Entre grandes seleções, umuaramense ajuda a movimentar Mundial de Rugby; veja o vídeo
O Mundial de Rugby em Cadeira de Rodas terminou neste domingo (23), em São Paulo, mas a experiência vivida pelo umuaramense Guilherme Parro, de 34 anos, deve continuar por muito tempo. Durante uma semana, ele esteve nos bastidores da competição como attaché das seleções do Canadá e da França.
A função colocou Parro em contato direto com as duas delegações. Ele acompanhou deslocamentos, auxiliou na comunicação e ficou à disposição para resolver questões relacionadas a transporte, alimentação, horários e regras do campeonato.
“O trabalho é ficar à disposição das delegações, para o que eles pedirem, e tentar ajudar da melhor forma, dentro das regras”, resume.

Uma rotina de apoio às delegações
Na prática, o trabalho começou antes mesmo das partidas. Parro recebeu as equipes, acompanhou a rotina e ajudou em situações que iam desde traduções até informações sobre a estrutura do evento.
“Traduzir o que for preciso, dar informações de transporte, alimentação, regras da competição, onde achar isso, onde achar aquilo. Tudo isso faz parte”, conta.
A experiência, porém, foi facilitada pelo perfil das duas equipes. Canadá e França são seleções acostumadas a grandes competições e, segundo Parro, tinham bastante autonomia no dia a dia.
“As duas são potências paralímpicas e estão acostumadas com eventos de grande porte e com Mundiais. Isso ajudou muito”, afirma.

Um olhar privilegiado sobre o Centro Paralímpico
Entre as lembranças mais marcantes, Parro destaca a estrutura do Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro, onde foi realizado o Mundial.
O umuaramense produziu um vídeo sobre o local e mostrou parte da estrutura da chamada Vila Paralímpica. Durante a competição, ele também ouviu elogios de integrantes de outras delegações. “Primeiro, o Centro Paralímpico Brasileiro é algo de outro mundo. É surreal”, diz.
Segundo Parro, representantes de países com tradição no esporte paralímpico comentaram sobre a concentração de diferentes modalidades em um mesmo complexo.
“Esse Centro Paralímpico ser altamente funcional e tecnológico tem a ver com o Brasil estar sempre entre os melhores nas Paralimpíadas. É algo de outro mundo”, avalia.
Para ele, a estrutura brasileira se aproxima do padrão encontrado em grandes centros esportivos internacionais.

Idiomas e novas conexões
A experiência também serviu para Parro retomar o contato diário com o inglês e o francês. Depois de algum tempo sem utilizar os idiomas com a mesma frequência, ele voltou a praticá-los em uma situação real de trabalho.
“Pratiquei os idiomas que estavam meio enferrujados e conheci palavras específicas. Acho que tudo é benéfico. Conhecer pessoas, falar com pessoas, praticar, tudo ajuda muito”, afirma.
Entre as novas palavras aprendidas durante o Mundial, ele cita até um verbo em francês relacionado a uma situação específica da rotina das equipes.
Mais do que o aprendizado linguístico, Parro destaca as relações construídas ao longo da competição. Foi justamente uma conexão profissional feita em outro grande evento esportivo que abriu caminho para a oportunidade no Mundial.
“A Copa do Mundo lá me ajudou a conhecer gente nova, que me indicou para esse serviço. Agora eu já me conectei com pessoas que podem me ajudar no futuro também”, conta.
Encontro com representante do Canadá
Durante o Mundial, Parro também teve um encontro com Joanne Lemay, cônsul-geral do Canadá em São Paulo. A aproximação ocorreu no contexto da participação canadense na competição e ampliou ainda mais a experiência do umuaramense junto à delegação.
O contato com representantes diplomáticos e profissionais ligados às equipes estrangeiras fez parte de uma semana marcada justamente pela circulação entre diferentes culturas, idiomas e experiências esportivas.

Uma final que surpreendeu
Dentro de quadra, o Mundial terminou com um resultado que também chamou a atenção de Parro. Os Estados Unidos derrotaram a Austrália por 57 a 51 na decisão e conquistaram o quinto título mundial da modalidade, encerrando um jejum que durava desde 2010.
Para o umuaramense, o título americano foi uma surpresa relativa. “Não é que os Estados Unidos não tinham chance nenhuma. A gente imaginava que eles ficariam entre os cinco, entre os quatro. Mas campeão, foi uma surpresa muito grande”, comenta.
A equipe norte-americana havia eliminado o Japão na semifinal, resultado que já havia alterado as expectativas para a decisão. “Os favoritos eram Austrália e Japão, campeão e vice-campeão paralímpico de Paris. Foi, confesso, surpreendente”, afirma Parro.
A Austrália ficou com a prata, enquanto o Japão conquistou o bronze após vencer a Grã-Bretanha. A França terminou na quinta colocação e o Canadá ficou em sétimo.

Brasil termina em 11º
A seleção brasileira encerrou o Mundial na 11ª posição. Foi a segunda participação do país na competição e a primeira vez que o torneio foi realizado na América do Sul.
Apesar da campanha brasileira, Parro deixa São Paulo com outra perspectiva sobre o esporte e sobre o trabalho realizado nos bastidores de uma competição internacional.
A experiência reuniu idiomas, logística, relacionamento e esporte em uma mesma rotina. Para um profissional de Umuarama que já havia trabalhado na Copa do Mundo Sub-17 de 2019 com a seleção do Haiti, o Mundial acrescentou mais um capítulo à trajetória construída longe dos grandes centros.
E, desta vez, o umuaramense não esteve apenas acompanhando o espetáculo. Ele ajudou a fazê-lo acontecer.
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