Pão quentinho: Ex-doméstica transforma bicicleta em caminho para o sucesso
A primeira coisa que Elaine Cristina da Costa fez foi aprender a fazer pão. A segunda, encontrar uma maneira de vendê-lo. Como não tinha carro nem dinheiro, mas precisava de um meio de transporte, usou a bicicleta da família. O detalhe é que nem sabia pedalar.
A solução foi empurrá-la, todos os dias, carregada de pães pelas ruas do bairro e morro acima, morro abaixo. Anos depois, aquela rotina pesada daria origem a uma das mais conhecidas padarias em Umuarama, a Nova Aliança, instalada na Avenida Rio Grande do Norte, no Jardim Tropical.
Hoje, quem entra na Nova Aliança encontra balcões modernos, vitrines repletas de doces, tortas e salgados, ambiente amplo e movimento constante de clientes – cerca de 1,2 mil por dia. Poucos imaginam que tudo começou com uma empregada doméstica que decidiu trocar o serviço nas residências pela produção artesanal de pães.

Dos 15 aos 22 anos, Elaine trabalhou como doméstica. Casada com um padeiro de uma das principais panificadoras da cidade e mãe de duas meninas pequenas, recebeu do marido um incentivo que mudaria sua trajetória: ele a ensinou a fazer pão para ter uma renda sem sair de casa. Logo aprendeu as receitas, passou a produzir e saiu em busca dos primeiros fregueses.
“Eu não fazia ideia de quem ia comprar. Só pensava: vou fazer o pão e Deus vai abrir as portas. Peguei a bicicleta e fui. Era na coragem mesmo.”

Pão sagrado, negócio movido pela fé
O tempo passava e Elaine com sua bicicleta, caminhando ao lado dela, continuava levando seus pães pelas ruas; a cada dia extrapolava os limites, conquistando fregueses também dos bairros vizinhos. “Foi muito sofrido, mas eu precisava trabalhar”, lembra.
O esforço começou a dar resultado. A qualidade dos pães, inspirados nas receitas da padaria onde o marido era padeiro fidelizou a clientela. Inicialmente vendia entre 40 e 50 por semana.
Pouco tempo depois, passou também a participar da feira livre de Umuarama, onde, nos fins de semana, chegava a comercializar cerca de 300. O sucesso levou-a a acrescentar ao cardápio bolos e pudins, que também encontraram compradores rapidamente. “Foi uma fase muito boa. Eu fazia tudo sem grandes pretensões, mas sempre com muita fé.”

Negócio cresce: surge a fábrica Nova Aliança
O aumento das vendas abriu caminho para um passo maior. Em 2002, Elaine instalou uma fábrica de pães na Avenida Rio Grande do Norte. O objetivo inicial era abastecer mercadinhos, lanchonetes e outros estabelecimentos de Umuarama e também de Cruzeiro do Oeste.
No ano seguinte, adaptou o espaço para receber consumidores no local. A pequena fábrica transformou-se em padaria, com atendimento ao público e mesas para quem desejasse tomar café ou fazer um lanche.
A trajetória, porém, não foi construída apenas com conquistas. Durante esse período, Elaine enfrentou a separação e precisou assumir sozinha a gestão do negócio. Mesmo diante das dificuldades, decidiu seguir em frente. “Como já disse, eu precisava trabalhar.”

Pão quentinho a cada três horas
A empresa continuou crescendo. Atualmente, a Nova Aliança emprega dez profissionais entre padeiros, confeiteiras, atendentes e equipe de apoio. Duas das três filhas – Larissa e Mariane – trabalham ao lado da mãe na administração do empreendimento.
Elaine já não coloca a mão na massa diariamente. Ela agora se dedica à gestão da padaria, acompanha a produção e supervisiona o padrão de qualidade dos produtos.
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Ao longo do dia, fornadas de pão francês saem do forno a cada três horas; são cerca de dois mil por dia. Nas vitrines, tortas, doces, salgados, bolachas e outras receitas dividem a preferência dos clientes.
Entre os campeões de vendas estão os pudins, os bolos confeitados – “Vem gente da cidade toda para comprar”, destaca Elaine – e os bolos artesanais – “Não usamos massa pronta; são bolos artesanais de verdade”, avisa.

Esforço que mudou uma vida
Ao olhar para trás, Elaine diz que nunca imaginou chegar tão longe. Com pouca escolaridade, encontrou no desafio de fazer pão a oportunidade de transformar completamente sua realidade.
“Não tinha estudo. Deus me deu uma profissão e sou muito grata por isso.” Ela afirma que sempre tratou o trabalho com respeito e dedicação. “Sempre honrei a profissão.”
Depois de décadas dedicadas à panificação, ela resume a própria história com poucas palavras. “Realizei meu sonho. Estou realizada.”
== Serviço: A panificadora Nova Aliança fica na Avenida Rio Grande do Norte, 1785. Para encomendas – whatsapp 44 3639-9929.





