Umuarama

Pela hora da morte: custos com funeral podem consumir mais 60 dias de trabalho

Um estudo da Abredif (Associação Brasileira de Empresas Funerárias e Administradoras de Planos Funerários) mostra que o dito popular de que morrer custa caro realmente se confirma. A opção mais econômica consome, em média, R$ 3.000, o equivalente a mais de dois meses de trabalho para um assalariado comum, a depender da sua localidade.

Em Umuarama, os serviços básicos, que incluem ornamentação com flores artificiais, preparação do corpo, urna simples e funeral custam entre R$ 1.805 e R$ 2.180. Moradores da cidade não pagam pelo uso das capelas mortuárias, todas com ar condicionado, localizadas em frente ao Cemitério Municipal. 

Os terrenos para os jazigos saem por R$ 3.022 a R$ 3.400. No caso de reaproveitamento de um túmulo para um novo ente (puxadinho), cobra-se o valor de R$ 640 pela mão de obra e materiais utilizados. O revestimento dos túmulos também impacta o orçamento.

Revestimentos

O revestimento dos túmulos também impacta o orçamento. Levantamento feito por OBemdito com fornecedores locais mostra que o revestimento do túmulo com cerâmica apresenta um custo médio de R$ 2 mil, enquanto o de porcelanato sobe para R$ 3 mil. Já o de granito, mais sofisticado e duradouro, chega a R$ 7 mil. 

Para quem busca opções mais luxuosas, a Acesf (Administração de Cemitério e Serviços Funerários) de Umuarama disponibiliza urnas de alto padrão, como um modelo de bordas arredondadas, feito em cedro rosa, fino acabamento e alças em metal nobre, por R$ 15.150. 

Plano de assistência

Contratar um plano de assistência funeral, que também dá descontos em consultas e exames médicos, pode ser uma opção mais planejada e mais em conta. Para quem quer ir além, esses mesmos planos dão a opção de solenidade com instrumentos musicais e chuva de pétalas sobre o caixão.

Uma das empresas tradicionais neste tipo de serviço chegou a adaptar um veículo Porsche Panamera 4S para cortejo entre a capela mortuária e o túmulo. A novidade foi apresentada primeiro em Maringá e disponibilizada também para Umuarama. Atualmente está disponível para uma cidade de Santa Catarina. O valor do ‘mimo’ não foi informado, mas um veículo semelhante custava em torno de R$ 480 mil.

A Acesf de Umuarama está em ritmo acelerado de preparativos para a celebração de Finados, no dia 2 de novembro próximo. Segundo o diretor-presidente da autarquia, Alexandre Gobbo Maroto, várias melhorias já foram feitas ou estão prestes a serem concluídas no Cemitério Municipal, que hoje está entre os mais bem organizados do Estado.

Cremação

Dados do Sindicato dos Cemitérios e Crematórios Particulares do Brasil (Sincep) revelam que cerca de 9% dos falecidos no país optam pela cremação, prática que vem crescendo ano após ano. 

A cremação está incluída em muitos planos de assistência, possui custo médio de R$ 6 mil. Ainda não é realizada em Umuarama, mas pode ser contratada com transporte para crematórios em Maringá, Londrina ou Dourados, no Mato Grosso do Sul.

Apesar de seu crescimento recente no Brasil, a cremação é um procedimento milenar, datado de 3.000 a.C., e amplamente utilizado em diversas culturas, como no Japão, onde é o método predominante de despedida. A popularidade crescente no Brasil se relaciona ao aumento da conscientização sobre seus benefícios práticos, ambientais e financeiros.

A cremação também preserva o meio ambiente e é considerada mais econômica por não exigir pagamento para manutenção do jazigo.

O mercado funeral atinge cifras vultuosas no Brasil. De acordo com o Sincep, o setor movimenta cerca de R$ 7 bilhões ao ano no país e emprega mais de 40 mil trabalhadores.

Aportes de R$ 1,74 ao mês

A se considerar a idade média de mortalidade no Brasil, de 76 anos, segundo o IBGE, uma pessoa precisaria economizar R$ 1,74 ao mês para garantir o custeio de seu funeral. Naturalmente, o valor muda conforme a idade. 

Pessoas que morrem aos 20 anos, por exemplo, precisariam ter poupado R$ 10,31 ao mês– o mesmo valor se aplica para quem pretende começar a poupar agora e durante as próximas duas décadas.  Já quem pretende resolver essa questão em cinco anos precisará poupar R$ 41,99 ao mês. 

Preços mais elevados

Ainda de acordo com a Abredif, o lugar do País onde é preciso trabalhar mais dias para pagar o custo médio de um enterro é no Maranhão: 64 dias. Em contrapartida, o Distrito Federal é o local onde se precisa trabalhar menos dias para arcar com esse custo. Lá, são 19 dias.

Stephanie Gertler

Fotógrafa há mais de 16 anos, graduada em Jornalismo pela Universidade Tuiuti do Paraná, em Curitiba. Atualmente, atua como jornalista no OBemdito.

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