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O que manifestantes e forte aparato policial na casa do prefeito têm a nos dizer

Atribuir toda a desgraça do coronavírus em Umuarama ao prefeito é dizer ‘sim’ para uma pandemia cada vez mais longa

O que manifestantes e forte aparato policial na casa do prefeito têm a nos dizer
Leonardo Revesso
OBemdito
31 de maio de 2021 21h54

O protesto convocado anonimamente pelas redes sociais para acontecer em frente a casa do prefeito Celso Pozzobom, na noite desta segunda-feira (31), nem de longe reuniu o número de pessoas esperado ao menos pela Polícia Militar, que deslocou quatro viaturas e vários homens para o local.

Algumas pessoas passaram de carro pela rua com as câmeras dos celulares ligados, mas não pararam. Outras ficaram na panificadora a pouco mais de uma quadra. As vendas cresceram no período de aproximadamente duas horas. 

Cerca de 20 manifestantes permaneceram diante da residência, de forma silenciosa. Esses, sim, deram as caras, seja pelo interesse de ver as coisas esclarecidas ou simplesmente para tirar proveito do desespero da população.

Os moradores pediam para o que prefeito saísse para se explicar das acusações levantadas contra ele pelo Ministério Público, no ápice da operação Metástase. Embora as luzes da varanda estivessem acesas, Pozzobom não estava na residência. Assessores próximos disseram que ele seguia trabalhando no gabinete.

Cena triste e emblemática em uma cidade que desponta a olhos vistos

A cena registrada nesta noite é uma das mais emblemáticas desde o desencadeamento da operação exatamente pelo forte aparato policial. 

Segundo o MP, o prefeito tinha conhecimento dos desvios milionários no Fundo Municipal de Saúde. Até o momento, porém, os promotores não afirmaram com todas as letras que Pozzobom era beneficiário direto do suposto esquema de corrupção, até porque, o que se espera, nesses casos, é a prisão, e não a inclusão do suspeito como investigado. 

Umuarama virou de pernas para o ar 

Umuarama não é mais a mesma desde que o Gaeco e o Gepatrias, divisões do MP, fizeram suas incursões por empresas, órgãos públicos, residências de suspeitos (entre elas a do prefeito) e hospitais, apreendendo computadores, celulares e documentos.

Se o Paraná vive o pior momento da pandemia, com pás de cimento abrindo e fechando túmulos nos cemitérios, em Umuarama a situação assume o agravante de ver o seu prefeito, reeleito com quase 70% dos votos, atolado em gravíssimas denúncias, levando a crer, de forma preliminar, que tenha colocado no bolso um dinheiro que era para salvar vias.

Silêncio do prefeito é ensurdecedor

A população volta a eleger Pozzobom, mas desta vez para depositar nele a ira da falta de leitos, o que na verdade é da competência do governo estadual. Porém, a partir do momento em que opta pelo silêncio ou responde com evasivas, o próprio titular do Paço da Amizade contribui para a revolta popular. 

Saída está no comportamento da população

A única saída para conter o vírus, neste momento, não é colocar nas digitais do prefeito o sangue das vítimas que partem, e achar que o coronavírus vai embora porque tem um “culpado”. O Ministério Público e a Câmara estão detidos (é o que se espera) em comprovar o tamanho dessa verdade. 

Mais do que clamar por justiça (o que está correto), nós, umuaramenses, precisamos redobrar os cuidados e colocar a mão na consciência. Nós, umuaramenses, não podemos ficar calados diante de festas clandestinas na calada da noite ou aglomerações em bares.

Nós, brasileiros umuaramenses, precisamos fazer um levante por vacinas. Vacina. Vacina. Vacina!  

Promotores, sejam ágeis; vereadores, apresentem soluções viáveis

Aos promotores de justiça, cabe agir com celeridade e atrair, no mínimo, 10% dos holofotes que granjeou na operação. Aos vereadores, mais do que levantar o dedo indicador, espera-se a apresentação de ideias viáveis e responsáveis para amainar a dor das famílias.

E que não venham com o estapafúrdio ‘projeto’ de instalar hospital de campanha apenas com cama e travesseiro. Falar tão somente em ceder ginásio de esportes ou utilizar a estrutura da Igreja católica, é covardia, até porque, nunca faltou espaço físico para enfrentar o vírus.

Faltam, sim, equipamentos, remédios, suprimentos. Falta, sim, material humano, que pensa em abandonar a batalha no momento em que é pressionado a fazer milagre onde a fé na ciência é desprezada.

De que vale ter 20 potentes carros de corrida se não há pilotos capacitados para guiá-los?

Com a palavra o aparente sensato secretário de Estado da Saúde, Beto Preto, que segundo a assessoria da Prefeitura confirmou vinda a Umuarama nesta terça-feira (1o).

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