O que adolescente disse à polícia sobre ataque que matou duas pessoas em Campo Mourão
Michael Zachytko Cavalcante e Marcio Bertholdo Geraldo foram as duas vítimas do ataque a tiros (Fotos Redes Socias/Arte: OBemdito)
A Polícia Civil do Paraná revelou novos detalhes do depoimento do adolescente de 15 anos investigado pelo atentado a tiros que matou duas pessoas e deixou outras três feridas em uma loja de conveniência de Campo Mourão, no Centro-Oeste do Paraná. O ataque aconteceu na noite de sexta-feira (17).
De acordo com o delegado Nilson Rodrigues da Silva, o adolescente se apresentou espontaneamente, confessou a autoria do atentado e entregou a arma utilizada no crime. “Esse menor se apresentou, confessou o crime e apresentou a arma do crime”, afirmou o delegado.
Segundo a investigação, o adolescente disse que agiu motivado por vingança pela morte do irmão, ocorrida em 2024. Conforme explicou a delegada Laís Mendonça Alves, ele teria alimentado esse sentimento desde um episódio em que o irmão morreu durante uma ocorrência na qual o próprio adolescente e a mãe também foram vítimas de uma tentativa de homicídio.
Em depoimento, o adolescente afirmou que o alvo do ataque seria apenas Veridiana Gaya Menin Machado Sate, de 40 anos, que permanece internada em estado grave. Segundo a Polícia Civil, ele contou que soube da presença da mulher na conveniência, passou diversas vezes em frente ao estabelecimento para confirmar a informação e, depois, retornou ao local usando uma balaclava para efetuar os disparos.
O menor compareceu à delegacia acompanhado de um advogado, entregou a arma usada no crime e confessou os disparos (Foto Reprodução/Jornal Tribuna do Interior)
A investigação aponta que a falta de habilidade com a arma e a distância entre o atirador e a vítima fizeram com que outras pessoas fossem atingidas pelos tiros. O atentado resultou na morte de Marcio Bertholdi Geraldo, de 43 anos, e Michael Zachytko Cavalcante, de 38. Além de Veridiana, uma mulher de 23 anos e um homem de 41 anos ficaram feridos.
Ainda conforme o depoimento, a arma utilizada no crime pertencia ao irmão do adolescente. O revólver foi apreendido e será submetido à perícia. O delegado Nilson Rodrigues informou ainda que o adolescente demonstrou arrependimento ao prestar depoimento.
“Esse indivíduo cometeu esse crime bárbaro. Causou uma comoção muito grande na cidade. São pessoas conhecidas, comerciantes, lutadoras. É lamentável o fato acontecido. Cabe à polícia trazer uma solução.”
Veridiana Gaya Menin Machado Sate permanece internada em estado grave na UTI após passar por uma nova cirurgia (Foto Rede Social)
Investigações continuam
A Polícia Civil informou que as investigações prosseguem para esclarecer todas as circunstâncias do atentado. Entre as hipóteses apuradas está uma possível relação do crime com o tráfico de drogas, linha investigativa que ainda será aprofundada.
“Vamos continuar com as diligências. O objetivo é apurar a verdade. A gente não adota integralmente o que é mencionado, vamos apurar todas as linhas e possibilidades”, disse a delegada Laís Mendonça Alves.
A mãe do adolescente chegou a ser presa no sábado (18), após policiais encontrarem materiais explosivos, antenas para bloqueador de sinal, munições e uma pequena quantidade de drogas na residência da família. Ela foi liberada e responderá à investigação em liberdade.
Em depoimento, o adolescente afirmou que os explosivos haviam sido encontrados durante uma pescaria e levados por ele para casa. A procedência do material também é investigada.
O atentado aconteceu na noite de sexta-feira (17), em uma loja de conveniência de Campo Mourão, e deixou duas pessoas mortas e outras três feridas (Foto reprodução)
A namorada do adolescente também é investigada por suspeita de prestar apoio à fuga após o atentado. Segundo a Polícia Civil, ela confirmou ter auxiliado o jovem depois do crime, mas afirmou desconhecer que ele havia participado dos homicídios.
Sigilo previsto em lei
Outros detalhes do depoimento não serão divulgados neste momento. Como o procedimento envolve um adolescente, o inquérito segue sob sigilo, conforme previsto na legislação, o que restringe a divulgação de informações que possam comprometer a investigação ou identificar o investigado além do que já foi oficialmente confirmado pelas autoridades.
O OBemdito entrou em contato com a defesa do adolescente para que ela pudesse se manifestar sobre as informações divulgadas pela Polícia Civil. Até a publicação desta reportagem não houve retorno. Assim que a defesa apresentar seu posicionamento, a matéria será atualizada no site.