Foto: Danilo Martins/OBemdito
Produtores de leite de Umuarama e região participam nesta terça-feira (3) do New Zealand Day, encontro realizado na Sociedade Rural de Umuarama, com o objetivo de promover a troca de experiências e apresentar práticas adotadas pela Nova Zelândia na produção leiteira.
A proposta é discutir alternativas para aumentar a eficiência da atividade e reduzir os custos de produção nas propriedades brasileiras.
“Hoje, na Nova Zelândia, o custo de produção é muito baixo. E é toda essa mensagem que a gente quer passar aqui”, afirma Luis Antonini, gerente de Agro do Consulado da Nova Zelândia.
O evento conta com a participação de especialistas neozelandeses e de outros países, além de produtores que já utilizam tecnologias e técnicas inspiradas no modelo do país.
Segundo Antonini, a região de Umuarama apresenta características que favorecem o intercâmbio de experiências com a Nova Zelândia, especialmente pela tradição na produção de leite a pasto. Esta é a segunda visita do representante à região.
A Nova Zelândia está entre os maiores exportadores mundiais de produtos lácteos. De acordo com Antonini, o desempenho do setor está relacionado ao investimento em tecnologia, eficiência produtiva e controle de custos. Ele destaca que o modelo não depende de subsídios governamentais. Em 1984, o país retirou os incentivos e apoios públicos destinados ao setor leiteiro.
Outro ponto destacado pelo representante é que a competitividade neozelandesa não está necessariamente relacionada ao valor recebido pelo litro de leite. Segundo ele, os preços pagos aos produtores nos dois países são semelhantes, e a principal diferença está no custo de produção.
“Quando a gente faz a comparação, trazendo para o sistema de pagamento do Brasil, a gente vê que o preço pago por litro de leite é muito parecido entre Nova Zelândia e Brasil. O que faz diferença realmente é que na Nova Zelândia hoje o custo de produção é muito baixo”, explica.
A redução das despesas, conforme Antonini, passa por medidas como o manejo adequado das pastagens e o aproveitamento dos alimentos produzidos na própria propriedade. A estratégia busca diminuir a dependência de insumos externos, como milho e suplementos adquiridos de terceiros.
O melhoramento genético dos animais também é apontado como um dos caminhos para aumentar a eficiência. A seleção busca animais que demandem menos alimento, sejam mais resistentes às condições climáticas e estejam adaptados à produção a pasto.
Antonini ressalta, no entanto, que o modelo neozelandês não deve ser simplesmente reproduzido no Brasil. A proposta do encontro é identificar práticas que possam ser adaptadas à realidade de cada propriedade.
“Não é porque a Nova Zelândia se desenvolveu dessa maneira que 100% do sistema pode ser copiado e instalado. A ideia é que a gente adapte e traga o que dá para ser trazido”, afirma.
Para o gerente, o setor leiteiro brasileiro também precisa avançar na valorização dos sólidos do leite, em vez de concentrar a remuneração apenas no volume produzido. Os componentes são fundamentais para o rendimento industrial na fabricação de derivados, como queijos, iogurtes e leite em pó.
Segundo Antonini, essa mudança pode contribuir para reduzir custos, melhorar a rentabilidade dos produtores e ampliar a competitividade brasileira no mercado internacional de lácteos.
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