Prova de reconhecimento: Abraão Hachicho diante das telas que fazem parte da Bienal. - Foto: Jair Rodrigues
O artista plástico umuaramense Abraão Hachicho viveu na sexta-feira (18) um daqueles momentos que ajudam a dimensionar uma trajetória construída ao longo de décadas.
Aos 80 anos, ele abriu sua exposição individual no Museu do Expedicionário, em Curitiba, como parte da programação oficial da 16ª Bienal Internacional de Curitiba. A abertura reuniu familiares e foi prestigiada por artistas da Capital e pelo diretor do Museu, Coronel Said Zendim.
Durante a cerimônia, Hachicho fez uso da palavra e falou sobre a satisfação de ver seu trabalho reconhecido e de participar de um evento de projeção internacional. Também relembrou passagens de sua trajetória como pintor, iniciada ainda na adolescência.
O momento representa um novo capítulo na carreira de um artista que começou a pintar aos 13 anos e acumula mais de seis décadas dedicadas ao óleo sobre tela. Em Umuarama, onde vive desde 1968, Hachicho construiu uma obra fortemente ligada à memória e à identidade da cidade. Agora, leva esse olhar para outro território da história brasileira.
“Eu nunca imaginei que, aos 80 anos, estaria participando de uma Bienal Internacional. Estou muito feliz e muito agradecido por esse reconhecimento. É uma sensação que vou levar para o resto da minha vida”, disse Hachicho, no púlpito de uma das maiores exposições de artes da América Latina.
No Museu do Expedicionário, Hachicho apresenta telas que retratam equipamentos, cenários e momentos relacionados à participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial, com destaque para os pracinhas da Força Expedicionária Brasileira (FEB).
A escolha do tema estabelece uma relação direta com o próprio espaço que abriga a mostra, dedicado à preservação da memória dos brasileiros que participaram da guerra.
A exposição também amplia o repertório conhecido do artista. Hachicho ganhou notoriedade em Umuarama especialmente pelas pinturas que registram paisagens, personagens e cenas do cotidiano das décadas de 1950 e 1960, período que acompanhou de perto e que transformou em memória visual por meio da pintura.
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A chegada à Bienal de Curitiba está ligada ao projeto ‘Primitivo’, exposição itinerante que levou o trabalho de Hachicho a diferentes cidades paranaenses.
O projeto, proposto pela artista Daniela Soares, e curadoria do artista Luiz Carlos Brugnera, de Cascavel, foi aprovado pela Secretaria de Estado da Cultura do Paraná, com recurso da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura.
A mostra reuniu mais de 50 obras e passou por Cascavel, Foz do Iguaçu, Ponta Grossa e Curitiba, encerrando o circuito no Museu Alfredo Andersen, na Capital.
Foi nesse percurso que o trabalho do artista ganhou a visibilidade que o levou à programação oficial da Bienal, com a articulação, também, do casal cascavelense.
A participação atual, portanto, não surgiu isoladamente, mas como desdobramento de um projeto que apresentou sua pintura a novos públicos no Paraná.
“Não fui atrás, não articulei nada… Fui escolhido para essa exposição e isso me deixa muito feliz”, afirmou Hachicho quando soube da seleção para a Bienal.
Meses depois, a frase ganhou um cenário concreto: o próprio artista diante de suas obras, em Curitiba, falando sobre o reconhecimento recebido e sobre uma trajetória que começou há mais de 60 anos.
Natural de Viçosa, em Alagoas, Hachicho chegou a Umuarama em 1968, aos 22 anos. Desde então, construiu na cidade sua vida e também grande parte de sua produção artística.
Centenas de quadros levam sua assinatura. Muitos deles retratam a Umuarama das décadas de 1950 e 1960, com ruas, paisagens e cenas do cotidiano que hoje também funcionam como registros de uma cidade em transformação.
Em 2018, o vínculo construído com o município foi reconhecido com o título de Cidadão Honorário de Umuarama.
“Pinto com a alma de quem ama sua terra”, disse o artista em entrevista anterior ao OBemdito. A frase ajuda a explicar uma obra que, mesmo quando muda de tema, mantém a preocupação com a memória. Se antes Hachicho registrava em telas a história de sua cidade, agora dedica seu trabalho à memória dos brasileiros que foram à guerra.
Aos 80 anos, ele chega à Bienal com mais de seis décadas de pintura no currículo e uma nova exposição para acrescentar à trajetória. Desta vez, em Curitiba, diante de artistas e de um público que conhece seu trabalho por uma história contada em cores, traços e memórias.
== A exposição ‘Hachicho – Uma homenagem aos Expedicionários Brasileiros – segue até o dia 26/10/2026. Acompanhe Abraão Hachicho no instagram.com/hachichoartes/
(Com fotos de Jair Rodrigues)
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