Paraná

Dona Helena, a lavadeira de túmulos que vê espíritos em Maringá

Uma vida inteira dedicada à lavagem de túmulos no Cemitério de Maringá. Quem frequenta o local com certeza já ouviu falar de Helena Paulino Rocha, 64 anos. A cearense chegou em Maringá aos 8 anos de idade e, há pelo menos 30 anos, trabalha lavando túmulos. E tanta convivência assim no Cemitério de Maringá fez Helena desenvolver um dom que já tinha desde os 6 anos de idade: ver espíritos.

Dona de uma fé e alegria contagiantes, Maria está sempre sorrindo pelos corredores do cemitério. Não falta um dia sequer. Nem mesmo quando chove. Ela ama zelar pelos túmulos na qual foi contratada por familiares dos falecidos para limpar. São mais de 30 túmulos por semana, todos estão sempre limpinhos.

Sobre o fato de ver espíritos, ela disse que no início tinha muito medo, mas hoje é algo que encara como natural, está sempre vendo eles por aí. E, no Cemitério de Maringá, a aposentada já presenciou situações um tanto assustadoras, segundo ela.

“Um dia eu tava guardando minhas vassouras atrás de um túmulo, pra usar quando eu voltasse, e eu vi uma pessoa sentada no túmulo do lado dando sinal pra eu olhar. Eu olhei e era um homem. Ele disse pra eu ir embora que iria chover, mas nem tinha tempo pra chuva. Daí eu virei, veio um vento muito forte e jogou meus baldes, vassouras pra todo lado e quando olhei de novo não vi mais ele. As meninas aqui viram de longe minhas coisas voando e vieram ver o que tava acontecendo. Nem eu sei o que aconteceu, só sei que descobri que era um espírito. E menino, e não é que passou uma meia hora e o sol sumiu e caiu uma chuva de molhar tudo”, contou Helena Paulino Rocha, ao GMC Online.

A lavadeira de túmulos disse que isso é algo muito normal no Cemitério de Maringá. Pelo menos para ela, que se diz ter o dom de ver espíritos. Helena sabe até diferenciar os espíritos bons e ruins que circulam pelo cemitério.

“Os bons e ruins usam roupas. A diferença é que você vê no olhar, que é muito estranho. Os ruins têm um olho muito grande e, às vezes, são deformados, não sei o porquê. Já os espíritos bons transmitem uma paz, você precisa ver. Não sei explicar mas é fácil identificar. Os bons eu até tento me comunicar, mas os ruins eu saio de perto. Não presta, não. Parece que estão perdidos, não encontraram a paz e aí ficam tentando fazer o mal”, explicou a aposentada.

Helena confessa que já sentiu medo algumas vezes, mas é muito raro isso acontecer. No geral, segundo ela, eles não incomodam e não atrapalham a rotina dela. “Ah, eu não me incomodo, não. Tem dias que não quero ver mas eles aparecem. Tem gente que eu conto e dá risada, sabe, mas eu respeito também porque sei que nem todo mundo acredita. Mas quem conhece o espiritismo sabe que eles estão por aí mesmo”, completou.

Para ver um espírito é preciso se desligar do mundo, segundo Helena. É tentar se desligar do que está fazendo, dos pensamentos, se concentrar e eles aparecem. “Eu não sei se todo mundo consegue ver porque às vezes falo e nem todos acreditam, mas você precisa se desligar, esquecer tudo o que está acontecendo aqui, daí você vê eles. Eles aparecem repentinamente”, esclareceu.

Nos últimos três anos, Helena ganhou um amigo, o Rochinha, um vira-lata que apareceu no cemitério e não larga da aposentada. Para onde ela vai o Rochinha vai atrás. “É um amigão. Todo mundo acha engraçado porque ele mora no cemitério, mas se eu chego aqui ele vem e não sai de perto de mim enquanto não vou embora. E como venho todos os dias, ele sempre está comigo”, contou.

Por Fábio Guillen / GMCOnline

Redação

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