Umuarama

A emocionante alta da pequena Malu após 94 dias no hospital em Umuarama

Maria Luiza Bóis Matimoto chegou ao mundo antes do tempo, mas encontrou pelo caminho uma sucessão de cuidados, fé e esperança. Aos 103 dias de vida, a pequena Malu já carrega uma trajetória que começou em 15 de maio, quando nasceu com apenas 29 semanas de gestação.

A antecipação do parto ocorreu depois que a mãe, Gabriela Bruna Bóis Matimoto, enfrentou uma pré-eclâmpsia refratária ao tratamento. As primeiras alterações na pressão arterial haviam aparecido por volta da 24ª semana e foram controladas com medicamentos por algum tempo.

Uma consulta de rotina no sexto mês trouxe uma nova preocupação. A obstetra Ceres Giacometti identificou restrição de crescimento e queda no percentil da bebê, preparando a família para a possibilidade de um parto prematuro.

Maria Luiza foi batizada pelo Dom Frei Mamede Filho durante os primeiros dias de vida, em um momento de fé e significado para a família

A intenção era tentar levar a gestação até 34 semanas, mas Gabriela precisou ser internada quando estava com 28 semanas. Durante cinco dias, foram adotadas medidas para controlar a pressão, sem que o resultado esperado fosse alcançado.

Diante da situação, os médicos precisaram realizar uma cesárea de emergência, e Maria Luiza nasceu com 29 semanas.

Uma rotina de incertezas na UTI

Os primeiros dias foram especialmente difíceis para Phelipe Hydemy Saquetti Matimoto, o pai, e Gabriela. A cada visita, havia novas informações, possibilidades e mudanças no quadro da filha, fazendo os pais questionarem se a veriam novamente.

Maria Luiza passou os primeiros dias de vida na incubadora, sob cuidados da equipe médica durante a longa permanência no hospital

Foi nesse período que aprenderam a viver a internação sem tentar antecipar o dia seguinte. “Os primeiros dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) foram desafiadores. Nós tínhamos a coragem de dar um passo com a confiança de que Deus nos daria o chão para pisar”, lembram.

Maria Luiza permaneceu 75 dias na UTI e depois passou outros 19 dias na Unidade de Cuidados Intensivos (UCI), totalizando 94 dias de internação. Para os pais, a melhora aconteceu continuamente, entre pequenas conquistas e novos desafios.

“É complicado dizer um momento que percebemos que ela estava melhorando, porque a luta de um prematuro é feita dia a dia, momento a momento”, relatam.

Pequena Maria Luiza segura o dedo do mãe, em um registro que revela a delicadeza dos seus primeiros dias de vida e o tamanho de sua mão diante da mão materna

A fé presente desde as primeiras horas

Com menos de duas horas de nascimento, Maria Luiza foi batizada por Dom Frei João Mamede Filho, em um momento especialmente significativo. Segundo os pais, a partir daquele momento, Malu evoluiu muito bem.

A fé, porém, não significou ignorar o medo ou as dificuldades. Para a família, esperança foi encontrar forças para acolher cada possibilidade, inclusive aquelas que não correspondiam ao que desejavam.

“O principal desafio é manter a esperança de que, com Deus, a vida sempre renasce. Não uma esperança vaga ou egoísta, mas abraçando tudo o que o Deus de eterna misericórdia nos concedesse”, afirmam.

Durante a gestação, Gabriela enfrentou oscilações na pressão arterial e, posteriormente, uma pré-eclâmpsia que não respondeu ao tratamento

O hospital virou uma extensão da casa

Ao longo de mais de três meses, o ambiente hospitalar passou a fazer parte da vida da família. Phelipe e Gabriela destacam o acolhimento da equipe do Hospital e Maternidade Norospar, que foi solícita, gentil e humanizada durante a internação.

Como a bebê precisou permanecer no hospital durante parte do período em que ainda deveria estar no ventre materno, eles enxergam nos profissionais uma continuidade desse cuidado.

A família encontra essa percepção nas palavras do Salmo 139, que fala sobre o ser humano ter sido tecido desde o ventre pelo Altíssimo.

Phelipe e Gabriela ao lado da pequena Maria Luiza, após 94 dias de internação, celebram a chegada da filha em casa

“Nós vemos toda a equipe do Norospar como uma continuação dessas mãos de Deus, pois ela precisou concluir seu desenvolvimento no hospital, cuidada e tecida pelas mãos de tantos profissionais”, dizem.

Aprender a lidar também com o medo

Na primeira visita à UTI, ouviram a orientação de que deveriam lutar como a filha, acompanhando a força de um bebê prematuro. A experiência também ensinou que não era necessário esconder os sentimentos difíceis.

Para a família, angústia, tristeza, sofrimento, agonia e dúvida precisavam ser reconhecidos e compartilhados com pessoas de confiança, capazes de ouvir sem julgamentos.

A mão da mãe segura delicadamente o pequeno pé de Maria Luiza, em um registro que traduz a delicadeza dos primeiros dias de vida da filha

“Quando os momentos de angústia, tristeza, sofrimento, agonia, dúvida baterem à porta, não tente maquiá-los ou escondê-los, fale a Deus o que vem ao seu coração”, aconselham.

Os pais também ressaltam a importância de conversar com alguém próximo e simplesmente ouvir como forma de apoio. “Até Jesus quis ser consolado, e foi. Como é bom ser e deixar ser consolado”, afirmam.

A alta que chegou sem aviso

Depois de tantos dias, a alta da UTI chegou de maneira inesperada, pois não existe uma data marcada com antecedência. Quando a equipe percebe a preparação da bebê, a família é comunicada, dependendo da evolução.

Depois de 94 dias de internação, Maria Luiza finalmente está em casa com os pais, cercada pelo carinho e pela alegria da família

Para Phelipe e Gabriela, a notícia trouxe uma mistura de sentimentos. Havia a alegria pela evolução da filha, mas também a insegurança diante de uma realidade diferente daquela vivida no hospital.

“Levar nossa pequena para casa era tão esperado e incerto, que não é possível descrever o misto de emoções”, contam.

No hospital, havia equipe disponível e monitoramento constante. Em casa, além das demandas de um recém-nascido, os cuidados passaram a depender diretamente dos pais, exigindo atenção ainda maior.

O retorno para casa trouxe à família a felicidade de finalmente viver ao lado de Maria Luiza os momentos tão esperados durante a longa jornada no hospital

Um reencontro esperado por 94 dias

A saída do hospital representou a chegada de Maria Luiza ao lugar que os pais esperaram durante toda a trajetória. Depois de 75 dias na UTI e 19 na UCI, Malu pôde seguir para casa com Phelipe e Gabriela.

A longa espera foi marcada por incertezas, orações, cuidados e pequenas conquistas que permitiram à família chegar a esse momento. A história da filha mudou a maneira como enxergam a esperança, que passou a representar a disposição para continuar acreditando e vivendo cada etapa.

E é dessa experiência que nasce a frase que sintetiza com tanta força os 94 dias de espera e a linda vitória da filha, ao lembrarem que “a esperança não decepciona, nunca decepciona!”

(Com imagens do arquivo da família Bóis Matimoto)

Rudson de Souza

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