Entenda como a polícia desmantelou grupo acusado de roubos e execuções em Umuarama
Rudson de Souza - OBemdito
Publicado em 13 de agosto de 2026 às 12h20 - Modificado em 13 de agosto de 2026 às 12h24
A Polícia Civil do Paraná deflagrou na manhã desta quinta-feira (13), em ação conjunta com a Polícia Militar e a Força Nacional de Segurança Pública, a Operação Iceberg, voltada ao combate de um grupo investigado por roubos de cargas na região de Umuarama.
A ação cumpriu três mandados de prisão preventiva e seis mandados de busca e apreensão em diferentes bairros do município. Durante as diligências, duas mulheres também foram presas em flagrante por posse de arma de fogo de uso restrito.
Os detalhes da operação foram apresentados em coletiva na sede da 7ª Subdivisão Policial (SDP) de Umuarama. Participaram o delegado-chefe da unidade, Izaías Cordeiro de Lima; o delegado responsável pelo Setor de Narcóticos, Rodrigo Costa Azevedo Couto; e o comandante do 25º Batalhão de Polícia Militar (BPM), tenente-coronel Carlos César de Souza Peres.
Investigação começou antes de tentativa de roubo no Malibu
Segundo o delegado Rodrigo Couto, as investigações começaram antes mesmo da tentativa de roubo registrada em julho, nas proximidades do Condomínio Residencial Malibu.
Ainda em junho, a Polícia Civil realizou uma operação contra o tráfico de drogas na cidade e prendeu dois homens em flagrante. Posteriormente, a equipe identificou que a dupla integrava o grupo envolvido na tentativa de assalto. Mesmo após a liberação dos suspeitos pela Justiça, os policiais mantiveram o monitoramento e identificaram outros três envolvidos no esquema.
“Além desses dois indivíduos, identificamos mais três envolvidos nessa tentativa de roubo. Cabe frisar que eles estavam armados e usavam balaclava. Foi um crime com violência”, destacou o delegado.
Ação frustrada e dinâmica do crime
O episódio no Condomínio Malibu ocorreu na noite de 7 de julho. A vítima retornava do Paraguai transportando mercadorias, entre elas produtos de perfumaria e eletrônicos, quando foi surpreendida pelos criminosos encapuzados. O roubo não se concretizou porque a vítima conseguiu entrar rapidamente no condomínio e escapar da abordagem.
As apurações apontaram para uma atuação organizada, com divisão clara de funções e uso de armas de fogo. A partir desse caso, a Polícia Civil passou a investigar outros crimes atribuídos aos mesmos integrantes.
Conexão com duplo homicídio e disputa entre grupos
Outro nome central na investigação é o de Leandro Oliveira Vieira, conhecido como “Bombom”. Apontado como suspeito de ser o mandante do duplo homicídio e liderança no tráfico local, ele possui dois mandados de prisão em aberto e segue foragido.
Questionado sobre uma possível “guerra” pelo controle do crime na cidade, o delegado Rodrigo pregou cautela.
“Ainda é prematuro. Não posso falar que existem duas organizações criminosas em guerra ou que são rivais. Mas há indícios de que há dois grupos distintos atuando na cidade, sim. Ainda estamos apurando a motivação exata do duplo homicídio.”
Apreensões e prisões na Operação Iceberg
Durante o cumprimento dos mandados nesta quinta-feira, nos bairros Parque 1º de Maio, Jardim Independência, Jardim Jaborandi, Zona VII, Parque San Marino e Parque Itália, os policiais apreenderam:
01 pistola Glock G19 (calibre 9 mm) carregada e pronta para uso;
16 munições;
Porções de cocaína e maconha;
01 balaclava;
02 placas veiculares (possivelmente utilizadas na prática de crimes).
Em uma das residências, apontada como ponto de armazenamento de drogas, duas mulheres foram presas em flagrante. Elas afirmaram aos policiais que guardavam o entorpecente para Leandro “Bombom”. Outras duas pessoas foram conduzidas à delegacia por posse de drogas para consumo pessoal.
Subnotificação dificulta contagem de roubos
O foco da Operação Iceberg é desmantelar a rede de roubos de cargas em rodovias, tráfico de drogas e crimes violentos. Segundo a polícia, o grupo atua pelo menos desde 2025, embora sua composição tenha variado ao longo do tempo.
Um dos principais obstáculos para determinar a quantidade exata de roubos e os valores movimentados é a subnotificação.
“Existe uma subnotificação por parte das vítimas porque, muitas vezes, são produtos contrabandeados. Então não conseguimos precisar com segurança quantas vítimas eles efetivamente fizeram”, explicou o delegado.
Continuidade das investigações
A Polícia Civil ressaltou que o trabalho ostensivo é resultado de meses de apuração silenciosa e que novas fases da Operação Iceberg devem ocorrer nos próximos dias. O objetivo principal agora é localizar o foragido Leandro “Bombom”, identificar outros integrantes do grupo e esclarecer por completo a motivação dos homicídios.
(Com informações e imagens da Polícia Civil do Paraná)
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