Paraná registra aumento de 28% na incidência de raios em 2026, aponta Simepar
O Paraná registrou 596.015 raios nuvem-solo entre janeiro e agosto de 2026, número 28% maior que o observado no mesmo período de 2025, quando foram contabilizadas 466.631 descargas. O levantamento é do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar).
Os dados consideram apenas os raios que atingem o solo e foram registrados pela rede de sensores mantida pelo Simepar em diferentes regiões do Estado. As descargas que ocorrem dentro das próprias nuvens não entram na contagem.
Quando o número absoluto de ocorrências é considerado, Guaraqueçaba lidera o levantamento, com 14.202 raios registrados até agosto. Na sequência aparecem Guarapuava, com 11.087; Guaratuba, com 10.693; Tibagi, com 8.055; e Cascavel, com 7.664.
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O Simepar ressalta, porém, que esse tipo de comparação favorece municípios de maior extensão territorial. Por isso, outra forma de analisar os dados é considerar a quantidade de raios proporcionalmente à área de cada cidade.
Litoral concentra maior densidade
Nesse critério, os municípios do Litoral do Paraná aparecem nas primeiras posições. Guaratuba teve a maior densidade, com 10.693 raios e média mensal de 8 ocorrências por quilômetro quadrado.
Pontal do Paraná aparece em seguida, com 1.433 raios e densidade mensal de 7,2 por km². Guaraqueçaba registrou 14.202 raios, com 7,1 por km². Também estão entre as maiores densidades Matinhos, com 731 raios e 6,2 por km², e Morretes, com 4.125 raios e 6,1 por km².
A maior concentração no Litoral está relacionada, segundo o Simepar, às características naturais da região. A presença da Serra do Mar, combinada ao ambiente úmido e abafado da baixada litorânea, favorece a formação de nuvens de tempestade e, consequentemente, a ocorrência de raios.
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Agosto teve um dos dias mais ativos do ano
Um dos episódios de maior atividade elétrica de 2026 ocorreu em 31 de agosto, quando os sensores do Simepar registraram 37.501 raios nuvem-solo em apenas 24 horas.
Para efeito de comparação, em um dia considerado típico de tempestades com ocorrência de raios em diferentes regiões do Paraná, são registrados entre 5 mil e 15 mil raios. O Simepar aponta que, em média, apenas seis dias por ano ultrapassam a marca de 30 mil descargas.
O levantamento histórico mostra que o fenômeno pode alcançar números ainda maiores. Entre janeiro de 2000 e agosto de 2026, o recorde diário ocorreu em 23 de outubro de 2012, quando foram registrados 210.394 raios nuvem-solo no Paraná.
O ano de 2015 permanece como o de maior incidência no período analisado, com 2.843.872 raios. Em 2012, foram 2.773.576 descargas, segundo o Simepar.
Dados não indicam tendência de longo prazo
Apesar do aumento observado em 2026 em relação ao ano passado, o Simepar ressalta que os estudos de longo prazo ainda não apontam de forma contundente para um aumento na frequência ou na intensidade dos raios.
A atividade elétrica da atmosfera depende de diferentes fatores. Além das condições meteorológicas e climáticas, também há influência de fatores externos à atmosfera, como os ciclos de atividade solar.
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No recorte de 2000 a 2025, os anos com maior incidência ficaram concentrados entre 2012 e 2015, período que reúne alguns dos maiores volumes registrados pela série histórica.
Rede acompanha raios em tempo real
O monitoramento é feito por uma rede de sensores instalados pelo Simepar em pontos estratégicos do Paraná. Os equipamentos estão em Paranaguá, Castro, União da Vitória, Andirá, Pato Branco e Paranavaí.
Os sensores detectam as perturbações eletromagnéticas provocadas pelas descargas atmosféricas. Quando um raio ocorre, os sinais captados são enviados para uma central de processamento.
A partir da combinação das informações registradas por diferentes sensores, o sistema consegue determinar a localização do raio, além de informações como data, horário, intensidade e outros parâmetros. O processamento ocorre em aproximadamente 30 segundos após a ocorrência.
Essas informações permitem aos meteorologistas acompanhar a atividade elétrica das tempestades praticamente em tempo real.
Os dados dos raios são analisados em conjunto com informações dos radares meteorológicos, satélites e outros sistemas de observação. O monitoramento auxilia a tomada de decisões da Defesa Civil do Paraná e também é utilizado por setores como o elétrico e de óleo e gás.
(Com informações do Simepar)
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