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Triplo homicídio em Umuarama completa um ano. Por que casal e filha foram mortos? Assista a reportagem

Reviravolta? Resultados de perícias apresentados por advogados dizem que manchas encontradas no carro, faca e camiseta de Jean Michel não são de sangue

Jean Michel de Souza Barros segue preso sob a acusação de ser o autor das mortes dos sogros e da esposa (FOTO: LEONARDO REVESSO/OBEMDITO)
Triplo homicídio em Umuarama completa um ano. Por que casal e filha foram mortos? Assista a reportagem
Leonardo Revesso - OBemdito
Publicado em 9 de agosto de 2022 às 10h25 - Modificado em 10 de agosto de 2022 às 15h20
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Um crime brutal acorda Umuarama na manhã de 9 de agosto de 2021. A empregada chega para o trabalho e encontra os corpos de Helena Marra e Antônio Soares dos Santos caídos na sala da casa. No quarto, no andar de cima, estava a filha do casal, a advogada Jaqueline, de roupa, dentro da banheira. Todos foram mortos com golpes de faca.

A polícia inicia as investigações e descobre que Jean Michel de Souza Barros, marido de Jaqueline, não tinha dormido na residência, na noite anterior.

Jean Michel foi abordado pela Polícia Civil em frente a loja que tocava em sociedade com o sogro Antônio. A empresa fica a dois quilômetros do local do crime e permanece fechada desde então. De acordo com os investigadores, o comerciante disse que tinha ouvido comentários sobre algo ruim na cidade, mas que não sabia que as vítimas eram os sogros e a própria esposa.

As investigações avançam. Jean aguarda em uma sala dentro da Delegacia. Indícios e depoimentos o incriminam cada vez mais. Já era noite quando ele recebeu a voz de prisão em flagrante. Para a polícia já não havia mais dúvidas de que o comerciante tinha sido o autor dos crimes.

A partir de rastreios telefônicos, a polícia concluiu que Jean parou o carro na quadra de baixo, com pouca iluminação, e seguiu caminhando em direção ao sobrado, do outro lado da avenida. Para os policiais, foram passos de quem estava determinado a matar.  

Primeiro matou Antônio e Helena. Depois Jaqueline. Houve luta corporal com ela. A advogada tinha hematomas espalhados pelo corpo e cortes nas mãos, provavelmente ocasionados ao se defender. Número de facadas que cada vítima levou.

Um exame de luminol detectou a presença de sangue no câmbio, no volante e na maçaneta da porta do carro. Uma faca de serra, dessas usadas para cortar pão, uma camiseta e um par de chinelos com manchas semelhantes a sangue foram apreendidos na casa da mãe de Jean e encaminhados à perícia.

Não era sangue

Um ano depois do crime, uma surpresa. Não era sangue. As manchas no carro, na faca e na camiseta não são compatíveis com sangue. Sequer o rastro de chinelo encontrado na cena do crime é da mesma numeração usada por Jean.

Para os advogados, a conclusão do inquérito policial foi precipitada.

A polícia afirma que é Jean que aparece nessas imagens, feita por uma câmera de segurança. Um homem com o porte físico semelhante ao do comerciante desce do carro e vai em direção a um bueiro, onde lança algo.

Eram os celulares das vítimas.  O que tinha de revelador nesses aparelhos? Segundo os advogados, nada.

Celulares jogados no bueiro

A polícia afirma que é Jean que aparece nessas imagens, feita por uma câmera de segurança. Um homem com o porte físico semelhante ao do comerciante desce do carro e vai em direção a um bueiro, onde lança algo. Eram os celulares das vítimas.  O que tinha de revelador nesses aparelhos?

O que teria levado Jean Michel a cometer um crime tão repugnante? Um jovem evangélico, que frequentava a Igreja na companhia da esposa e recebia dela declarações de amor pelas redes sociais… Embora não vivessem na mesma casa, os dois faziam planos de irem para um apartamento e ter o primeiro filho.

Jean tinha voltado a morar com a mãe dele porque não se dava bem com a sogra, Helena. Ela tomava remédios para depressão e não aceitava a presença do genro.    

Na mesma manhã em que os corpos foram encontrados, a psicóloga que atendia a família fez revelações estarrecedoras do que teria ouvido ao longo de várias sessões. Ela disse que talvez Jean Michel teria traços de psicopata, esquizofrenia, mas que não poderia afirmar tal diagnóstico. Que a senhora Helena havia relatado que dormia com a porta chaveada, por medo que Jean pudesse fazer alguma coisa com ela.  

Depoimento da psicóloga

Jaqueline verbalizou que haveria um happy hour de advogados e que quando ela entrou no banheiro para tomar banho, Jean teve um surto e destruiu toda a porta.

Seu Antônio afirmou em sessão que fez de tudo para que Jean começasse a trabalhar com ele, pois ganhava muito pouco e não tinha condições de ajudar com as despesas. Seu Antônio é que bancava tudo dentro de casa.

Que seu Antonio era uma pessoa extremamente controladora e colocava Jean contra a parede.   Segundo a psicóloga, senhor Antônio relatou que teria uma amante, de muitos anos, na cidade em que ele possuía um estabelecimento comercial, que também bancava a amante e os filhos, e que tal mulher é a responsável pelo estabelecimento comercial.

Jaqueline teria afirmado que o medo excessivo da Senhora Helena em face de Jean poderia também se dar em razão dos medicamentos que ela tomava.

Que a senhora Jaqueline também havia relatado em sessão que iria investigar o pai no sentido dele estar desviando dinheiro para outras pessoas, no caso a segunda família que ele mantinha.

Os advogados de Jean Michel são enfáticos ao afirmar que outras pessoas teriam interesse na morte da família, para obterem benefícios financeiros.  

Preso no Completo Médico Penal 

Jean segue preso no Complexo Médico Penal de Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. Ele está com todos os bens bloqueados pela justiça, a pedido da outra filha de Antônio e Helena. A herdeira, que é juíza, também quer que Jean Michel pague uma indenização de R$ 600 mil pelos crimes.

Os advogados do comerciante preparam recurso para que ele aguarde o julgamento em liberdade. Segundo os defensores, Jean Michel alega a todo momento que é inocente. 

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