Graça Milanez

Pequenas fábricas transformam Cruzeiro do Oeste em polo de produção de luvas de boxe

O que uma cidade de 23,8 mil habitantes tem a ver com luvas de boxe, caneleiras e equipamentos para artes marciais vendidos para todo o Brasil? Em Cruzeiro do Oeste, a resposta está em um fenômeno econômico que começou há poucos anos e hoje gera aproximadamente 300 empregos diretos e indiretos, segundo a prefeitura. Toda essa força de trabalho organizada no município consegue produzir uma média de 60 mil luvas de boxe por mês.

A partir da instalação de uma única fábrica, surgiram outras empresas do mesmo segmento, abertas por profissionais que aprenderam o ofício e decidiram empreender. O resultado foi a formação de um pequeno polo especializado na produção de artigos para lutas, formado por dez fábricas, algo incomum para um município desse porte.

O crescimento do setor está ligado ao projeto de preparação de mão de obra, desenvolvido pela prefeitura para oferecer cursos e treinamentos voltados à qualificação profissional. A iniciativa ajudou a capacitar trabalhadores que mais tarde encontrariam espaço em um mercado até então inexistente na cidade.

Oldiney exibe shorts que carrega a marca da The Fight, de Cruzeiro do Oeste: produto vai para várias regiões do Brasil

Luvas, caneleiras e outros itens para três modalidades

A pioneira dessa história é a The Fight, fundada em 2019 pelo empresário Oldiney Alves e as sócias Cristiane Garanhani, Mirian Garanhani e Ana Paula Cardoso. Atualmente, a empresa emprega mais de 60 trabalhadores, opera com 50 máquinas de costura eletrônicas e produz luvas, caneleiras, shorts, bolsas, bandanas e outros acessórios destinados a modalidades como boxe, muay thai e kickboxing.

“Nossos produtos são de alta qualidade. A gente faz equipamentos para durar, atendendo tanto quem está começando quanto atletas que treinam e competem com frequência, porque quem compra precisa ter a confiança de estar usando um produto resistente e confortável”, garante Oldiney.

Brasil afora: luvas fabricadas em Cruzeiro do Oeste são comercializadas pela internet

Das calças de couro às luvas de boxe

A trajetória de Oldiney, gerente de marketing da The Fight, no entanto, começou bem longe das artes marciais. Quando criança, sonhava em ser peão de rodeio. A mãe insistia para que estudasse e construísse uma profissão.

Ele seguiu o conselho, fez faculdade, mas nunca abandonou o desejo de trabalhar no universo das montarias. “Montei em competições em muitas cidades do Brasil… Até perdi as contas”, comenta, enquanto relembra, em tom nostálgico.

Bem antes de entrar para as arenas, Oldiney pediu à mãe que lhe ensinasse a costurar. Quando estreou no esporte passou a confeccionar as próprias calças e coletes de couro [traje típico dos cowboys]. Pouco depois, começou a produzir também para outros peões.

Com cerca de 50 máquinas de costura eletrônicas, a The Fight mantém uma linha de produção diversificada

O negócio nasceu de forma simples, em casa. Vieram as encomendas, a fabricação de peças em couro e, mais tarde, de calças jeans. As vendas aconteciam principalmente no boca a boca. Empenhado em dar um novo rumo ao negócio, anos depois começou a confeccionar artigos esportivos.

“Um amigo me perguntou se eu sabia fazer luva de boxe. Eu disse que sim, mesmo sem nunca ter visto uma (risos). Pesquisamos, aprendemos e fizemos. Foi aí que nasceu a primeira fábrica de luvas de Cruzeiro do Oeste, quando disse sim para essa oportunidade”, conta o empresário. A produção ia bem, mas… “Eu sabia fazer, mas não sabia vender”, revela (risos).

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Para diferentes estados: a maior parte das vendas da empresa acontece pela internet

De olho na febre das artes marciais

Se não sabia vender, aprendeu. Em busca de novos mercados, Oldiney criou sozinho um site de vendas em 2008. “A iniciativa ampliou o alcance dos produtos e me mostrou que era possível crescer.”

E cresceu, acompanhando a expansão das artes marciais no Brasil. “O investimento deu muito certo; logo começamos a vender para todo o Brasil”, exclama.

Até hoje toda a produção da The Fight é comercializada pela internet. Para isso, a empresa mantém o Shopping da Luta, loja virtual presente em marketplaces como Shopee e Mercado Livre.

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Tecnologia e precisão: a fábrica utiliza máquinas de costura eletrônicas na produção dos equipamentos para lutas esportivas

Altos e baixos fizeram parte da trajetória

A The Fight comercializa cerca de 500 produtos por dia. Na Shopee, plataforma em que a concorrência é intensa, a loja reúne aproximadamente 4,7 mil seguidores e mantém avaliação média de 4,8 estrelas.

Depois de enfrentar períodos difíceis ao longo da trajetória, Oldiney diz que a empresa vive atualmente sua melhor fase. “Já passamos por altos e baixos. Agora estamos nos altos”, resume.

Mais do que os resultados financeiros, Oldiney se orgulha do impacto que ajudou a criar no município: “Muitos dos profissionais que passaram pela minha empresa abriram as próprias fábricas e ajudaram a transformar Cruzeiro do Oeste em referência no segmento”.

Cada luva de boxe recebe atenção especial nas costuras, reforçadas para garantir resistência e durabilidade durante treinos e competições

Para ele, ver outras pessoas crescendo dentro do mesmo ramo é motivo de satisfação. “Cruzeiro do Oeste vai ter ainda muitas outras fábricas de luvas de boxe”, pressente. 

“Olha só: de uma habilidade que aprendi com minha mãe e de um pequeno negócio iniciado em casa nasceu não apenas uma empresa de sucesso, mas um segmento produtivo que transformou Cruzeiro do Oeste em referência na fabricação de equipamentos para lutas. Tenho ou não tenho motivo para me orgulhar de fazer parte dessa história?”

Para mais informações acesse a página na Shopee (aqui), no Mercado Livre (aqui) ou no Instagram (clique aqui).

Graça Milanez

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