Medicamento usado para disfunção erétil foi encontrado durante a apreensão realizada no curso da investigação (Foto MPPR)
Um dos investigados presos em Xambrê usava a atividade exercida em uma instituição religiosa para se aproximar de adolescentes, segundo o delegado do Gaeco Matheus Prado Amui Rodrigues. A informação foi revelada durante coletiva realizada nesta sexta-feira (11), na sede do Ministério Público do Paraná (MPPR), em Umuarama.
O foco da investigação está em possíveis crimes de exploração sexual, importunação sexual e produção e armazenamento de conteúdo de violência sexual envolvendo crianças e adolescentes.
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Participaram da coletiva o promotor Guilherme Franchi, coordenador do Gaeco de Umuarama, e os delegados Matheus Prado Amui Rodrigues, do Gaeco, e Thiago Araium Pinheiro, da 7ª Subdivisão Policial de Umuarama.
Segundo Matheus, um dos investigados se valia da atividade eclesiástica exercida em uma instituição religiosa para se aproximar de adolescentes.
O delegado afirmou que o contato começava nesse ambiente e, posteriormente, passava para as redes sociais. A investigação aponta que, nesses contatos, os adolescentes eram convencidos a produzir e enviar conteúdos íntimos.
“Ele se valia disso para se aproximar de adolescentes ali da sua localidade.” Ainda segundo Matheus, o investigado também utilizava a atividade funcional exercida junto à secretaria do município para estabelecer contato com adolescentes.
A partir das conversas pelas redes sociais, conforme o delegado, eram oferecidos dinheiro ou outras vantagens. “Eles aliciavam esses adolescentes por meio das redes sociais e ali, com persuasão, convenciam esses adolescentes a fornecer, registrar, eles próprios registravam e enviavam esse material para os investigados.”
A análise das conversas permitiu identificar, até o momento, 16 potenciais vítimas. Durante a coletiva, Matheus esclareceu que todas as vítimas identificadas são do sexo masculino e têm entre 13 e 17 anos.
Segundo ele, até agora não foi identificada nenhuma vítima com menos de 12 anos. As conversas analisadas pela polícia começam no início de 2021 e seguem até, pelo menos, o fim de 2025.
Ainda não foi possível estabelecer quantas vítimas tiveram contato com o investigado por meio da atividade religiosa ou da atuação pública. Segundo Matheus, os adolescentes deverão ser ouvidos posteriormente em depoimento especial.
O delegado afirmou que os dois investigados não agiam diretamente juntos nas abordagens. Cada um mantinha sua própria atuação, mas havia troca de informações sobre os adolescentes e compartilhamento de materiais entre eles.
“Tudo indica que eles agiam individualmente, mas compartilhavam informações a respeito dessas vítimas.” Segundo Matheus, a análise das conversas também revelou que os investigados estavam constantemente em busca de novas vítimas. “Eles tinham essa conduta predatória, estavam sempre em busca de novas vítimas.”
Durante a coletiva, o delegado explicou ainda que os investigados armazenavam os conteúdos para uso pessoal e também compartilhavam os materiais entre si.
Segundo a apuração, os adolescentes eram convencidos pelas redes sociais a registrar e enviar os conteúdos aos investigados. Os celulares apreendidos na Operação Gomorra serão submetidos a novas análises.
A apuração começou a partir de provas encontradas durante a análise de materiais apreendidos na Operação Res Privata, deflagrada pelo Gaeco em 4 de março de 2026.
Segundo Matheus, um dos atuais investigados havia sido alvo daquela operação. O aparelho celular apreendido com ele passou por análise pericial.
Foi durante esse trabalho que surgiram conversas relacionadas a possíveis crimes contra adolescentes de Xambrê e região. “Ali vieram à tona as provas relativas a esses crimes contra a dignidade sexual de adolescentes do município de Xambrê e região.”
A partir das informações encontradas no aparelho, os investigadores identificaram as potenciais vítimas e reuniram elementos que fundamentaram os pedidos de prisão preventiva e das demais medidas judiciais.
A Operação Gomorra cumpriu dois mandados de prisão preventiva, três mandados de busca e apreensão e dois mandados de busca pessoal em Xambrê.
Foram presos Edinalvo Lima Venturi, presidente interino da Câmara Municipal de Xambrê, e Pedro Henrique da Silva Mota, que ocupava o cargo de secretário municipal de Cultura.
Pedro foi exonerado do cargo nesta sexta-feira (11), conforme a Portaria nº 096/2026, assinada pelo prefeito Décio Jardim. Durante o cumprimento dos mandados, uma terceira pessoa foi presa em flagrante por posse ilegal de munições.
Também foram apreendidos documentos, anotações e celulares. O material será periciado e analisado durante o andamento da investigação.
Na abertura da coletiva, Guilherme Franchi explicou que a ação foi realizada pelo Gaeco em conjunto com a Polícia Civil do Paraná. Segundo o promotor, foram cumpridos dois mandados de prisão preventiva, três de busca e apreensão e dois de busca pessoal.
Franchi afirmou que a investigação apura crimes de exploração sexual de crianças e adolescentes, além de armazenamento e produção de fotografias e filmagens de crianças e adolescentes em situação de violência sexual.
O delegado Matheus afirmou que a prisão dos investigados pode levar outras vítimas e testemunhas a procurar as autoridades. Segundo ele, a influência exercida pelos investigados poderia ter dificultado anteriormente a revelação de outras situações.
“Provavelmente outras vítimas não identificadas poderão surgir a partir de agora.” Os celulares e demais materiais apreendidos serão novamente analisados pela polícia. O objetivo é identificar novas informações relacionadas aos fatos investigados.
A apuração continua para esclarecer as condutas e verificar a existência de outras possíveis vítimas ou envolvidos. Os dois presos são investigados e permanecem à disposição da Justiça. As acusações ainda estão sob investigação e não representam condenação.
Como a Operação Gomorra ainda está em andamento, o OBemdito tenta contato com a defesa de Edinalvo Lima Venturi e Pedro Henrique da Silva Mota. O espaço permanece aberto para manifestação dos advogados.
(Com informações do Gaeco/MPPR)
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