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Professora Neiva: Mente que pensa e realiza, olhos que brilham!

Foto: Reprodução Facebook
Professora Neiva: Mente que pensa e realiza, olhos que brilham!
Redação
OBemdito
8 de março de 2022 20h16

Por Graça Milanez*

Quis o destino que ela se despedisse de nós bem neste Dia Internacional da Mulher, não por vaidade, mas, imagino eu, pela importância que dava às datas comemorativas, especialmente esta [ao que ela, a data, representa]. Neiva Pavan Machado Garcia foi uma mulher que sempre respeitou e valorizou o potencial feminino, delegando poderes a tantas, em vários cargos na sua Unipar, a Universidade Paranaense, projetada, vamos admitir, por ela.

Ninguém transforma uma faculdade em uma universidade sozinha, ok. Mas a professora Neiva [primeira reitora – mulher – do Paraná] tem que ser lembrada como a mentora intelectual de muitos e muitos projetos que permitiram que essa instituição, tão amada por ela, desse os saltos que deu em menos de vinte, trinta anos. Umuarama teve o privilégio de ter conquistado essa paulista intrépida.

Convivi, bem de perto [como assessora de imprensa] com essa mulher aguerrida por mais de vinte anos, período em que vi seus olhos brilharem a cada vitória; nas derrotas, não brilhavam, mas também não choravam, porque ela tinha fé que tudo se resolveria, num dia ou noutro.

Se todos nós temos uma antena, imaginava eu que a professora Neiva carregava uma parabólica: ela sabia tudo, de a a z; era comum pesquisadores, professores doutores saírem da sala dela, depois de uma reunião de rotina, maravilhados com os conhecimentos compartilhados. Incrível como ela conversava com todos de igual pra igual, mas sempre, bom destacar, respeitando o interlocutor, num, vamos dizer, papo legal, porque não tinha arrogância ou exibicionismo envolvidos. Era a D Neiva, do outro lado da mesa, autêntica, conversando com empolgação, com sua memória para datas e outros dados impressionante!

História era sua praia: tinha orgulho de dizer, mas, de vez em quando, revelava sua paixão por várias outras áreas profissionais; uma delas, jornalismo. Lia jornais e acompanhava os telejornais com a assiduidade de quem acreditava que estar sempre bem informada fazia parte da lida empresarial e, também, do bem viver. O apego à literatura e ao cinema era também expressivo. E como viveu os tempos áureos do rádio, somou experiências indeléveis atuando em radionovelas… sim, desde a juventude foi dinâmica, criativa, arrojada!

O que eu mais admirava nela é essa miscelânia de talentos que habitava, harmoniosamente, sua mente brilhante. E aqui abro para mais um: a música. Ah, como ela sabia de música, da erudita a popular. E como gostava de cantar! Sua alegria, espalhada com ajuda do microfone, contagiava e era só elogios dos que formavam a plateia: geralmente os amigos mais próximos; quando soltava a voz provocava os velhos e bons sentimentos nostálgicos em todos, já que tinha preferência pelas canções clássicas brasileiras [do tipo que arrebentam corações].

Ainda não é tudo. Foi uma esposa, mãe, vó amável, carinhosa e dedicada. Trabalhava três turnos na Unipar, mas ainda assim conseguia manter em dia os compromissos pessoais, tudo para preservar a união da família. Resumindo, uma mãezona, que, aliás, encontrava tempo também para curtir futebol: era vibrante torcedora do Corinthians. E para rezar: era devotada católica. 

Resumindo, D Neiva era uma mulher intensa em tudo que fazia. E por isso, exemplar. Partiu nos deixando um legado imensurável: moral e intelectual, principalmente. Vai o corpo, mas, em compensação, ficam as boas lembranças do brilho dos seus olhos.

*Graça Milanez – Jornalista

Fotografia de 1998, da inauguração do Campus III da Unipar (acervo Graça Milanez)
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