Paraná

MST denuncia incêndio criminoso e ameaças em acampamento na Fazenda Tiburi, em Perobal

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra no Paraná (MST-PR) divulgou, nesta quarta-feira (29), uma nota pública na qual afirma que o incêndio registrado na madrugada no Acampamento Benedito Gomes, instalado na Fazenda Tiburi, em Perobal, foi criminoso. O movimento também relata que lideranças receberam ameaças para deixar a área ocupada.

De acordo com a nota, enviada ao OBemdito, o fogo destruiu um barracão comunitário utilizado para armazenar aproximadamente oito toneladas de alimentos e ferramentas de uso coletivo das famílias acampadas. Outro barracão, destinado a reuniões e atividades da comunidade, também foi consumido pelas chamas.

O MST informou ainda que um dos dirigentes e uma integrante da secretaria do acampamento receberam mensagens com ameaças para que deixassem o território. Conforme o movimento, ambos registraram boletins de ocorrência na Polícia Civil de Perobal, que deverá investigar tanto o incêndio quanto as supostas ameaças.

Acampamento reúne cerca de 400 famílias

Segundo o MST, o Acampamento Benedito Gomes foi instalado em janeiro de 2026 e reúne cerca de 400 famílias em uma área pertencente ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). O movimento afirma que a ocupação busca pressionar o órgão federal a destinar o imóvel para a reforma agrária, sustentando que a área estaria sendo utilizada irregularmente por fazendeiros há cerca de 20 anos.

Na nota, o movimento também afirma que a Fazenda Tiburi é alvo de uma Ação Civil Pública proposta pelo Ministério Público Federal (MPF), que questiona a regularização da área.

Histórico de conflitos

O MST também relaciona o incêndio ao histórico de conflitos fundiários na Fazenda Tiburi. Conforme a nota, em março deste ano famílias acampadas denunciaram um episódio de pulverização de agrotóxicos que teria provocado intoxicação de moradores. O caso foi comunicado a órgãos competentes e, segundo o movimento, segue sob investigação.

Ao final da manifestação, o MST cobra a apuração do incêndio e das ameaças denunciadas, além de defender a destinação definitiva da área para a reforma agrária.

Movimento afirma que alimentos, ferramentas e um espaço de reuniões foram consumidos pelas chamas no acampamento (Foto Colaboração ao OBemdito)

Órgãos públicos procurados

Na manhã desta quarta-feira, o OBemdito já havia noticiado o incêndio no acampamento. A reportagem voltou a procurar a Polícia Civil para saber se já há investigação formal sobre o caso e também buscou posicionamento do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Até a publicação desta reportagem, não havia manifestação oficial dos órgãos.

O espaço permanece aberto para manifestações das autoridades e de demais envolvidos.

Área vive impasse agrário

O incêndio ocorre em meio ao impasse envolvendo a Fazenda Tiburi, área que permanece no centro de uma disputa entre o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e o ocupante da propriedade.

Na semana passada, o OBemdito mostrou que, passados cerca de seis meses do início da crise agrária, o processo segue sem definição judicial. Em resposta ao Portal, o Incra informou que o ocupante irregular continua na fazenda, mesmo após ter sido notificado administrativamente para deixar a área de forma voluntária.

Segundo o instituto, foi protocolado um pedido de cumprimento de sentença para garantir a desocupação do imóvel, mas o requerimento ainda aguarda análise da Justiça. Enquanto isso, o Incra mantém a defesa da destinação da Fazenda Tiburi ao Programa Nacional de Reforma Agrária.

O MST, por sua vez, informou anteriormente ao OBemdito que o acampamento Benedito Gomes permanece mobilizado na área, reivindicando a criação de um assentamento rural no local.

LEIA TAMBÉM: Seis meses depois, disputa pela Fazenda Tiburi segue sem definição em Perobal

Rudson de Souza

Jornalista formado pela Universidade Norte do Paraná (Unopar) e historiador pela Universidade Paranaense (Unipar), construiu sua trajetória entre o jornalismo impresso e o digital, com atuação em diferentes editorias e dedicação à reportagem, à investigação jornalística, à apuração rigorosa e ao relacionamento com fontes. Também possui especializações em Toolkit de IA para News, pela Google News Initiative, e em Storytelling e Técnicas de Apresentação: Conceitos Gerais de Comunicação, pela Fundação Getulio Vargas (FGV).

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