De volta à luta contra a leucemia, Caroline espera por um novo começo após transplante
Em 2024, Caroline da Silva Barrada que reside na cidade de Ivaté, viveu uma das fases mais difíceis de sua vida. Diagnosticada com leucemia, ela precisou enfrentar meses de tratamento e viu sua história chegar a muitas pessoas de Umuarama e região.
Naquele período, o OBemdito publicou uma reportagem pedindo doações de sangue para Caroline. A mobilização também foi acompanhada por pedidos de oração pela recuperação dela. Leia a matéria de 2024 abaixo:
Caroline conseguiu vencer aquela primeira batalha. O tratamento terminou em novembro de 2024 e ela entrou em remissão. Por alguns meses, pôde respirar aliviada e acreditar que aquela história havia ficado para trás.
Mas, em fevereiro deste ano, a doença voltou. O diagnóstico trouxe novamente o medo, mas também exigiu que Caroline encontrasse forças para começar outra luta.
Desta vez, o caminho seria ainda mais longo. Depois de novos tratamentos, exames e muita espera, surgiu uma possibilidade que poderia mudar tudo: um doador compatível para o transplante de medula óssea.

Uma nova chance chegou de longe
Nenhuma pessoa da família de Caroline apresentou compatibilidade para a doação. Por isso, os médicos colocaram os dados dela no Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea, o Redome.
Em agosto, veio a notícia que Caroline esperava. Uma doadora não aparentada havia sido encontrada e apresentava compatibilidade de 100%. A doadora é uma mulher brasileira de 31 anos. Caroline ainda não sabe seu nome e nunca conversou com ela, mas já guarda uma enorme gratidão por aquela pessoa.
Pelas regras do processo, as duas só poderão se conhecer depois de um ano e meio. Mesmo assim, Caroline diz que já pensava nela antes mesmo de receber a medula. “Ela devolveu minha vida e a esperança pra mim é toda minha família, quero muito um dia encontrá-la pra agradecer”, contou.
Para Caroline, a doação representa muito mais do que um procedimento médico. Ela enxerga naquele gesto uma nova oportunidade para continuar vivendo e estar perto das pessoas que ama. “Um simples gesto dela me devolveu a vida”, afirmou.

Isolamento e esperança
Caroline foi internada no Hospital de Clínicas de Curitiba no dia 31 de agosto. Desde então, permanece em isolamento para cumprir todas as etapas necessárias para o transplante.
Ela passou por quimioterapias e recebeu medicamentos imunossupressores. O tratamento exige muito do corpo e também da mente, especialmente durante os dias de isolamento.
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No dia 10 de setembro, finalmente chegou o momento pelo qual Caroline e sua família tanto esperavam. Ela recebeu a nova medula.
Agora, começa outra espera. Caroline aguarda a chamada “pega”, momento em que as células da doadora começam a produzir novas células sanguíneas saudáveis.
A previsão é que ela permaneça cerca de 30 dias internada e em isolamento. Enquanto isso, cada pequena evolução representa uma nova esperança.
Redes sociais ajudam a enfrentar a distância
Durante os dias no hospital, Caroline encontrou nas redes sociais uma maneira de se aproximar das pessoas que ama. Ela passou a compartilhar sua rotina e os sentimentos provocados por essa nova etapa.
Contar o que está vivendo também se tornou uma forma de ocupar a cabeça durante o isolamento. Para Caroline, o celular ajuda a diminuir um pouco a saudade da família e dos amigos.
“Compartilhar isso está me fazendo muito bem, porque ocupa meu tempo e o celular me aproxima das pessoas que eu amo. Dá pra matar um pouco a saudade”, relatou.
Mas existe outro motivo para Caroline dividir sua história. Ela quer que sua experiência ajude outras pessoas a conhecerem a importância da doação de medula óssea.
Ela espera que sua história incentive novos cadastros de possíveis doadores. Para Caroline, se o relato conseguir ajudar outra pessoa, todo o esforço terá valido a pena.
“Penso que tenho oportunidade de ajudar muitas pessoas que estão passando por isso e também levar essa informação para conseguir mais doadores de medula óssea”, afirmou.
A força das orações
A história de Caroline também carrega uma lembrança especial de 2024. Quando enfrentou a primeira fase da leucemia, ela recebeu mensagens, orações e carinho de pessoas que sequer conhecia.
Agora, durante uma nova batalha, ela voltou a sentir essa corrente de apoio. As mensagens continuam chegando enquanto ela permanece internada em Curitiba.
Caroline faz questão de agradecer a cada pessoa que dedicou uma oração por sua recuperação. Para ela, esse carinho tem um significado especial nos dias mais difíceis.
“Eu agradeço todas as orações, pois eu sinto essa força de todas as orações que venho recebendo”, disse.
A jovem ainda não sabe exatamente quando poderá deixar o hospital. Por enquanto, sua atenção está voltada para a recuperação e para o momento em que a nova medula começar a funcionar.
Depois de enfrentar a leucemia, entrar em remissão, receber um novo diagnóstico e passar por outro tratamento, Caroline chegou a uma nova etapa.
Agora, ela espera pela “pega” da medula com a esperança de que esse seja o começo de um novo capítulo. Uma história que começou com medo, passou pela dor e hoje é contada por Caroline com fé, gratidão e esperança.
Como se cadastrar para ser doador
Podem se cadastrar pessoas entre 18 e 35 anos, em boas condições de saúde e sem doenças impeditivas. O procedimento exige apenas a coleta de cinco mililitros de sangue para o exame de histocompatibilidade (HLA) e pode ser feito presencialmente em hemocentros ou pelo aplicativo oficial do Redome.
O Brasil possui um dos maiores bancos de doadores voluntários de medula óssea do mundo. Quando um paciente precisa de transplante, o sistema compara as características genéticas cadastradas para localizar um possível doador. Se houver compatibilidade, o voluntário é chamado para novos exames e avaliação clínica antes da doação.
É fundamental manter os dados cadastrais atualizados. Dessa forma, o Redome consegue localizar rapidamente o doador caso ele seja a única esperança de tratamento para um paciente.
Caroline ainda tem muitos sonhos para realizar e uma vida inteira pela frente. Por isso, enquanto espera, ela segue fazendo planos para o dia em que poderá sair pela porta do hospital e retomar aquilo que a doença interrompeu.
Até lá, cada mensagem recebida, cada oração e cada demonstração de carinho ajudam a tornar a espera um pouco mais leve. Para quem acompanha sua história, fica também a expectativa pelo próximo capítulo, desta vez escrito com a esperança de dias melhores.
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