Amigos relembram Rafael Furuyama, de 23 anos, encontrado morto com os pais em Curitiba, como um jovem alegre, inteligente, estudioso e prestativo - Foto: reprodução/redes sociais
As lembranças de amigos ajudam a revelar quem era Rafael Furuyama, de 23 anos. O jovem foi encontrado morto ao lado dos pais em um apartamento no bairro Água Verde, em Curitiba.
Amigos de infância e colegas da faculdade descrevem Rafael como uma pessoa alegre, inteligente e prestativa. Além disso, destacam sua dedicação aos estudos e o bom humor.
Rafael foi encontrado morto na tarde de terça-feira (25). Também morreram sua mãe, a médica pediatra Claudia Hitomi Shimada Furuyama, de 57 anos, e seu pai, Marcos Furuyama, de 58.
A Polícia Civil do Paraná continua investigando as circunstâncias e a motivação das mortes. Até o momento, a dinâmica do que ocorreu no apartamento não foi esclarecida.
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Para os amigos, Rafael deixou lembranças construídas ao longo de muitos anos. A amizade atravessou a época da escola e seguiu durante a vida universitária.
Rafael cursava Engenharia Mecatrônica na Universidade Tecnológica Federal do Paraná, a UTFPR. Um de seus amigos de infância era Juan Contreras, que o conheceu em 2009.
Os dois estudaram juntos durante mais de uma década. Segundo Juan, eles permaneceram na mesma turma até aproximadamente 2020.
“Ele sempre foi muito feliz, alegre”, relembrou o amigo.
Juan afirmou que conhecia a família de Rafael e frequentava sua casa. Os dois também costumavam sair juntos e jogar videogame.
“Conhecia a família, íamos juntos pro Santa Mônica, frequentava a casa dele pra jogar videogame e nunca notei nada estranho na relação familiar”, contou.
Segundo Juan, Rafael demonstrava grande dedicação aos estudos desde a adolescência. Os amigos chegaram a passar várias tardes na biblioteca da escola preparando-se para o vestibular.
“Se não me engano, passou na UTFPR logo de primeira. Ficávamos estudando após a aula na biblioteca da escola preparando pro vestibular”, lembrou Juan.
Para ele, porém, a alegria era a característica mais marcante do amigo. Rafael, segundo Juan, mantinha uma postura positiva mesmo nas situações cotidianas.
“Ele sempre foi muito feliz, alegre, tudo que possa imaginar”, afirmou.
Juan também se recorda de Claudia, mãe de Rafael. Segundo ele, a médica pediatra, algumas vezes, dava carona aos amigos depois das aulas.
“A mãe dele era médica e às vezes me dava carona depois da aula, sempre muito tranquila”, contou.
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As lembranças também são marcantes entre os colegas da UTFPR. Larissa Bialski conviveu com Rafael durante quatro anos no curso de Engenharia Mecatrônica.
Ela descreveu o amigo como alguém capaz de tornar os momentos difíceis mais leves. Segundo Larissa, Rafael fazia brincadeiras e conseguia deixar as pessoas mais à vontade.
“Ele sempre foi muito alegre, eu nunca vi o Rafa de mau humor. Ele era aquele tipo de pessoa que fazia qualquer um se sentir bem perto por causa das piadas que sempre fazia”, contou.
A amiga afirmou que a presença de Rafael mudava o clima dos dias mais difíceis. Assim, situações cansativas se tornavam mais divertidas quando ele estava por perto.
“Mesmo que o dia estivesse horrível, automaticamente se tornava divertido só de ter ele do lado”, disse.
Além do bom humor, Larissa destacou a inteligência e a dedicação do colega. Segundo ela, Rafael mantinha boas notas e tinha uma rotina constante de estudos.
“Ele era muito inteligente, as notas eram sempre muito boas, sempre estudava. Eu lembro de ter passado um tempo na biblioteca da faculdade estudando junto com ele.”
Larissa afirmou que Rafael demonstrava certa timidez ao conhecer pessoas novas. No entanto, ele rapidamente se soltava quando percebia abertura para conversar.
Entre as lembranças dos amigos também aparecem hábitos simples do cotidiano. Rafael gostava de jogar videogame e, segundo Larissa, também demonstrava interesse pela culinária.
Ele costumava preparar sua própria comida e levava marmita para comer durante o dia na faculdade. No entanto, os amigos dizem que as atitudes com outras pessoas marcaram ainda mais.
Uma dessas lembranças aconteceu no início do curso universitário. Na época, Larissa trabalhava no terceiro turno e seguia diretamente para a faculdade.
Em determinado dia, os dois chegaram ao campus cerca de duas horas antes da aula. Cansada, Larissa disse que tentaria dormir um pouco sentada no chão.
Havia alguns pufes espalhados pelo corredor, mas apenas um estava disponível. Rafael, então, pegou o assento e entregou para que a amiga pudesse descansar.
Depois disso, ele permaneceu sentado no chão ao lado dela até o início da aula. Para Larissa, o gesto resume a maneira como Rafael se relacionava com as pessoas.
“Eu lembro dele ter ido até o puff, pegado ele e entregado pra eu deitar em cima e ficado sentado ali no chão gelado do meu lado até o horário da aula”, contou.
Larissa afirmou que Rafael ajudava os amigos de forma espontânea. Segundo ela, ele não esperava reconhecimento ou qualquer tipo de retribuição.
“Ele fazia para ajudar, nunca pediu nada em troca.”
Outra lembrança envolve uma preocupação demonstrada por Rafael durante um período difícil vivido pela amiga. Larissa passava por uma série de exames e consultas.
Segundo ela, Rafael pediu que os documentos fossem impressos. A intenção era levá-los para sua mãe, que era médica pediatra, na tentativa de obter alguma orientação.
Embora Claudia atuasse na pediatria, Rafael acreditava que ela poderia contribuir de alguma maneira. Depois, ele devolveu os documentos com anotações no verso.
As informações incluíam sugestões que, segundo Larissa, poderiam ajudá-la. Para a amiga, a atitude reforçou uma característica constante da personalidade de Rafael.
“Ele fez pra ajudar, nunca pediu nada em troca”, contou Larissa.
A amiga também afirmou que Rafael mantinha boas relações com as pessoas. Durante os quatro anos de faculdade, ela disse não se lembrar de conflitos envolvendo o estudante.
Segundo Larissa, o relacionamento de Rafael com os amigos sempre foi positivo. Ela afirmou que o jovem era querido pelas pessoas que conviviam com ele.
“A relação com os amigos era ótima. Eu não conheço ninguém nesses quatro anos de faculdade que conhecia o Rafa e pudesse ter alguma inimizade ou coisa do tipo.”
“Ele era realmente uma pessoa incrível”, afirmou.
As lembranças dos amigos ajudam a construir um retrato de Rafael antes da tragédia. Ele era dedicado aos estudos, ligado aos amigos e conhecido pela disposição em ajudar.
Também gostava de videogames e demonstrava interesse por cozinhar. Acima de tudo, amigos recordam o jovem pelo bom humor e pela forma como tratava as pessoas.
A Polícia Civil do Paraná segue investigando o que ocorreu dentro do apartamento da família, no bairro Água Verde. A dinâmica das mortes e a motivação ainda não foram esclarecidas.
Os três corpos apresentavam ferimentos provocados por arma branca. Uma faca e um punhal foram recolhidos no imóvel e serão analisados pela perícia.
Além disso, os peritos devem avaliar as roupas das vítimas. Outros vestígios encontrados no apartamento também devem integrar o trabalho de investigação.
Com informações: Banda B
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