A primeira escola de Umuarama, o Grupo Escolar Isa Mesquita. Esta foto é única, de 1956, pois é a construção que depois (em 1959) foi destruída por um incêndio. No ano seguinte, a colonizadora entregou novas instalações - Foto: Acervo Italo Fábio Casciola/Reprodução Proibida

Colunistas

Bizarra coincidência: Primeiro incêndio na cidade destruiu a primeira escola!

O Grupo Escolar Isa Mesquita virou cinzas numa madrugada de novembro de 1959…

A primeira escola de Umuarama, o Grupo Escolar Isa Mesquita. Esta foto é única, de 1956, pois é a construção que depois (em 1959) foi destruída por um incêndio. No ano seguinte, a colonizadora entregou novas instalações - Foto: Acervo Italo Fábio Casciola/Reprodução Proibida
Bizarra coincidência: Primeiro incêndio na cidade destruiu a primeira escola!
Ítalo Fábio Casciola
OBemdito
16 de setembro de 2023 12h37

Era madrugada do dia 14 de novembro de 1959, quando a população do pequeno povoado acordou assustada com o clarão vermelho que subiu em meio a uma nuvem de fumaça. E todo mundo correu para ver o primeiro incêndio urbano destruir a primeira escola que existia.

Umuarama havia sido fundada há apenas um ano e era ainda pequena, com as construções surgindo de pouco a pouco e a sua população também, pois a maioria dos primeiros pioneiros vivia na zona rural.  O lugarejo ainda era carente de benfeitorias como as das cidades maiores. E entre tantas angustiantes privações não existia nada que garantisse a segurança imobiliária e humana, entre elas o combate ao fogo, como aconteceu nesse caso memorável…

Portanto, no meio de um território gigantesco rodeado de florestas e coberto da mais completa escuridão, aquelas chamas que subiam das tábuas de madeira da construção da escolinha formavam labaredas que balançavam ao sabor da brisa noturna. Parecia um enorme amontoado de madeira queimando para uma churrascada coletiva…

O cheiro de peroba novinha queimada se espalhava por todos os cantos – a escola começou a funcionar em março daquele ano e as tábuas eram novinhas, daí aquela ‘fragância frita’ desse tipo de madeira.

Menos de duas horas depois a estrutura veio abaixo provocando um retumbante barulhão de telhas, vigas e madeiras que fez a multidão que assistia o incêndio soltar gritos de pavor. O espetáculo de horror continuou com um cenário de montes de brasas, cinzas e uma fumaça agora fedorenta e que causava náuseas.

Ela subiu parecendo um redemoinho e sem o clarão do fogo desaparecia conforme se distanciava do solo. Por incrível que pareça, mais tarde começou a raiar o dia e ainda havia fumaça, o ar infectado de um fedor nauseante e pequenos focos de carvões das colunas grossas que sustentavam o telhado e a estrutura superior que haviam se espalhado pelo terreno da escolinha…

Vale registrar que no ano seguinte, 1960, a colonizadora construiu uma nova escola, mas ampla do que a primeira que virou cinzas depois do incêndio. Esta era mais ampla que a anterior que tinha apenas duas salas; a nova tinha quatro salas, instalações administrativas e completo mobiliário, reiniciando as aulas em abril de 1960. O corpo docente passou a ter 14 professores.

Alunos do Isa Mesquita desfilam comemorando o aniversário de Umuarama, num dia chuvoso de 26 de junho em 1958, em meio a ruas completamente tomadas por lama e barro – Foto: Acervo Italo Fábio Casciola/Reprodução Proibida

A COLONIZADORA FOI QUEM CONSTRUIU A ESCOLA

Criado e instalado em junho de 1956, durante as comemorações do primeiro aniversário de fundação da Capital da Amizade, o primeiro educandário foi batizado com o nome da irmã de Hermann Moraes de Barros e esposa de Gastão Mesquita Filho – ambos diretores da colonizadora Cia Melhoramentos Norte do Paraná.

Essa primeira escola funcionava na esquina da Avenida Flórida com a Rua Paissandu (esta hoje é Rua Ministro Oliveira Salazar). Suas instalações eram acanhadas, totalmente simples, com apenas duas salas de ensino primário, funcionando em dois períodos: de manhã e à tarde. No começo estudavam apenas 100 alunos e tinha só duas professoras, Dulce e Jacira.

Na varanda dos fundos havia uma salinha estreita de administração e ao lado uma apertada cantina. Ao redor era tudo de terra, sem revestimento de cimento e tijolos, o que causava protestos dos pais das crianças pois virava um lamaçal nas temporadas chuvosas; e no calor o vento rodeava a Escola Isa Mesquita de poeira. As crianças ficavam dentro das salas, que ferviam de calor com as janelas fechadas, para a poeira não invadir os espaços que já eram apertados…

Pois é, antigamente estudar e lecionar era realmente sacrificado. Era um tempo em que nem se sonhava em equipamentos para tornar a tarefa mais satisfatória como é hoje (um dos exemplos atuais: salas possuem até ar condicionado!!!).

(ITALO FÁBIO CASCIOLA)

Participe do nosso grupo no WhatsApp e receba as notícias do OBemdito em primeira mão.
<