Cotidiano

Quatro vereadores de Xambrê divulgam nota de repúdio após prisão de presidente da Câmara

Quatro vereadores de Xambrê divulgaram nesta sexta-feira (11) uma nota pública de repúdio após a prisão preventiva do presidente interino da Câmara Municipal, Edinalvo Lima Venturi, durante a Operação Gomorra, deflagrada pelo Gaeco e pela Polícia Civil para investigar possíveis crimes sexuais envolvendo adolescentes.

Assinam o documento Elton Barbosa dos Santos, José Uilson da Cunha, Laudemir Jardim e Osair de Almeida Pereira. Os parlamentares afirmam que repudiam os fatos recentemente divulgados e qualquer prática de natureza sexual envolvendo crianças ou adolescentes.

A nota, porém, ressalta que as acusações ainda precisam ser apuradas pelas autoridades competentes. Os vereadores destacam os princípios do contraditório, da ampla defesa e da presunção de inocência.

LEIA TAMBÉM: Presos em Xambrê aliciavam apenas adolescentes do sexo masculino, aponta Gaeco

Vereadores dizem repudiar qualquer crime contra menores

No documento, os quatro parlamentares afirmam que acusações dessa natureza devem ser tratadas com “máxima seriedade, responsabilidade e respeito”.

Os vereadores também dizem repudiar “qualquer prática de natureza sexual envolvendo crianças ou adolescentes”, além de condutas que atentem contra a dignidade, a integridade e a proteção de menores.

A manifestação ocorre no mesmo dia em que a Polícia Civil e o Gaeco detalharam a investigação durante coletiva na sede do Ministério Público do Paraná (MPPR), em Umuarama.

Presidente da Câmara está entre os presos

Edinalvo Lima Venturi foi preso preventivamente nesta sexta-feira, junto com Pedro Henrique da Silva Mota, que ocupava o cargo de secretário municipal de Cultura de Xambrê. Pedro foi exonerado pela Prefeitura nesta sexta-feira, conforme a Portaria nº 096/2026.

A investigação identificou, até o momento, 16 potenciais vítimas, todas do sexo masculino e com idades entre 13 e 17 anos, segundo o delegado do Gaeco Matheus Prado Amui Rodrigues.

Durante a coletiva, o delegado explicou que os dois investigados agiam individualmente, embora compartilhassem informações sobre os adolescentes e também conteúdos entre si.

Um dos investigados usava atividade religiosa para aproximação

Matheus afirmou que um dos investigados utilizava a atividade eclesiástica exercida em uma instituição religiosa para se aproximar de adolescentes.

Segundo o delegado, esse contato posteriormente migrava para as redes sociais. A investigação aponta que os adolescentes eram convencidos a produzir e enviar conteúdos íntimos mediante promessa de dinheiro ou outras vantagens.

A polícia também informou que os materiais eram armazenados pelos investigados para uso pessoal e compartilhados entre eles. Até o momento, a investigação não aponta que os dois tenham realizado conjuntamente as abordagens.

Investigação começou após análise de celular

A Operação Gomorra teve origem em elementos encontrados durante a análise de materiais apreendidos na Operação Res Privata, deflagrada pelo Gaeco em março deste ano.

De acordo com Matheus, um dos atuais investigados já havia sido alvo daquela operação. Durante a perícia realizada em seu celular, os investigadores encontraram conversas que levaram à nova investigação. As conversas analisadas começam no início de 2021 e seguem até, pelo menos, o fim de 2025.

Nota cita respeito à população de Xambrê

No documento divulgado nesta sexta, os quatro vereadores afirmam que a população de Xambrê merece “respeito, transparência, responsabilidade e seriedade”, especialmente diante da repercussão do caso.

Ao final, os parlamentares reafirmam compromisso com a proteção integral de crianças e adolescentes, com a dignidade humana e com o respeito às instituições públicas.

A nota também manifesta confiança de que os fatos sejam esclarecidos pelas autoridades responsáveis pela investigação.

Além das duas prisões preventivas, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão e dois de busca pessoal. Uma terceira pessoa foi presa em flagrante por posse ilegal de munições.

Os celulares, documentos e anotações apreendidos serão analisados pelos investigadores. A polícia também trabalha com a possibilidade de identificar novas vítimas.

O OBemdito tenta contato com a defesa dos dois investigados. O espaço permanece aberto para manifestação dos advogados.

Rudson de Souza

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