Operação Aurora investiga suspeitas de tortura, sequestro e cárcere privado contra mulheres internadas em clínica terapêutica de Terra Roxa - Foto: assessoria de imprensa
O Ministério Público do Paraná (MPPR) deflagrou na terça-feira (15) a Operação Aurora, em Terra Roxa, no Oeste do Paraná. A ação investiga possíveis crimes de tortura, sequestro e cárcere privado contra mulheres internadas em uma clínica terapêutica da região.
A operação foi conduzida pela Promotoria de Justiça da Comarca de Terra Roxa. A equipe recebeu apoio do Núcleo Regional de Umuarama do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
O Centro de Apoio Técnico à Execução (Caex) também participou das diligências. A Justiça autorizou medidas contra investigados e determinou buscas em cinco endereços ligados ao caso.
Entre as medidas cumpridas está um mandado de prisão temporária contra o gestor e proprietário da clínica. A prisão tem prazo de 30 dias e foi determinada pelo Juízo das Garantias da Vara Criminal de Terra Roxa.
As equipes também cumpriram mandados de busca e apreensão domiciliar e pessoal. As ordens alcançaram a sede da clínica, residências de investigados, uma propriedade rural e veículos automotores.
Durante as diligências realizadas nesta terça-feira, um homem acabou preso em flagrante. Segundo o Ministério Público, ele estava em posse ilegal de armas de fogo e munições.
Segundo as investigações, a clínica mantinha cerca de 72 internas. Entre elas estavam pessoas com deficiência. O MPPR apura se muitas mulheres permaneciam no local contra a própria vontade.
As investigações indicam ainda que algumas internas eram impedidas de deixar a clínica. O estabelecimento também teria adotado um regime disciplinar com características punitivas.
Entre as práticas investigadas estão a aplicação de castigos, a restrição de visitas familiares e a realização de trabalho compulsório. O Ministério Público apura a responsabilidade dos envolvidos pelas supostas condutas.
A investigação também identificou, de forma preliminar, o uso forçado de medicamentos sedativos. Conforme o MPPR, as substâncias eram chamadas de “Danone” dentro da clínica.
Os medicamentos teriam sido aplicados com o objetivo de provocar a inconsciência das internas. O Ministério Público também apura possíveis casos de omissão de socorro médico.
Outro ponto investigado envolve relatos de ameaças para impedir que as mulheres falassem durante inspeções realizadas por órgãos de fiscalização.
A Justiça autorizou ainda o afastamento do sigilo e a extração de dados dos dispositivos eletrônicos apreendidos. Os materiais recolhidos durante a operação serão analisados pelo Ministério Público.
A análise deverá contribuir para o avanço das investigações. O objetivo é esclarecer as circunstâncias dos fatos e identificar a eventual responsabilidade penal de todos os envolvidos.
A Operação Aurora segue em andamento. As informações divulgadas pelo Ministério Público tratam os fatos como suspeitas ainda sob investigação.
Com informações: MPPR
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