O cartunista Marcos Vaz e a trajetória do icônico Umuaraminha
Por trás do carismático curumim indígena que em 1990 conquistou o status de símbolo oficial do município por meio da Lei Orgânica — está o cartunista Marcos Vaz, natural de Tamboara (PR) e radicado na história cultural paranaense.
Aos 55 anos, o artista acumula uma trajetória marcada pela criatividade, pelo amor aos quadrinhos e por criações de grande impacto social, como o famoso Curitibinha, lançado em 1993 para celebrar os 300 anos da capital paranaense.

As raízes da criação: da Turma do Brilhante ao símbolo municipal
A história do Umuaraminha começou a ser desenhada na infância de Marcos Vaz. Inspirado pelos amigos da “baixada da Rua Arapongas”, em Umuarama, o jovem cartunista criou inicialmente a Turma do Brilhante.
Dentro desse universo, decidiu prestar uma homenagem à cidade adotando um nome de origem indígena. Nascia ali o personagem Umuaraminha, um garoto indígena da etnia Xetá.

O que começou como um projeto autoral ganhou traços institucionais em 1988, quando foi registrado na Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
No ano seguinte, impulsionado por sugestão da professora Judith Barbisan, o autor estruturou o Projeto Umuaraminha para transformar o personagem em mascote da cidade.
Com desenhos coloridos à mão com lápis de cor e giz de cera, o projeto mobilizou a sociedade local. O sucesso foi tão expressivo que superou as expectativas do próprio criador: por iniciativa do vereador Mário Rocha (in memoriam) e com o apoio fundamental da professora Cléa Larsen, o personagem foi incluído na Lei Orgânica Municipal em 5 de abril de 1990, sancionada pelo então prefeito Alexandre Ceranto. A repercussão foi nacional, garantindo até mesmo destaque nas páginas da prestigiada revista Veja.
O lançamento oficial do Umuaraminha, em 17 de novembro de 1990, entrou para o calendário de eventos da cidade.
Legado além de Umuarama: o nascimento do Curitibinha
O sucesso com a mascote umuaramense abriu portas para novas criações de grande relevância cívica e educacional. Em 1993, Marcos Vaz deu vida ao Curitibinha, o “piá ecológico” de Curitiba.
Com uma folha no lugar do cabelo, o personagem transformou-se em um poderoso símbolo de educação ambiental e cívica, conquistando espaço cativo nas escolas da capital paranaense e marcando as comemorações do tricentenário da cidade.
O artista nos bastidores: família, hobbys e novos projetos
Aos 55 anos, Marcos Vaz mantém a essência criativa viva e se dedica a novos desafios. Filho de José Francisco e Juracy Rita, e irmão de Fátima, Salete, Adriana, Danilo e Aline, o cartunista valoriza as raízes familiares espalhadas entre Umuarama, São Paulo e Minas Gerais.

Em seu tempo livre, o autor cultiva paixões que alimentam sua veia artística:
- Entretenimento: É fã de boas histórias em quadrinhos, séries, filmes e de garimpar novas músicas no YouTube — seu gosto musical é eclético, transitando livremente do samba ao heavy metal.
- Paixão carioca: É um apaixonado confesso pelo Rio de Janeiro e fã declarado dos tradicionais desfiles de samba da Marquês de Sapucaí.
- Companhia felina: Divide a rotina com suas gatas, Preta Gil e Jade, além do “Gatão”, um morador avulso e arisco que escolheu sua casa para viver.
Olhando para o futuro
Sempre em movimento, Marcos Vaz já planeja os próximos capítulos de sua carreira. Entre os objetivos estão a expansão de seus universos autorais para novas mídias, como o audiovisual, e o desenvolvimento de um trabalho inédito em formato de HQ: a Menina Natureza.
Da simplicidade dos traços feitos com giz de cera na juventude à consagração oficial na história do Paraná, Marcos Vaz prova que a arte de contar histórias tem o poder de eternizar identidades e encantar gerações.





