De peão de rodeio a empresário: Oldiney transformou uma habilidade aprendida com a mãe em um negócio que hoje ajuda a movimentar a economia de Cruzeiro do Oeste - Fotos: Danilo Martins/OBemdito
O que uma cidade de 23,8 mil habitantes tem a ver com luvas de boxe, caneleiras e equipamentos para artes marciais vendidos para todo o Brasil? Em Cruzeiro do Oeste, a resposta está em um fenômeno econômico que começou há poucos anos e hoje gera aproximadamente 300 empregos diretos e indiretos, segundo a prefeitura. Toda essa força de trabalho organizada no município consegue produzir uma média de 60 mil luvas de boxe por mês.
A partir da instalação de uma única fábrica, surgiram outras empresas do mesmo segmento, abertas por profissionais que aprenderam o ofício e decidiram empreender. O resultado foi a formação de um pequeno polo especializado na produção de artigos para lutas, formado por dez fábricas, algo incomum para um município desse porte.
O crescimento do setor está ligado ao projeto de preparação de mão de obra, desenvolvido pela prefeitura para oferecer cursos e treinamentos voltados à qualificação profissional. A iniciativa ajudou a capacitar trabalhadores que mais tarde encontrariam espaço em um mercado até então inexistente na cidade.
A pioneira dessa história é a The Fight, fundada em 2019 pelo empresário Oldiney Alves e as sócias Cristiane Garanhani, Mirian Garanhani e Ana Paula Cardoso. Atualmente, a empresa emprega mais de 60 trabalhadores, opera com 50 máquinas de costura eletrônicas e produz luvas, caneleiras, shorts, bolsas, bandanas e outros acessórios destinados a modalidades como boxe, muay thai e kickboxing.
“Nossos produtos são de alta qualidade. A gente faz equipamentos para durar, atendendo tanto quem está começando quanto atletas que treinam e competem com frequência, porque quem compra precisa ter a confiança de estar usando um produto resistente e confortável”, garante Oldiney.
A trajetória de Oldiney, gerente de marketing da The Fight, no entanto, começou bem longe das artes marciais. Quando criança, sonhava em ser peão de rodeio. A mãe insistia para que estudasse e construísse uma profissão.
Ele seguiu o conselho, fez faculdade, mas nunca abandonou o desejo de trabalhar no universo das montarias. “Montei em competições em muitas cidades do Brasil… Até perdi as contas”, comenta, enquanto relembra, em tom nostálgico.
Bem antes de entrar para as arenas, Oldiney pediu à mãe que lhe ensinasse a costurar. Quando estreou no esporte passou a confeccionar as próprias calças e coletes de couro [traje típico dos cowboys]. Pouco depois, começou a produzir também para outros peões.
O negócio nasceu de forma simples, em casa. Vieram as encomendas, a fabricação de peças em couro e, mais tarde, de calças jeans. As vendas aconteciam principalmente no boca a boca. Empenhado em dar um novo rumo ao negócio, anos depois começou a confeccionar artigos esportivos.
“Um amigo me perguntou se eu sabia fazer luva de boxe. Eu disse que sim, mesmo sem nunca ter visto uma (risos). Pesquisamos, aprendemos e fizemos. Foi aí que nasceu a primeira fábrica de luvas de Cruzeiro do Oeste, quando disse sim para essa oportunidade”, conta o empresário. A produção ia bem, mas… “Eu sabia fazer, mas não sabia vender”, revela (risos).
Leia também: Piloto de Umuarama vence em Interlagos e faz história na Fórmula Delta.
Se não sabia vender, aprendeu. Em busca de novos mercados, Oldiney criou sozinho um site de vendas em 2008. “A iniciativa ampliou o alcance dos produtos e me mostrou que era possível crescer.”
E cresceu, acompanhando a expansão das artes marciais no Brasil. “O investimento deu muito certo; logo começamos a vender para todo o Brasil”, exclama.
Até hoje toda a produção da The Fight é comercializada pela internet. Para isso, a empresa mantém o Shopping da Luta, loja virtual presente em marketplaces como Shopee e Mercado Livre.
Leia também: Skatista Rebeca Peixe é contemplada por programa de incentivo ao esporte do Paraná.
A The Fight comercializa cerca de 500 produtos por dia. Na Shopee, plataforma em que a concorrência é intensa, a loja reúne aproximadamente 4,7 mil seguidores e mantém avaliação média de 4,8 estrelas.
Depois de enfrentar períodos difíceis ao longo da trajetória, Oldiney diz que a empresa vive atualmente sua melhor fase. “Já passamos por altos e baixos. Agora estamos nos altos”, resume.
Mais do que os resultados financeiros, Oldiney se orgulha do impacto que ajudou a criar no município: “Muitos dos profissionais que passaram pela minha empresa abriram as próprias fábricas e ajudaram a transformar Cruzeiro do Oeste em referência no segmento”.
Para ele, ver outras pessoas crescendo dentro do mesmo ramo é motivo de satisfação. “Cruzeiro do Oeste vai ter ainda muitas outras fábricas de luvas de boxe”, pressente.
“Olha só: de uma habilidade que aprendi com minha mãe e de um pequeno negócio iniciado em casa nasceu não apenas uma empresa de sucesso, mas um segmento produtivo que transformou Cruzeiro do Oeste em referência na fabricação de equipamentos para lutas. Tenho ou não tenho motivo para me orgulhar de fazer parte dessa história?”
Para mais informações acesse a página na Shopee (aqui), no Mercado Livre (aqui) ou no Instagram (clique aqui).
Duas pessoas ficaram gravemente feridas após a queda de um avião de pequeno porte na…
Um furto de grandes proporções mobilizou a Polícia Militar na tarde desta segunda-feira (6), em…
Uma jovem de 18 anos escapou sem ferimentos após perder o controle do carro e…
Duas ocorrências de violência doméstica registradas nesta segunda-feira (6) mobilizaram equipes da Polícia Militar em…
Uma cena que chocou até os policiais marcou um caso de feminicídio registrado na madrugada…
Após o lançamento do novo Plano Safra pelo governo federal, o Sicoob Sistema de Cooperativas…
Este site utiliza cookies
Saiba mais