A Prefeitura de Umuarama registrou 1.218 afastamentos de servidores por atestados em julho de 2026, diante de um quadro de 3.657 funcionários ativos. A quantidade de ocorrências equivale a 33,3% do número total de servidores municipais –ou aproximadamente um afastamento para cada três funcionários ativos.
O percentual, porém, não significa que um terço dos servidores tenha se afastado, já que um mesmo funcionário pode ter apresentado mais de um atestado no período.
Os números constam no Panorama de Afastamentos disponibilizado pela administração municipal. Em julho, os 1.218 registros representaram 5.902 dias de afastamento. Na média, foram 4,8 dias para cada ocorrência registrada no mês.
O volume chama atenção principalmente pelo impacto que as ausências provocam na prestação dos serviços públicos. Ainda que o afastamento por motivo de saúde seja um direito do servidor e esteja amparado pela legislação, a ausência precisa ser absorvida pela estrutura da administração, muitas vezes sem a possibilidade de substituição imediata do profissional.
Os dados dos meses anteriores mostram que julho, apesar do número expressivo, teve menos registros que maio e junho. Em junho, a Prefeitura contabilizou 1.463 afastamentos por atestados, o equivalente a 40% do número de servidores ativos. Foi o maior resultado entre os três meses analisados.
Em maio foram 1.424 afastamentos, diante dos mesmos 3.657 servidores ativos. A relação foi de 38,9 ocorrências para cada 100 funcionários.
De maio para junho, portanto, o número de afastamentos aumentou 2,7%, passando de 1.424 para 1.463. Já de junho para julho houve queda mais significativa, de 16,7%, com 245 registros a menos. Na comparação direta entre maio e julho, a redução foi de 14,5%.
Somados, os três meses contabilizaram 4.105 registros de afastamento. Isso corresponde a uma média de aproximadamente 1.368 ocorrências por mês.
As informações sobre afastamentos de servidores já eram disponibilizadas pelo município, mas passaram a ganhar maior visibilidade depois que a atual gestão colocou o levantamento em uma área de destaque no site da Prefeitura. Com isso, qualquer cidadão pode acompanhar de forma mais simples a evolução mensal dos registros.
A mudança não representa a criação da transparência desses dados, que já existia, mas uma alteração importante na forma como eles são apresentados ao público. O acesso mais direto também ampliou a discussão sobre o absenteísmo no serviço público municipal.
Entre as áreas que aparecem com grande volume de afastamentos estão duas das maiores estruturas da administração: Saúde e Educação. São também setores intensivos em mão de obra e nos quais a ausência de profissionais tende a produzir efeitos perceptíveis para a população.
Na Saúde, a falta de um profissional pode interferir na composição de equipes, atendimento nas unidades e organização de escalas. Na Educação, afastamentos podem exigir substituições de professores e reorganização das atividades escolares.
Para o prefeito Fernando Scanavaca, mesmo quando as ausências estão devidamente justificadas por atestados médicos, o volume de afastamentos impõe restrições à capacidade do município de manter a qualidade dos serviços oferecidos à população.
O desafio da administração é conciliar o direito do funcionário ao afastamento por questões de saúde com a necessidade de manter as estruturas públicas funcionando.
A legislação municipal, inclusive, trata a assiduidade como um dos fatores considerados na avaliação de desempenho dos servidores. Normas do município também estabelecem procedimentos relacionados aos afastamentos e procuram reduzir seus efeitos sobre o funcionamento dos serviços públicos.
O Sispumu (Sindicato dos Servidores Públicos do Município de Umuarama), por outro lado, tem se manifestado nas redes sociais sobre os números e sustenta que os afastamentos precisam ser analisados dentro da realidade do quadro funcional e das condições de trabalho enfrentadas pelos servidores.
A entidade acompanha informações disponibilizadas pela administração e defende que a apresentação de atestado médico não deve ser interpretada isoladamente como problema de assiduidade, uma vez que o documento comprova uma condição de saúde que justifica legalmente a ausência.
O sindicato também mantém estrutura de assessoria jurídica para orientação e defesa dos servidores municipais e afirma atuar na proteção dos direitos da categoria. Em seu próprio site, o Sispumu define entre as funções da representação sindical o suporte aos associados em questões administrativas e judiciais.
O debate, portanto, envolve duas questões distintas. De um lado está o direito individual do servidor de se afastar quando uma condição de saúde impede o exercício de suas funções. De outro, está o impacto coletivo provocado por milhares de ocorrências de afastamento sobre uma estrutura pública que precisa funcionar continuamente.
Uma comparação direta com empresas privadas também exige cautela. Os 1.218 registros de julho não representam necessariamente 1.218 pessoas diferentes, e as características do quadro municipal –especialmente pela concentração de profissionais nas áreas de Saúde e Educação– são diferentes das encontradas na maioria das empresas.
A maior exposição dos dados permite agora que população, administração e representantes dos servidores acompanhem a evolução dos afastamentos mês a mês.
Mais do que discutir se o número é alto ou baixo isoladamente, a série histórica poderá mostrar se o fenômeno é sazonal, se está aumentando ou diminuindo e, principalmente, quais áreas da Prefeitura concentram os afastamentos e demandam maior atenção.
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