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O escândalo da saúde em Umuarama: muitas perguntas, quase nada de respostas

Dizem que eram emendas parlamentares. Quais deputados federais apresentaram essas emendas? E quais suas motivações?

Prefeito Celso Pozzobom sobe escadaria da Prefeitura acompanhado por agentes do Gaeco no fatídico 5 de maio, da Operação Metástase em Umuarama FOTO: OBEMDITO
O escândalo da saúde em Umuarama: muitas perguntas, quase nada de respostas
Valdir Miranda
OBemdito
2 de junho de 2021 12h28

PRIMEIRO PONTO

Desde que veio à tona essa questão do desvio de dinheiro da saúde pública em Umuarama, algumas perguntas me vêm frequentemente à mente: como tanto dinheiro veio parar neste município? Quem pediu essas verbas? Como foram liberadas e por quem? Quais os critérios usados para a sua liberação? 

Todo esse valor que o Ministério Público diz que foi desviado, algo em torno de R$ 19 milhões (em live o prefeito Celso Pozzobom diz achar “que não é tudo isso”) era para combater a pandemia de Covid-19? 

Como um ex-assessor de um ex-deputado federal do Paraná, que até a prisão recente, trabalhava no gabinete de um deputado federal paulista intermediava esses recursos? A pedido de quem da Prefeitura de Umuarama? 

Dizem que eram emendas parlamentares. Quais deputados federais apresentaram essas emendas? E quais suas motivações? Umuarama conta apenas com um deputado federal, o petista Zeca Dirceu, ex-prefeito de Cruzeiro do Oeste, mas pelo que se tem notícia não tem emendas orçamentárias liberadas para o município – ou se tem ninguém sabe. 

Passei boa parte da vida profissional em assessoria de prefeitos em Umuarama e sei que a liberação de emendas orçamentárias não é assim tão fácil, mesmo quando reconhecidos os chamados estado de emergência ou de calamidade. 

Nesses casos são amplas as listas de exigências cobradas pelo governo central. Não é assim “molinho” não. Pensam que é chegar à boca do caixa e pegar o dinheiro e sair contratando serviços a torto e direito? Existem critérios. 

Dessas indagações, a depender das respostas, surgirão outras. A famosa deixa da investigação de toda denúncia de corrupção: “siga o dinheiro” pode apontar os reais beneficiários dos valores desviados. Quem fará essas perguntas todas? 

Eis aí uma dica da coluna para a CPI da Saúde instalada na Câmara Municipal de Umuarama. Quem deve responder essas perguntas? Todos os envolvidos na investigação pelo Ministério Público. Fatalmente eles conheciam o funcionamento do esquema, em todo ou em parte.

SEGUNDO PONTO

A revista Veja publica uma reportagem nesta semana interessante: como um ex-vereador do interior do Estado de Alagoas, Francisco Araújo Filho, acabou sendo nomeado secretário de Saúde do Distrito Federal. Ele foi destituído do cargo depois de ser preso no ano passado sob acusação de desviar recursos de combate à Covid-19. 

O senador Ivalci Lucas (PSDB-DF), sugeriu sua convocação pela CPI da Pandemia do Senado Federal, por acreditar que Araújo possa ser a ponta do iceberg de um esquema de corrupção nacional porque o esquema de Brasília tem ligação com vários atores nacionais – lobistas ligados à Saúde e com escritórios que fazem a intermediação de negócios em Brasília.

O que isso tem a ver com Umuarama? Aparentemente nada, mas, a considerar que os recursos vindos para combater a pandemia no município eram de emendas parlamentares, o modus operandi da operação parece não ser muito diferente.

Afinal, um dos principais envolvidos na história da corrupção na Prefeitura de Umuarama é Valdecir Miester, esse tal assessor parlamentar de deputado federal que foi preso em Brasília.

Já escrevi antes e mantenho: ainda há muita coisa em investigação e novidades continuam pipocando. 

OS PONTOS A MAIS

… Até o fechamento desta coluna continuavam presos em Campo Mourão José Cícero Laurentino, ex-assessor direto de Celso Pozzobom, Ivalci Lucas, assessor parlamentar em Brasília, Pedro Arildo Ruiz Filho, diretor do Norospar, e Guilherme Roberto Pereira, contador, também de Umuarama. Foram liberadas a funcionária pública Renata Figueiredo Campagnole de Oliveira e Daniela de Azevedo Silva, que é médica. 

 …. É preciso pensar seriamente nessa questão de manifestações na frente da casa do prefeito Celso Pozzobom. Não é sinal de coisa boa. Manifestações na frente da Prefeitura ou de qualquer órgão público, são aceitáveis e compreensíveis. Em protestos dessa natureza, mesmo que justificáveis, pode surgir os baderneiros que costumam usar gasolina para apagar o fogo, e aí a coisa se torna perigosa, inclusive para os próprios manifestantes.

Até a próxima.

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