Influenciadora de Umuarama, Suellen Chrisbeiro, recebe contato do Redome após possível compatibilidade para doação de medula óssea e incentiva novos doadores a se cadastrarem - Foto: arquivo pessoal
Uma ligação inesperada mudou a rotina da influenciadora digital Suellen Chrisbeiro, de Umuarama, na manhã da última segunda-feira (20). Cadastrada há cerca de sete anos no Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome), ela recebeu a notícia de uma possível compatibilidade com um paciente que precisa de transplante de medula óssea. Agora, aguarda o resultado dos exames confirmatórios, que deve sair entre 15 e 20 dias.
O primeiro contato aconteceu por telefone, mas a ligação não teve o efeito esperado. Como as chamadas vinham de um número com DDD do Rio de Janeiro, Suellen acreditou que se tratava de uma tentativa de golpe e recusou as ligações. Somente depois de receber uma mensagem oficial do Ministério da Saúde ela percebeu que a situação era real.
“Eram 8h da manhã, eu tinha recém acordado, vi a ligação chamando do Rio de Janeiro, pensei, é golpe, desliguei na hora, tornaram a ligar, mais uma vez eu desliguei”, contou.
Sem conseguir contato por telefone, o Redome enviou uma mensagem por SMS. O texto informava que o cadastro da influenciadora havia indicado uma possível compatibilidade com um paciente que necessita de transplante de medula óssea. A comunicação ocorreu pelos canais oficiais do Ministério da Saúde.
“Então, o Redome, Ministério da Saúde, mandou mensagem do número oficial, comunicando a possibilidade de compatibilidade”, afirmou.
Na mensagem, o órgão destacou a importância da possível doação. “Temos uma notícia muito especial: seu cadastro no Redome indicou uma possível compatibilidade com um paciente que precisa de transplante de medula óssea. Essa identificação foi possível através do cadastro realizado no Hemocentro. Como não foi possível encontrar um doador compatível na família do paciente, sua disponibilidade agora é fundamental a quem precisa.”
Em seguida, o Ministério da Saúde encaminhou, por escrito, o horário e o telefone para retorno. O atendimento continuou pelo WhatsApp oficial, onde Suellen confirmou seus dados cadastrais e respondeu às perguntas de rotina realizadas antes da doação de sangue. Segundo ela, todas as orientações foram transmitidas de forma clara.
Depois dessa etapa, a influenciadora foi encaminhada ao Hemonúcleo de Umuarama para realizar a coleta de sangue destinada aos exames de confirmação da compatibilidade. As amostras seguiram para análise no Rio de Janeiro. Agora, resta aguardar a resposta do Redome para saber se poderá prosseguir com a doação.
A decisão de se tornar doadora nasceu de uma experiência pessoal. O pai de Suellen enfrentou anos de espera por um transplante de rins, mas morreu sem conseguir um doador. Desde então, ela transformou essa lembrança em um compromisso de ajudar outras pessoas.
“Tomei essa decisão pela história do meu pai, hoje falecido. Ele tinha os dois rins parados e ficou anos na fila para um transplante. Infelizmente, não conseguiu doação. Eu sei que, por mais que um transplante não seja garantia de nada, é uma esperança, e era a nossa e de meu pai também.”
Ela contou que começou a doar sangue aos 16 anos. Aos 19, realizou o cadastro como doadora de medula óssea e também manifestou interesse na doação de órgãos. Para Suellen, a oportunidade representa uma forma de oferecer a esperança que sua família não teve.
“Uma doação poderia ter salvado meu pai, e hoje tenho a oportunidade de fazer a diferença e salvar vidas por meio da minha também.”
A possibilidade de ajudar um paciente levou Suellen a compartilhar sua experiência nas redes sociais. Ela afirma que ficou emocionada com a repercussão e espera estimular outras pessoas a fazerem o cadastro no Redome.
“Estou muito feliz e honrada com o contato do Redome. Sabemos da dificuldade para encontrar compatibilidade, chance de uma em um milhão.”
Ela reforça que o processo de cadastro é simples e que a mudança na rotina do doador costuma durar apenas alguns dias. Segundo a influenciadora, o benefício para quem recebe o transplante pode representar uma nova oportunidade de vida.
“Compartilhei a primeira etapa e estou feliz com a repercussão justamente para poder encorajar a todos a doar também. O cadastro é simples e, dando tudo certo, a alteração na nossa rotina como doador é apenas de alguns dias. Quem vai receber ganha a esperança de mudar uma história.”
Suellen também acredita que relatos pessoais ajudam a fortalecer as campanhas de conscientização promovidas pelo poder público.
“O governo investe em divulgação em campanhas de doação, e às vezes passa batido por nós. É importante que, assim como eu, mais pessoas divulguem sempre quando forem doar sangue ou qualquer ação assim, para incentivar todos a fazerem a diferença.”
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Se a compatibilidade for confirmada, o Ministério da Saúde informará a cidade onde será realizada a coleta. O procedimento acontece no local mais próximo possível do paciente. Caso o receptor esteja em outro país, a coleta será feita em São Paulo ou no Rio de Janeiro, facilitando o envio da medula.
Toda a logística é organizada pelo Ministério da Saúde. As despesas com transporte, hospedagem e alimentação são custeadas pelo governo. Além disso, o doador pode escolher viajar de carro, ônibus ou avião e tem direito a levar um acompanhante.
Atualmente, a maioria das doações ocorre por aférese. Nesse método, o doador recebe medicamentos para estimular a produção de células-tronco. Depois, as células são coletadas pela veia durante um procedimento que dura cerca de quatro horas. Em alguns casos, a equipe médica pode indicar a coleta por punção na bacia, realizada em ambiente hospitalar.
Desde que decidiu integrar o Redome, Suellen conta com o apoio da família. Agora, durante a investigação da compatibilidade, ela afirma que todos vivem a expectativa pelos próximos passos.
“Estamos todos entusiasmados. Meu esposo está me apoiando e, inclusive, irá me acompanhar nessa jornada linda. Minha mãe está radiante e orando para que tudo dê certo, pois, assim como eu, ela sabe da importância que seria para meu pai.”
Ao falar com quem ainda tem dúvidas sobre o cadastro, a influenciadora faz um apelo.
“Não tenham medo de fazer o bem. Uma atitude simples pode salvar uma vida e mudar toda uma história. Acredito que esse seja o objetivo dessa existência. Fazer o bem e poder salvar alguém é a maior recompensa que pode existir.”
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O chefe do Hemonúcleo de Umuarama, Cláudio Francisconi, afirma que a unidade já registrou diversos casos de doadores compatíveis. Segundo ele, alguns cadastrados realizaram a doação com sucesso, inclusive uma moradora de Umuarama que doou medula óssea em duas ocasiões.
Podem se cadastrar pessoas entre 18 e 35 anos, em boas condições de saúde e sem doenças impeditivas. O procedimento exige apenas a coleta de cinco mililitros de sangue para o exame de histocompatibilidade (HLA) e pode ser feito presencialmente em hemocentros ou pelo aplicativo oficial do Redome.
O Brasil possui um dos maiores bancos de doadores voluntários de medula óssea do mundo. Quando um paciente precisa de transplante, o sistema compara as características genéticas cadastradas para localizar um possível doador. Se houver compatibilidade, o voluntário é chamado para novos exames e avaliação clínica antes da doação.
É fundamental manter os dados cadastrais atualizados. Dessa forma, o Redome consegue localizar rapidamente o doador caso ele seja a única esperança de tratamento para um paciente.
Enquanto aguarda o resultado dos exames, Suellen segue com a mesma esperança que a motivou a entrar no Redome há sete anos. Se a compatibilidade for confirmada, ela poderá oferecer a um desconhecido a oportunidade que seu pai nunca teve.
Até lá, a expectativa também serve como um convite para que mais pessoas se cadastrem como doadoras, ampliando as chances de transformar outras histórias.
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