Bacia do Piquiri está entre as áreas críticas para a qualidade da água no Paraná
A bacia hidrográfica do Piquiri está entre as áreas do Paraná que exigem atenção para a preservação dos recursos hídricos. O diagnóstico do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) aponta riscos de contaminação subterrânea e possíveis conflitos pelo uso da água na região.
O levantamento integra a edição 2026 dos Indicadores de Desenvolvimento Sustentável por Bacias Hidrográficas do Estado do Paraná. Diante dos desafios identificados, a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) mantém ações de tratamento de esgoto e proteção de mananciais para contribuir com a qualidade ambiental.
Em 2025, a companhia tratou o esgoto coletado em sua área de atendimento e evitou que quase 457 bilhões de litros de resíduos fossem despejados no meio ambiente. A empresa relaciona esse trabalho à melhora dos indicadores de qualidade da água observada no estado.
Bacia do Piquiri exige atenção para riscos ambientais
Além do Piquiri, o diagnóstico do Ipardes identifica as bacias do Baixo Iguaçu, Alto Ivaí e Baixo Tibagi entre as áreas com rios sujeitos a potenciais conflitos de uso ou riscos de contaminação subterrânea.
Para enfrentar esses problemas, a Sanepar desenvolve o programa Água Segura, que busca identificar vulnerabilidades e prevenir riscos aos mananciais. A iniciativa reúne medidas de monitoramento, preservação ambiental e resposta a situações que possam comprometer a qualidade e a disponibilidade da água.
Segundo Ester Amélia Assis Mendes, gerente de Recursos Hídricos da companhia, o programa utiliza indicadores territoriais e ambientais para orientar as ações. A estratégia também busca aumentar a capacidade dos sistemas hídricos de enfrentar períodos de estiagem sem comprometer seu equilíbrio.
Sanepar aponta melhora na qualidade dos rios
O relatório do Ipardes classificou como boa a qualidade da água em 87% dos 172 pontos de monitoramento avaliados no Paraná. O índice representa um avanço de seis pontos percentuais em relação à edição anterior, publicada em 2022, quando o resultado chegou a 81%.
Por outro lado, 13% dos pontos analisados apresentaram condições inferiores. Desse total, 9% receberam classificação razoável e 4% foram considerados ruins. Os dados reforçam a necessidade de manter ações de prevenção e controle da poluição nos rios paranaenses.
“O número reflete a melhora na eficiência do tratamento de esgoto urbano, também confirmada pela ampliação da infraestrutura”, afirma o diretor-presidente da Sanepar, Wilson Bley.
Programa Água Segura prevê proteção de nascentes
Entre as medidas adotadas pela companhia está a chamada abordagem de múltiplas barreiras, que reúne ações para reduzir a contaminação dos recursos hídricos. O trabalho inclui a recuperação de Áreas de Preservação Permanente (APPs), o controle da erosão e da turbidez e o manejo sustentável do solo.
Outra iniciativa é o Fundo Azul, que bonifica agricultores responsáveis pela proteção de nascentes e matas ciliares em bacias de mananciais. Essas áreas são importantes para a conservação dos recursos hídricos e para a manutenção da qualidade da água.
A Sanepar também desenvolve ferramentas para identificar áreas críticas e agilizar respostas a possíveis problemas. Entre elas estão o Protocolo de Atendimento Rápido (PAR) e o sistema NOAH, sigla para Navegador Operacional de Avaliação Hídrica, que prevê a produção de mapas georreferenciados de riscos.
Cobertura de esgoto chega a 82,9%
A rede coletora de esgoto atende atualmente 82,9% da população na área de atuação da Sanepar. Em 2022, o índice era de 78,9%. A cobertura supera a média nacional de 62,3%, conforme dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (Sinisa).
A companhia prevê investir R$ 13 bilhões até 2030 para ampliar a infraestrutura e avançar na universalização do saneamento. O tratamento adequado do esgoto é uma das medidas para reduzir a carga de poluentes que chega aos rios e córregos.
Embora o relatório apresente avanços na qualidade da água em âmbito estadual, os indicadores também mostram que algumas bacias exigem medidas específicas. No caso do Piquiri, o diagnóstico reforça a importância do monitoramento e da proteção dos recursos hídricos.
Relatório reúne indicadores ambientais e socioeconômicos
A edição 2026 dos Indicadores de Desenvolvimento Sustentável por Bacias Hidrográficas do Paraná reúne informações ambientais e socioeconômicas para subsidiar políticas públicas, pesquisas e ações de planejamento.
Na dimensão ambiental, o Índice de Qualidade das Águas (IQA) considera dados coletados em 172 pontos de monitoramento distribuídos pelo estado. A avaliação segue a classificação do Instituto Água e Terra (IAT).
Além da qualidade da água, o levantamento analisa os usos dos recursos hídricos em quatro setores: abastecimento público, indústria, agricultura e pecuária. As informações ajudam a identificar demandas e vulnerabilidades que precisam ser consideradas na gestão das bacias hidrográficas.
Com informações: assessoria Sanepar
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