Umuarama

Escritor umuaramense é destaque no concurso nacional de crônicas

Músicas, crônicas e um café doce compõem o repertório criativo do escritor umuaramense Alessandro Salgado, que em 2022 é destaque no concurso nacional, organizado pela editora do Rio de Janeiro Apparere.

Ele é autor da obra “O tempo e a rua do cemitério”, ao qual traz a reflexão sobre a existência humana frente aos desdobramentos da covid-19. Com objetivo de produzir literatura e fazer conexões com outros estados é o que estimula o escritor a se inscrever em vários concursos no território brasileiro.

Dessa forma, o concurso “Coletânea O Tempo”, organizada pela equipe Apparere, recebeu em 2022, 265 inscrições e foram selecionadas 159 obras. A crônica do umuaramense, foi finalista e obteve a publicação, com distribuição no território federativo.

Para Alessandro Salgado é sempre uma grande alegria poder levar o nome de Umuarama para outros estados, além de realizar o grande sonho de infância: tornar reais os personagens e seus imaginários, a partir da escrita.

Em breve, o livro “Coletânea O Tempo” será disponibilizado nas bibliotecas públicas de Umuarama.

Os trabalhos literários do escritor Alessandro Salgado também estão disponíveis na internet pelo site recantodasletras.com.br e o público pode conferir demais trabalhos do escritor.

Leia abaixo a crônica “O tempo e rua do cemitério”:

O tempo e a rua do cemitério

Era domingo, final da tarde, estava com minhas duas filhas, uma no colo e outra que caminhava ao meu lado, segurando minha mão, enquanto descíamos a rua do cemitério.

O silêncio era ensurdecedor.

Sabe aquele frio na barriga?

Então, enquanto caminhava a passos rápidos, era o que sentia o tempo todo. Mas nem comentei com as meninas.

Fomos aos jazidos das bisavós, visitamos e conversamos sobre o que é a saudade e o tempo.

Ao finalizarmos os devaneios, já estávamos subindo à rampa que dá acesso à área externa da rua do cemitério, quando nos deparamos com um padre, o violinista, um carrinho que dava suporte a uma coroa de flores, cinco pessoas em círculo e um coveiro, na ocasião, vestido dos pés à cabeça com um roupão na cor branca.

De repente, o carro funerário se aproxima, abre porta-malas, o padre dá uma benção, o violonista toca, fecha-se o tampão, o carro desce com a vida silenciada, as flores ausentes de seu perfume e as cinco pessoas enlutadas, rapidamente precisam sair.

É o fim de mais um humano, que teve sua páscoa adiantada.

Foi o tempo lhe retirado.

Ao entrarmos no carro, minha filha maior diz:

– Passa álcool em gel pai, porque não quero sentir essa saudade aqui e nem na rua do cemitério.

(Assessoria)

Redação

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