Grupo de crochê em Umuarama transforma quadradinhos de lã em mantas e amizade
Um grupo de crochê de Umuarama tem endereço certo todas as quartas-feiras à tarde: a varanda de uma casa no Bairro Anchieta. No local, antes das linhas e agulhas entrarem em ação, há um terço, um café comunitário e muita conversa.
Só então começam a surgir, um a um, os pequenos quadrados coloridos de lã que, unidos, se transformam em mantas capazes de aquecer idosos que vivem em casas de repouso. Mas não são apenas eles que recebem esse calor.
O grupo, batizado com o sugestivo nome ‘Quadradinhos que Aquecem’, também se tornou um refúgio de amizade, acolhimento e alegria para 27 mulheres com idade entre 60 e 80 anos. O projeto nasceu em 2017, reunindo apenas quatro amigas.

Hoje, coordenadas por Cristina Cordaço, 62 anos, mulheres de diferentes bairros de Umuarama atravessam a cidade todas as semanas para se encontrar na casa de Orly Dias Cordaço, 84 anos.
Os encontros seguem um ritual simples e afetuoso: oração, café compartilhado — cada participante leva um bolo, pão ou outro quitute — e horas de crochê embaladas por risadas e muitas histórias.

Grupo de crochê une solidariedade e amizade
Em quase uma década de atividade, as voluntárias já confeccionaram mais de 600 mantas, destinadas aos lares de velhinhos de Umuarama e de cidades vizinhas.
Atualmente, produzem peças para o de Paranavaí: já entregaram 36 mantas e outras 18 estão quase prontas. “Queremos que todos recebam”, salienta Cristina.
Sem qualquer financiamento, o grupo de crochê arrecada recursos promovendo bazares de roupas usadas a cada três ou quatro meses. Toda a renda é destinada exclusivamente à compra de lã.
Para Cristina, porém, o maior patrimônio do projeto vai muito além das mantas. “É um trabalho lindo e terapêutico”, resume.
Segundo ela, além de exercitar a solidariedade, a iniciativa proporciona momentos de convivência para que as participantes façam amizades, relaxem das preocupações e enfrentam as dores do isolamento social.

Muito além do crochê
Anfitriã dos encontros, Dona Orly, acompanha de perto a transformação que acontece toda semana na varanda de casa. “Eu vejo algumas chegando aqui tristonhas e, em pouco tempo, já vão melhorando, se animando. Nossos encontros são muito alegres. É muito bom para todas.”
Ela diz sentir prazer em recepcionar as participantes do grupo de crochê em Umuarama. “Eu me orgulho de poder abrir as portas da minha casa para receber pessoas tão boas.”
Maria Lopes Ferreira, 80 anos, conta que, depois de se aposentar, passou por um período difícil. “Fiquei meio sem rumo, meio depressiva.” Quando recebeu o convite para participar do grupo, aceitou imediatamente. “A gente gosta muito de conversar, de fofocar”, diz, entre risos.

Conversas que afastam a solidão
Moradora de uma chácara, Cleusa dos Anjos, 64 anos, percorre cerca de 15 quilômetros para participar das reuniões. “Esse encontro com as meninas é tudo de bom. Eu sinto falta de ter com quem conversar. Venho por isso.”
Já Regina Rodrigues, do Parque Danielle, atravessa a cidade toda semana porque faz questão de estar presente. “Amo! Essa conversa me dá ânimo. Não perco uma.”
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Ao final de cada encontro, os novelos diminuem, os quadradinhos aumentam e mais uma manta começa a ganhar forma. “Em breve ela aquecerá um idoso em alguma casa de repouso”, avisa Cristina.
Antes disso, porém, o grupo de crochê em Umuarama terá cumprido outra missão silenciosa: aproximar mulheres, afastar a solidão e mostrar que, às vezes, um gesto de solidariedade começa com um simples novelo de lã.

Quando a amizade também faz bem à saúde
O envelhecimento da população trouxe um desafio que tem mobilizado especialistas em todo o mundo: a solidão entre pessoas idosas. A aposentadoria, a saída dos filhos de casa e a perda de familiares ou amigos podem reduzir o convívio social e afetar a saúde física e emocional.
Estudos apontam que manter vínculos, participar de atividades coletivas e cultivar amizades ajuda a preservar o bem-estar, reduz o risco de ansiedade e depressão e contribui para uma melhor qualidade de vida.

É nesse contexto que iniciativas como o grupo de crochê de Umuarama ganham um significado que vai além do trabalho voluntário. “Enquanto confeccionamos mantas para aquecer idosos em casas de repouso, também fortalecemos nossos laços de amizade, compartilhamos experiências e encontramos um espaço de acolhimento e convivência”, interpreta Cristina.
O que ela diz é aplaudível, porque, às vezes, promover saúde começa com um gesto fácil: abrir a porta de casa, colocar o café na mesa e reunir pessoas. Simples assim.
== Serviço: Bazar do grupo Quadradinhos que Aquecem. Quando: 13/agosto/2026. Onde: Salão Social do Jardim União [ao lado da paróquia São Vicente Pallotti]. Início: 9h. Doações de roupas (em bom estado) e de lã podem ser entregues na secretaria da Paróquia São Paulo. Saiba mais – whatsapp 44 9 9832-1509.





(Fotos: Danilo Martins/OBemdito)





