A empresária Elaine Cristina da Costa exibe um bolo confeitado, um dos carros-chefes da Nova Aliança - Fotos: Danilo Martins/OBemdito
A primeira coisa que Elaine Cristina da Costa fez foi aprender a fazer pão. A segunda, encontrar uma maneira de vendê-lo. Como não tinha carro nem dinheiro, mas precisava de um meio de transporte, usou a bicicleta da família. O detalhe é que nem sabia pedalar.
A solução foi empurrá-la, todos os dias, carregada de pães pelas ruas do bairro e morro acima, morro abaixo. Anos depois, aquela rotina pesada daria origem a uma das mais conhecidas padarias em Umuarama, a Nova Aliança, instalada na Avenida Rio Grande do Norte, no Jardim Tropical.
Hoje, quem entra na Nova Aliança encontra balcões modernos, vitrines repletas de doces, tortas e salgados, ambiente amplo e movimento constante de clientes – cerca de 1,2 mil por dia. Poucos imaginam que tudo começou com uma empregada doméstica que decidiu trocar o serviço nas residências pela produção artesanal de pães.
Dos 15 aos 22 anos, Elaine trabalhou como doméstica. Casada com um padeiro de uma das principais panificadoras da cidade e mãe de duas meninas pequenas, recebeu do marido um incentivo que mudaria sua trajetória: ele a ensinou a fazer pão para ter uma renda sem sair de casa. Logo aprendeu as receitas, passou a produzir e saiu em busca dos primeiros fregueses.
“Eu não fazia ideia de quem ia comprar. Só pensava: vou fazer o pão e Deus vai abrir as portas. Peguei a bicicleta e fui. Era na coragem mesmo.”
O tempo passava e Elaine com sua bicicleta, caminhando ao lado dela, continuava levando seus pães pelas ruas; a cada dia extrapolava os limites, conquistando fregueses também dos bairros vizinhos. “Foi muito sofrido, mas eu precisava trabalhar”, lembra.
O esforço começou a dar resultado. A qualidade dos pães, inspirados nas receitas da padaria onde o marido era padeiro fidelizou a clientela. Inicialmente vendia entre 40 e 50 por semana.
Pouco tempo depois, passou também a participar da feira livre de Umuarama, onde, nos fins de semana, chegava a comercializar cerca de 300. O sucesso levou-a a acrescentar ao cardápio bolos e pudins, que também encontraram compradores rapidamente. “Foi uma fase muito boa. Eu fazia tudo sem grandes pretensões, mas sempre com muita fé.”
O aumento das vendas abriu caminho para um passo maior. Em 2002, Elaine instalou uma fábrica de pães na Avenida Rio Grande do Norte. O objetivo inicial era abastecer mercadinhos, lanchonetes e outros estabelecimentos de Umuarama e também de Cruzeiro do Oeste.
No ano seguinte, adaptou o espaço para receber consumidores no local. A pequena fábrica transformou-se em padaria, com atendimento ao público e mesas para quem desejasse tomar café ou fazer um lanche.
A trajetória, porém, não foi construída apenas com conquistas. Durante esse período, Elaine enfrentou a separação e precisou assumir sozinha a gestão do negócio. Mesmo diante das dificuldades, decidiu seguir em frente. “Como já disse, eu precisava trabalhar.”
A empresa continuou crescendo. Atualmente, a Nova Aliança emprega dez profissionais entre padeiros, confeiteiras, atendentes e equipe de apoio. Duas das três filhas – Larissa e Mariane – trabalham ao lado da mãe na administração do empreendimento.
Elaine já não coloca a mão na massa diariamente. Ela agora se dedica à gestão da padaria, acompanha a produção e supervisiona o padrão de qualidade dos produtos.
Leia também: Padaria Paladar de Umuarama cresce sem perder as raízes de um comércio de bairro.
Ao longo do dia, fornadas de pão francês saem do forno a cada três horas; são cerca de dois mil por dia. Nas vitrines, tortas, doces, salgados, bolachas e outras receitas dividem a preferência dos clientes.
Entre os campeões de vendas estão os pudins, os bolos confeitados – “Vem gente da cidade toda para comprar”, destaca Elaine – e os bolos artesanais – “Não usamos massa pronta; são bolos artesanais de verdade”, avisa.
Ao olhar para trás, Elaine diz que nunca imaginou chegar tão longe. Com pouca escolaridade, encontrou no desafio de fazer pão a oportunidade de transformar completamente sua realidade.
“Não tinha estudo. Deus me deu uma profissão e sou muito grata por isso.” Ela afirma que sempre tratou o trabalho com respeito e dedicação. “Sempre honrei a profissão.”
Depois de décadas dedicadas à panificação, ela resume a própria história com poucas palavras. “Realizei meu sonho. Estou realizada.”
== Serviço: A panificadora Nova Aliança fica na Avenida Rio Grande do Norte, 1785. Para encomendas – whatsapp 44 3639-9929.
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