Trecho de 38 quilômetros entre Serra dos Dourados e Cruzeiro do Oeste recebe investimento de R$ 343 milhões; Zeca Dirceu acompanha a construção da rodovia desde 2005 - Foto: acervo
Foram anos de reuniões, cobranças, projetos, recursos, mudanças de responsabilidade e acompanhamento de obra. Agora, a cena que por muito tempo parecia distante está acontecendo no Noroeste do Paraná: máquinas trabalham na construção dos 38 quilômetros que faltavam para completar a Estrada Boiadeira, entre Serra dos Dourados, em Umuarama, e Cruzeiro do Oeste.
Para o deputado federal Zeca Dirceu (PT-PR), que acompanha a história da rodovia desde 2005, quando ainda era prefeito de Cruzeiro do Oeste, o momento representa uma etapa que foi construída ao longo de mais de duas décadas. A própria trajetória da obra ajuda a explicar a insistência: os primeiros trechos avançaram ainda no início dos anos 2010, outros foram concluídos posteriormente, e o segmento entre Serra dos Dourados e Cruzeiro do Oeste permaneceu como a última parte sem pavimentação.
“Eu comecei essa luta ainda como prefeito de Cruzeiro do Oeste. Foram muitos anos de reuniões em Brasília, conversas com ministros, com o DNIT e muita cobrança. A gente conseguiu tirar os primeiros trechos do papel, depois avançou em outros e nunca abandonou a parte que faltava”, lembra Zeca.
Em janeiro de 2011, já eleito deputado federal, Zeca Dirceu registrava que o trabalho iniciado em 2005 começava a produzir resultados. Naquele momento, a licitação de um dos trechos entre Cruzeiro do Oeste e Tuneiras do Oeste estava em andamento e outros lotes da rodovia também avançavam. Um ano depois, ele acompanhou as obras já em execução e cobrava do DNIT o andamento dos demais segmentos.
A pavimentação foi avançando por etapas. Em 2014, trechos entre Campo Mourão e Cruzeiro do Oeste já estavam concluídos ou em execução, enquanto a ligação entre Porto Camargo e Serra dos Dourados e o trecho final até Cruzeiro do Oeste ainda dependiam de novas etapas de contratação. Zeca Dirceu continuou acompanhando o processo mesmo depois de deixar a Prefeitura.
Segundo o próprio deputado, sua atuação envolveu três frentes principais: a articulação de cerca de R$ 102 milhões que permitiu a execução dos primeiros lotes; depois, a mobilização pela conclusão do trecho entre Porto Camargo, em Icaraíma, e Santa Eliza, em Umuarama; e, por fim, a inclusão da etapa final entre Serra dos Dourados e Cruzeiro do Oeste entre as prioridades do Novo PAC.
Leia também: Após anos de espera, máquinas estão prontas para iniciar último trecho da Estrada Boiadeira
A última etapa exigiu ainda outro caminho. O trecho entre Serra dos Dourados e Cruzeiro do Oeste precisava ser federalizado para que a União pudesse assumir integralmente a rodovia e executar a obra. Em 2024, a federalização avançou e o DNIT passou a ter condições de conduzir a implantação e pavimentação do lote final.
Naquele período, Zeca Dirceu já dizia que a conclusão estava próxima. Em audiência com o diretor-geral do DNIT, em julho de 2024, afirmou que a federalização era o último entrave para a execução do trecho. “Foi um passo muito importante no DNIT. É um sonho que se realiza, uma luta de muito tempo que vale todo o esforço para que a conclusão da pavimentação saia do papel e vire realidade”, declarou.
O passo seguinte foi a inclusão da obra no Novo PAC. Em março de 2026, o Governo Federal autorizou o início dos serviços no lote 2A da BR-487. São 38 quilômetros entre o km 56,41, em Serra dos Dourados, e o km 93,80, em Cruzeiro do Oeste, com investimento de aproximadamente R$ 343 milhões.
“Eu, particularmente, estou muito emocionado. Lutamos por décadas pela pavimentação da Boiadeira. Agora estou participando da assinatura dos serviços dos 38 quilômetros que faltavam para concluir esta importante rodovia”, afirmou Zeca na assinatura da ordem de serviço.
A diferença em 2026 é que a discussão deixou de ser sobre quando a obra começaria. Ela já está acontecendo. O projeto prevê terraplenagem, implantação das camadas de sub-base e base, drenagem, pavimentação e sinalização, além de estruturas necessárias ao longo do percurso. O DNIT informa atualmente que o empreendimento está em fase de execução e prevê a conclusão dos trabalhos até dezembro de 2026.
“Ver as máquinas trabalhando é diferente de anunciar uma obra. É diferente porque durante muitos anos nós tivemos que explicar por que a Boiadeira era importante e superar os obstáculos. Agora o trabalho está acontecendo. E vamos continuar acompanhando até a conclusão”, afirma Zeca Dirceu.
Quando o último trecho estiver concluído, a BR-487 estará com sua ligação consolidada entre o Noroeste paranaense e o Mato Grosso do Sul, formando um corredor importante para o transporte de soja, milho, cana-de-açúcar, carne bovina e outros produtos agroindustriais até os mercados consumidores e os portos do Sul, especialmente Paranaguá.
O efeito mais concreto aparece na distância. A conclusão da Boiadeira reduzirá em aproximadamente 80 quilômetros o deslocamento entre Naviraí (MS) e Paranaguá e em cerca de 30 quilômetros o trajeto entre Icaraíma e Cruzeiro do Oeste. Para agricultores, transportadores, cooperativas e empresas, isso significa uma rota mais direta para a circulação de cargas. Para os moradores, significa também uma ligação pavimentada entre municípios que já mantêm relações econômicas e sociais.
A estrada também já começa a produzir efeitos econômicos antes mesmo de estar totalmente concluída. Em Cruzeiro do Oeste, por exemplo, um empreendimento de distribuição de combustíveis foi instalado às margens da rodovia, aproveitando a nova conexão logística. O município também registra movimentação de trabalhadores e serviços associados às obras.
“Essa estrada é importante para quem produz, para quem transporta e para quem vive no Noroeste. Ela reduz distâncias, melhora o transporte e cria condições para novos investimentos. Tenho orgulho de ter acompanhado essa luta desde 2005 e de chegar agora ao momento em que o último trecho está sendo construído”, concluiu Zeca Dirceu.
Fotos: acervo
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