Antes da terrível Geada Negra, os cafezais floridos de Umuarama formavam uma belíssima paisagem e, depois da colheita, rendiam fortunas - Foto: Rafael Rocha
1975, aqui em Umuarama era o paraíso do “Ouro Verde”, território onde se trabalhava dia e noite e corria muito dinheiro, fase riquíssima que nunca mais se repetira até hoje. A cafeicultura reinava soberana. A minha geração curtia a aurora da nossa juventude e vivíamos um período de efervescência digno de contos de fada. De repente, num passe de mágica macabro, o que era doce acabou e veio o amargo de fel de uma tragédia que a gente até hoje tenta esquecer, mas não consegue!
Amanheceu a sexta-feira 18 de julho daquele ano, quando os trabalhadores das lavouras e nós citadinos saímos às ruas e, assustados, encaramos um cenário que era digno de choro sofrido e profundo de fazer a alma doer…
Era a Geada Negra que chegou com temperaturas abaixo de Zero e destruiu todos os cafezais! 850 milhões de pés de café – isso mesmo, 850.000.000 – de Umuarama e de todo o Paraná haviam virado galhos e folhas queimadas, como se houvesse passado por aqui um furacão de fogo devastador. Tudo o que antes era verde, estava marrom escuro e formava um imenso tapete por milhares de quilômetros de propriedades, fazendas e chácaras. A gente não conseguia acreditar no que estava vendo…
Só quem viu com os próprios olhos pode confirmar: o branco de gelo tomou conta da paisagem contrastando com os cafezais queimados – uma verdadeira pintura dos territórios do Polo Sul ou do Polo Norte! provocada pela ação fulminante das mais baixas temperaturas da história.
No dia seguinte, 19 de julho, o céu estava marcado por manchas vermelhas intensas, parecia um belo pôr do sol mas era o pós inferno gelado! As manchas de um vermelho intenso confirmavam a tragédia. A gente, mesmo vendo tudo aquilo ao redor, não conseguia acreditar e, muito menos, aceitar.
Os cafeicultores (donos das fazendas) e os boias-frias (trabalhadores) entraram em pânico, sentiram na pele a realidade dramática – uns choravam pois sabiam que estavam falidos; os outros, choravam porque ficaram sem emprego e sem comida e lugar para morar…
Religiosos mais afoitos decretavam o fim do mundo, um cataclismo anunciando o Armagedon. Na verdade era a Geada Negra, assim batizada porque cobriu tudo com um manto escuro que de tão gigantesco se perdia no horizonte. Tudo que era verde, morreu! E tudo que era vivo e estava no meio dos cafezais (animais de todos os tipos) também não sobreviveu!
Aqui em Umuarama, assim como nos outros grandes centros agrícolas, era decretada a falência total sob um clima de pura desolação e desesperança no presente e no futuro. Imaginem a dor daqueles que tinham vindo para cá de todos os cantos do Brasil apostando na sorte de fazer a vida com a cafeicultura.
Seguiram-se à tragédia, outros efeitos impactantes para piorar ainda mais o que já estava amargo demais: legiões de desempregados no campo, fazendeiros e sitiantes em pânico soterrados nas montanhas de dívidas. E começou a mais melancólica de todas as consequências: o êxodo da zona rural, primeiro rumo à cidade de Umuarama e depois seguindo para o Centro Oeste e Norte do Brasil. Fome, miséria e famílias abandonadas implorando por comida aos moradores da cidade e à procura de abrigos para se esconder do frio que continuava, mais manso mas ainda gelado…
Depois daquele maldito inverno e sua companheira assassina Geada Negra, Umuarama e todos aqueles que viveram esse pesadelo dramático nunca mais foram os mesmos!!! Com o andar dos anos, a economia foi se transformando, mas em marcha lenta e à procura de outros caminhos e fontes de renda. Estava literalmente erradicada a cultura do café. Encerrava-se de forma trágica a era do Rei Café e o Paraná (e o Brasil) deixaria de ser o maior produtor do mundo!
Tudo isso resultado de apenas uma única madrugada daquela congelante Geada Negra, que nunca vai sair da minha memória e da história de minha geração! (ITALO FÁBIO CASCIOLA, Especial para OBEMDITO)
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