A pedagoga Marly e a assistente social Adriana, que estão à frente da Colorindo o Futuro - Fotos: Graça Milanez/OBemdito
No contraturno escolar, quando as aulas terminam, mais de 60 crianças e adolescentes do bairro San Martin e de regiões próximas têm outro destino: a Colorindo o Futuro. Na sede da entidade, eles encontram brinquedos, livros, jogos, atividades artísticas, esporte, alimentação e oficinas pedagógicas.
Criada para acolher crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social, a Colorindo tornou-se também um ambiente de convivência e prevenção. A reportagem do OBemdito foi conhecer o projeto e encontrou um lugar organizado e bem cuidado.
As crianças circulam pela brinquedoteca, sala de jogos, cantinho da leitura… Há também sala de refeições e cozinha. No lado de fora, um parquinho e um campinho de futebol. A receptividade de quem está ali e a movimentação durante a visita ajudam a mostrar o que acontece diariamente quando a turminha chega depois da escola.
“Aqui trabalhamos com muito amor para garantir os direitos das crianças”, afirma a assistente social Adriana Orlandi. “É um espaço de acolhimento, aprendizado e desenvolvimento, onde elas podem fortalecer vínculos, descobrir novas possibilidades e construir caminhos para o futuro”, acrescenta.
A coordenadora do projeto, pedagoga Marly Damaceno, reforça essa proposta e destaca outro aspecto do trabalho: a formação de valores e princípios para a convivência em sociedade. Segundo ela, a entidade nasceu também com a missão de oferecer segurança e referências positivas para que as crianças possam crescer e fazer escolhas mais conscientes.
“Respeito, companheirismo e responsabilidade fazem parte desse processo. Queremos mostrar a elas que cada uma pode fazer a diferença no lugar onde vive. Quando formamos pessoas melhores, também contribuímos para construir uma comunidade melhor”, argumenta.
Como Organização da Sociedade Civil (OSC), a Colorindo o Futuro mantém suas atividades por meio de doações e parcerias. Um dos apoios fundamentais vem do Supermercados Planalto, que cede, sem cobrança de aluguel, o barracão de aproximadamente 100 metros quadrados onde funciona a sede.
“Se tivéssemos que pagar o aluguel, a Colorindo não existiria”, comenta Marly, em tom de agradecimento. Ela lembra que, a partir dessa parceria, outras foram sendo construídas para dar sustentação ao projeto.
Uma das contribuições mais recentes e de maior impacto veio da ong Pró-Vida – Central do Dízimo, que destinou armários para a cozinha, mesas de jogos, eletrodomésticos, utensílios domésticos, brinquedos para o parquinho e outros equipamentos.
“Isso foi muito importante para nós, porque conseguimos fazer uma série de melhorias”, afirma Marly.
Além disso, o Conselho da Criança e do Adolescente também cooperou com equipamentos fundamentais para a rotina da entidade, entre eles máquina de lavar roupas, bebedouros, computadores e impressora.
A Prefeitura de Umuarama repassa uma subvenção utilizada no pagamento dos profissionais. E uma rede de apoiadores, que foi sendo formada ao longo dos anos, cobre outras despesas; são doações de pessoas físicas, captadas por meio de telemarketing.
A história da Colorindo o Futuro começou em 2018, a partir de outra organização social, o Centro de Recuperação Viva com Deus – Crevd, voltado ao atendimento de pessoas em dependência de drogas e bebidas alcoólicas.
No contato com essas famílias, surgiu uma preocupação: se os pais estavam sendo acolhidos, quem cuidaria dos filhos? A pergunta levou os dirigentes a buscar alternativas para criar um espaço destinado às crianças. Começava ali, então, uma nova frente de trabalho do voluntariado umuaramense.
A ligação com o Crevd faz com que a prevenção às drogas e ao alcoolismo esteja presente na origem da Colorindo o Futuro. Mas, no cotidiano da entidade, ela não aparece apenas em conversas sobre os riscos desses vícios.
Está também na oferta de um espaço seguro no contraturno escolar. É uma proposta que olha para a criança antes que ela esteja diante de uma situação de risco. “Em vez de esperar o problema aparecer, a entidade trabalha para conscientizar dos malefícios e ampliar as perspectivas de escolha”, diz Marly.
As atividades desenvolvidas na Colorindo o Futuro combinam educação, cultura e esporte. Uma parceria com o Sesc garante oficinas de Letramento e Raciocínio Lógico, conduzidas de maneira lúdica. A programação inclui ainda oficinas de artes e atividades de convivência, com temas relacionados ao bem-viver.
Sobretudo, a ideia é complementar a experiência escolar e ampliar o repertório das crianças. “As oficinas buscam promover o desenvolvimento integral, estimulando habilidades, criatividade e autonomia”, explica Adriana.
Para Marly, esses momentos também ampliam as oportunidades de convivência e o contato das crianças com novas referências em uma fase importante da formação: “Queremos expandir os horizontes dessas crianças e mostrar que existem diferentes possibilidades para elas”.
Na visita do OBemdito, o que chama atenção não é apenas a quantidade de equipamentos reunidos ao longo dos anos, mas a maneira como os espaços são utilizados. A brinquedoteca tem vida, os jogos ocupam seu lugar, os livros estão disponíveis e as salas são preparadas para receber as crianças.
É nesse cotidiano, feito de atividades simples e de uma estrutura construída pouco a pouco, que a Colorindo o Futuro desenvolve sua proposta. Mais de 60 crianças e adolescentes passam por ali e encontram uma equipe que organiza a rotina, parceiros que ajudam a mantê-la e uma rede de pessoas que, de diferentes maneiras, contribui para que o projeto continue.
A pergunta feita em 2018 — sobre o destino dos filhos enquanto os pais buscavam ajuda — deu origem à Colorindo. Hoje, a resposta está consolidada num espaço construído por muitas mãos e
que, todos os dias, procura oferecer a seus acolhidos um pouco mais de condições para que possam escrever o próprio futuro.
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