Foto ilustrativa.
A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) apontou risco de influência ou interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras de 2026. A avaliação consta em um relatório reservado encaminhado no fim de agosto à Presidência da República, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Ministério da Justiça.
O conteúdo do documento foi revelado inicialmente pela Folha de S.Paulo e posteriormente confirmado pela TV Brasil. Segundo as informações divulgadas, a Abin atribui um “nível de criticidade” à possibilidade de interferência externa e aponta uma tendência de aumento da pressão dos Estados Unidos sobre o Brasil.
O alerta, contudo, não significa que uma interferência nas eleições já tenha sido constatada. Segundo informações publicadas sobre o documento, integrantes do TSE afirmam que, até o momento, não foram identificados sinais concretos de influência externa sobre o processo eleitoral.
Na avaliação atribuída à inteligência brasileira, a reafirmação da hegemonia dos Estados Unidos na América Latina está entre as prioridades do segundo governo de Donald Trump.
O relatório relaciona essa estratégia à tentativa de reduzir a influência de potências consideradas rivais por Washington, especialmente a China, e limitar o acesso desses países a ativos estratégicos, riquezas naturais e infraestrutura na região.
A Abin também avalia que as ações norte-americanas em relação ao Brasil se intensificaram nos últimos meses. O documento menciona medidas econômicas, políticas e sanções adotadas pelos Estados Unidos como elementos considerados na análise sobre a pressão exercida contra o país.
Entre os episódios recentes estão tarifas impostas a produtos brasileiros. Em julho deste ano, os Estados Unidos anunciaram uma sobretaxa de 25% que atingiu parte das exportações brasileiras. Posteriormente, outra tarifa, de 12,5%, foi aplicada a determinados produtos.
As tensões comerciais e políticas ocorrem paralelamente às negociações diplomáticas entre os dois países. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump já se encontraram e conversaram por telefone durante o atual mandato do norte-americano.
O encontro presencial mais recente ocorreu em maio, em Washington. Na ocasião, os dois governos acertaram a criação de uma mesa de negociação para tratar das divergências comerciais.
Lula e Trump estarão novamente em Nova York nesta terça-feira (22), durante a 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas. Pelo protocolo da Assembleia, o presidente brasileiro fará a abertura do Debate Geral e será seguido pelo presidente dos Estados Unidos.
Até o momento, porém, não há encontro bilateral marcado entre os dois presidentes durante a passagem por Nova York.
(Com informações Agência Brasil)
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