Câmara de Xambrê deve votar cassação de Ademir Cabeção na próxima segunda-feira
A Câmara Municipal de Xambrê, no Noroeste do Paraná, deve decidir na manhã de segunda-feira (19) se cassa o mandato do vereador Ademir Leite da Silva (PL), conhecido como Ademir Cabeção.
A sessão de julgamento está prevista para as 9h, após a conclusão dos trabalhos da Comissão Processante que apura possíveis infrações político-administrativas e quebra de decoro parlamentar.
O relatório final foi concluído na noite de quinta-feira (15) pelo relator da comissão, vereador Sid Alesandro Ensina Salvador (PP). O documento deve ser encaminhado à presidência da Câmara nesta sexta-feira (16).
A votação em plenário representa uma das etapas decisivas de uma crise que se arrasta há meses no Legislativo municipal. O resultado poderá determinar a permanência de Ademir no cargo ou a cassação do mandato.
Na manhã desta sexta-feira, o OBemdito entrou em contato com o presidente da Comissão Processante, que detalhou o andamento dos trabalhos e a conclusão do relatório final.
O documento reúne a análise da denúncia, os depoimentos colhidos durante a instrução e as alegações finais apresentadas pela defesa. A conclusão do parecer, no entanto, não foi antecipada pelo relator.
Comissão realizou oitivas e recebeu defesa
A Comissão Processante foi instaurada em junho, após a Câmara aprovar por unanimidade o recebimento de uma denúncia apresentada pelo morador Francisco Ferreira de Oliveira.
O pedido solicita a apuração de possíveis infrações político-administrativas e eventual quebra de decoro parlamentar atribuídas ao vereador.
O colegiado é formado por Adriano Cardozo da Silva, na presidência, Sid Alesandro Ensina Salvador, como relator, e Osair de Almeida Pereira, como secretário.
Durante a tramitação, a comissão realizou seis oitivas de testemunhas indicadas pela defesa. Na última delas, Ademir foi intimado, mas não compareceu.
Segundo as informações apresentadas sobre o procedimento, a defesa entregou um atestado médico, que não foi aceito pela comissão.
Depois da fase de depoimentos, foi aberto prazo para as alegações finais, apresentadas pela defesa na quinta-feira. Com a conclusão dessa etapa, o relator finalizou o documento que deverá orientar a deliberação dos vereadores.
A conclusão do parecer e seu encaminhamento à presidência são necessários para a organização do julgamento. Caberá ao plenário analisar o processo e deliberar conforme as regras aplicáveis à cassação de mandatos.
Defesa também pediu nova licença
Paralelamente ao processo de cassação, a defesa de Ademir apresentou pedidos relacionados ao afastamento das atividades legislativas.
Entre as solicitações estão mais 20 dias de licença, autorização para participação remota nas sessões, com direito à palavra e ao voto, e licença para tratamento de saúde por prazo indeterminado.
Os requerimentos foram analisados pela Comissão de Justiça, Redação, Serviços e Obras Públicas, onde houve divergência sobre parte das solicitações.
O vereador Elton Barbosa dos Santos apresentou parecer contrário aos três pedidos, defendendo que as medidas observem os limites estabelecidos pela Lei Orgânica e pelo Regimento Interno.
O debate envolve, entre outros pontos, a possibilidade de participação por videoconferência, que, segundo o parecer de Elton, não está expressamente prevista nas normas municipais analisadas.
Os pedidos também devem ser submetidos à análise dos vereadores. A discussão ocorre enquanto a Comissão Processante se prepara para levar ao plenário o resultado da apuração sobre o mandato.
Vereador é considerado foragido
Ademir está afastado das atividades presenciais desde maio e é considerado foragido da Justiça, conforme informações divulgadas anteriormente.
A situação está relacionada a um mandado de prisão expedido em meio a um caso envolvendo o suposto descumprimento de medida protetiva.
Além do procedimento político-administrativo, o vereador responde a outras ações judiciais. Entre elas está um processo relacionado à retirada de aproximadamente 300 metros de alambrado de uma área pública conhecida como Prainha do Rio Xambrê.
Ele também responde a processo por embriaguez ao volante e é alvo de investigação por suspeita de desacato a servidores públicos.
Esses procedimentos têm tramitações próprias e não representam, por si só, a conclusão do processo de cassação. A decisão sobre o mandato será tomada pelos vereadores a partir da análise do relatório da Comissão Processante e das regras aplicáveis ao julgamento.
Votação pode definir futuro político do vereador
A sessão prevista para segunda-feira deverá concentrar a atenção sobre o futuro de Ademir na Câmara de Xambrê. O relatório final, ainda sem conclusão divulgada publicamente, será o documento central para a análise dos parlamentares.
Até a realização do julgamento, a eventual perda do mandato permanece uma possibilidade, não uma decisão consumada. A definição dependerá da votação em plenário e do cumprimento dos requisitos legais.
O caso se tornou um dos principais focos da crise política do município, em meio a questionamentos sobre a conduta do vereador, disputas internas no Legislativo e outros episódios que atingiram a estrutura política local.

CONFIRA TAMBÉM: Foragido da Justiça, vereador Cabeção pede para participar remotamente das sessões em Xambrê
E, LEIA TAMBÉM, NO OBEMDITO: Gaeco mira Câmara de Xambrê, prende 2 e apura crimes sexuais contra 16 vítimas
Participe do nosso grupo no WhatsApp e receba as notícias do OBemdito em primeira mão.





