“Sem piedade”: Delegado revela esquema de quase R$ 100 mil contra idosos em loja de Umuarama
A Polícia Civil do Paraná (PCPR) prendeu quatro pessoas nesta quinta-feira (8), em Umuarama e na Lapa, durante a Operação Insidiae, que investiga um esquema de fraudes contra idosos. Segundo o delegado Thiago Araium Pinheiro, três dos envolvidos trabalhavam em uma loja de telefonia localizada na avenida Paraná, em Umuarama.
A investigação começou depois que um idoso percebeu uma transferência de R$ 70 mil em sua conta bancária. O homem havia passado pela loja e teve o rosto fotografado no estabelecimento. Ao verificar a movimentação financeira, percebeu que o dinheiro havia sido transferido sem sua autorização.
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“Essa vítima percebeu que, depois que foi lá nessa loja, foi fotografada nessa loja, os valores na sua conta foram transferidos. Não foi ela, então fez um boletim de ocorrência e nós iniciamos as investigações”, explicou o delegado.
A partir desse caso, os policiais identificaram outras vítimas e chegaram à estrutura que, segundo a investigação, era utilizada pelo grupo para acessar dados bancários e realizar operações financeiras.
Como o esquema funcionava
De acordo com Thiago Araium, os integrantes selecionavam idosos que procuravam a loja em busca de serviços relacionados ao celular ou até mesmo para pagar boletos.
Os investigadores identificaram conversas entre os suspeitos nas quais eles avaliavam quais clientes seriam mais vulneráveis e poderiam ter dinheiro em conta ou possibilidade de contratar empréstimos.
“Eles selecionavam os mais vulneráveis e que tinham a possibilidade de ter algum proveito para eles, para sacar, fazer um empréstimo ou fazer o furto nas contas”, afirmou o delegado.
A preferência, conforme a investigação, era por idosos que tinham contas no Banco Itaú.
Segundo a Polícia Civil, enquanto o cliente estava na loja, os envolvidos conseguiam acesso à conta por meio do celular e utilizavam a biometria facial da própria vítima. Com o acesso, podiam realizar transferências sem que o idoso percebesse.

Dinheiro passava por contas de outras vítimas
O dinheiro não era enviado diretamente para as contas dos suspeitos. Segundo o delegado, os valores eram transferidos primeiro para contas abertas em nome de outras vítimas, usadas como contas “laranjas”.
Em alguns casos, os dados dos idosos também teriam sido utilizados para abrir novas contas em uma instituição financeira chamada Crediwalk. Conforme a investigação, as imagens usadas na abertura dessas contas foram registradas dentro da própria loja.
“Era transferida a conta de uma vítima para outra vítima, para tentar quebrar o rastro do dinheiro. Até eles, caracterizando o crime de lavagem de dinheiro”, explicou Thiago.
A estratégia, segundo a Polícia Civil, dificultava o rastreamento dos valores antes que o dinheiro chegasse aos integrantes do grupo.
Quatro pessoas foram presas
Durante a operação, foram cumpridos dois mandados de prisão preventiva. Um homem de 20 anos foi preso em Umuarama e uma mulher de 21 anos foi localizada na Lapa, na região de Curitiba.
A análise inicial dos celulares apreendidos durante as diligências revelou a participação de outras duas pessoas. Elas foram presas em flagrante por associação criminosa e lavagem de dinheiro.
Segundo o delegado, três dos integrantes trabalhavam na loja, sendo um homem e duas mulheres. Uma quarta pessoa atuava à distância.
A Polícia Civil também cumpriu um mandado de busca e apreensão na loja utilizada pelo grupo. Nenhum material foi apreendido no estabelecimento.
Sobre o responsável pela loja, o delegado afirmou que, até a análise preliminar dos celulares, não foram encontrados elementos que indiquem participação dele no esquema.
“Não há nada que ligue o gerente aos crimes que eles cometiam”, afirmou Thiago.

Quase R$ 100 mil em prejuízos
Até o momento, seis vítimas procuraram a Polícia Civil e registraram boletins de ocorrência. Segundo o delegado, três delas tiveram prejuízo financeiro. As outras três tiveram dados utilizados para abertura de contas que, conforme a investigação, seriam usadas como “laranjas”.
O prejuízo financeiro identificado até agora se aproxima de R$ 100 mil. Além dos R$ 70 mil retirados de uma das vítimas, a polícia identificou prejuízos de aproximadamente R$ 15 mil em outro caso e um empréstimo de valor semelhante.
“Cerca de R$ 100 mil, dividido em três vítimas. R$ 70 mil para uma vítima, R$ 15 mil para outra e um empréstimo de outra, liberando quase R$ 15 mil também”, disse o delegado.
A Polícia Civil acredita, porém, que o número de vítimas possa ser maior.
Polícia alerta idosos que passaram pela loja
O delegado afirmou que informações de inteligência obtidas durante a investigação indicam a existência de outras possíveis vítimas que ainda não perceberam movimentações suspeitas ou sequer sabem que contas foram abertas em seus nomes.
A orientação é que idosos que frequentaram a loja a partir de agosto, principalmente aqueles que possuem conta no Banco Itaú, verifiquem suas movimentações bancárias.
Familiares também são orientados a ajudar na conferência, principalmente quando o idoso tem dificuldade para utilizar aplicativos bancários.
A Polícia Civil recomenda ainda verificar junto à instituição Crediwalk se existe alguma conta aberta em nome e CPF da pessoa.
“Quem visitou essa loja, idosos que visitaram essa loja a partir de agosto, principalmente os que têm conta no Banco Itaú, a gente aconselha que os familiares verifiquem”, orientou Thiago.

Investigação continua
A Polícia Civil ainda pretende identificar outros possíveis participantes do esquema. Uma das linhas de investigação envolve pessoas que poderiam ser responsáveis por sacar os valores transferidos entre as contas.
Segundo o delegado, há informações de que os próprios integrantes não realizavam necessariamente os saques. Eles poderiam repassar essa tarefa a outra pessoa, que também será investigada.
“As diligências vão continuar para ver se realmente esse indivíduo que sacava o dinheiro não é um deles, para poder também ser sancionado pelos crimes”, afirmou.
A operação investiga crimes de furto mediante fraude contra idosos, falsidade ideológica, associação criminosa e lavagem de dinheiro.
O OBemdito não conseguiu contato com a defesa dos envolvidos até a publicação desta matéria. O espaço permanece aberto para manifestações e esclarecimentos dos advogados.
Denúncias
A Polícia Civil reforça a importância da colaboração da população no combate à criminalidade. Informações que possam contribuir com a investigação podem ser repassadas de forma segura e sigilosa.
Denúncias podem ser feitas pelo 197, pelo telefone da Delegacia de Umuarama, (44) 3621-2650, ou pelo WhatsApp (44) 99734-4139. Também é possível utilizar o Disque-Denúncia 181, com garantia de sigilo.
(Com informações da Polícia Civil do Paraná e imagens de Danilo Martins/OBemdito)
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