado em cortar, limar, entalhar, lixar… “Comecei como uma distração, para ocupar o tempo durante os dias de isolamento, mas logo percebi que a madeira tinha muito a me ensinar”, diz, enquanto finaliza mais uma peça para seu estoque.

Tudo o que faz vende pelas redes sociais e também na feira de hortifrúti dos domingos, na Avenida Parigot de Souza, de Umuarama. São tábuas de carne robustas, fruteiras delicadamente entalhadas, bandejas e petisqueiras caprichosas, entre outros produtos de utilidade doméstica.

A criatividade do artesão vai além de entalhar peças grandes de decoração em madeira. Ele também faz mesinhas charmosas, cubas de pia rústicas, luminárias e outras peças, para aquele toque especial na decoração que só a madeira é capaz de dar, também fazem parte do seu repertório artístico. O catálogo é bem diversificado. “Faço o que dá na minha cabeça”, comenta, em tom de simplicidade. “Mas tudo com empolgação e amor”, ratifica.

Sombra e vento fresco: este é um dos locais que Toninho escolheu para dedicar-se ao seu trabalho com madeira

Madeira, tradição, histórias

Observando peça a peça, percebe-se que Toninho não demonstra só habilidade técnica, mas também um profundo respeito pela matéria-prima e pela tradição artesanal. Nas entrelinhas, revela que seu trabalho vai além de criar objetos; preservando um ofício que atravessa gerações, apoia-se também no objetivo de contar histórias por meio da madeira.

Para ele, a marcenaria não é apenas uma alternativa de ganhar renda extra, mas uma forma de conectar-se com a comunidade e deixar um legado. “Eu me orgulho do que faço, pois aproveito pedaços de madeira… Ao mesmo tempo em que evito desperdício, faço coisas que as pessoas admiram”, justifica.

“Tenho peças na Itália, em São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso, Bahia, Curitiba… Em muitos lugares!”, orgulha-se Toninho. Ele lembra que todas as peças que idealiza e confecciona impõem desafios instigantes: “Enquanto não chego ao final, não sossego… E quando chego, sinto um prazer enorme!”

Aconchego do lar: a varanda da casa também é local de trabalho

Tranquilidade do campo

Nascido em Maringá, Toninho vive em Umuarama desde os 11 anos de idade. O sítio Três Diamantes, próximo ao distrito de Lovat, pertenceu ao seu pai: “Meu pai comprou ‘zero’ da Companhia [Melhoramentos Norte do Paraná] … Moro aqui há 62 anos, nunca morei um dia na cidade”, dispara, com satisfação.

Mas reconhece que a cidade sempre foi seu ponto de acolhimento: além de plantar e colher, ele levava os alimentos para vender, nas feiras de hortifrúti [fez isso por oito anos] e em restaurantes [entrega direta]. A herança que recebeu já divide com os filhos, que são seus vizinhos.

“Aqui, com a mesma dedicação que cultivava a terra, agora cultivo o artesanato, procurando inovar, fazendo o melhor possível… Cada peça que passa por minhas mãos tem sua beleza única, que agrada muita gente… Estou contente com o reconhecimento que conquistei nesses seis anos, trabalhando em casa, na tranquilidade do campo… Não troco essa vida por nada!”, exclama o artesão.

== Para encomendar, ligue 44 9 8859-6782

Toninho diante do seu acervo: peças de todo jeito e tamanho carregam o valor de um trabalho que atravessa gerações
Com orgulho, Toninho exibe uma das peças que mais vende: cuba de pia
Sorridente, Toninho mostra a placa ‘cantinho do churrasco’, outro item que tem também boa saída
Em casa, o artesão diante da mesa que fez de um toco só e do violão que está iniciando
Graça Milanez

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