Área rural de Icaraíma onde, segundo a Polícia Civil, ocorreu a emboscada que resultou na morte de quatro homens em agosto de 2025 (Foto Rudson de Souza/OBemdito)
Nesta sexta-feira (5), a execução de quatro homens em uma propriedade rural de Icaraíma completa dez meses sem que os principais suspeitos tenham sido presos. Considerado um dos casos criminais de maior repercussão recente no Noroeste do Paraná, o episódio segue cercado por questionamentos e pela expectativa de familiares das vítimas, que aguardam respostas sobre o andamento das investigações.
Apesar da dimensão do caso e da ampla mobilização das forças de segurança nos meses seguintes ao crime, não houve novos desdobramentos públicos relevantes desde a decretação das prisões preventivas dos principais investigados. Antônio Buscariollo, de 67 anos, e o filho dele, Paulo Ricardo Costa Buscariollo, de 23 anos, continuam foragidos desde 8 de agosto de 2025.
Procurado pela reportagem de OBemdito nesta sexta-feira (05), o delegado responsável pelas investigações, Thiago Andrade Inácio, informou que não há novidades que possam ser divulgadas neste momento. “Ainda não tem nada de relevante que possa divulgar. O último acontecimento relevante foi a prisão de Carlos Eduardo Buscariollo pelo crime de tráfico de drogas”, afirmou.
A falta de informações públicas tem ampliado a angústia das famílias das vítimas. Os corpos de Alencar Gonçalves de Souza Giron, Diego Henrique Affonso, Rafael Juliano Marascalchi e Robishley Hirnani de Oliveira foram encontrados após uma investigação que revelou um cenário complexo envolvendo disputas financeiras, desaparecimento, homicídios e suspeitas de atuação coordenada para ocultar provas.
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Ao longo dos últimos meses, familiares têm recorrido às redes sociais e realizado viagens frequentes a Icaraíma para acompanhar de perto qualquer movimentação relacionada ao caso. A expectativa é que as investigações avancem e levem à localização dos suspeitos apontados pela Polícia Civil.
Entre as pessoas que continuam acompanhando cada etapa do processo está Meire Marascalchi, viúva de Rafael Juliano Marascalchi. Em entrevistas anteriores à reportagem de OBemdito, ela relatou que a dor da perda permanece presente diariamente e que a falta de respostas aumenta o sofrimento da família.
A filha do casal, Giovanna Marascalchi, de 14 anos, também mantém viva a memória do pai por meio de publicações nas redes sociais. Em uma das postagens mais recentes, compartilhou uma fotografia da infância ao lado de Rafael, gesto que, segundo a mãe, reacende constantemente a saudade e o desejo por justiça.
“Essas postagens da minha filha me consomem. Eu quero ver a justiça sendo feita”, afirmou Meire.
A busca por respostas levou familiares a retornarem diversas vezes à região onde ocorreram os crimes. Em novembro do ano passado, Meire esteve em Icaraíma acompanhada de Fabricia Affonso, viúva de Diego Henrique Affonso. As duas passaram por locais ligados aos últimos momentos das vítimas e reforçaram a cobrança por esclarecimentos.
“Eu acostumei a vir aqui, porque, para saber de algo, tenho que estar presente. Viro noites viajando, mas, se a gente não vier, nada acontece. Só queremos justiça”, declarou na ocasião.
Enquanto os familiares cobram avanços, a defesa dos investigados afirma enfrentar dificuldades para acompanhar o andamento do processo. O advogado Renan Farah sustenta que não houve mudanças significativas desde o início da investigação e que os pedidos de acesso aos autos continuam sendo buscados pela defesa.
“Até a presente data não teve nenhuma alteração processual, nada da qual a defesa tenha tido acesso e tampouco algo que a gente tenha sido intimado a nos manifestar”, disse.
Segundo ele, pedidos para revogar as prisões preventivas foram apresentados e seguem sob análise do Tribunal de Justiça do Paraná.
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“A defesa segue um pouco às escuras, às cegas, mas a gente luta para ter acesso pleno para que possamos fazer o contraditório e o devido processo legal”, acrescentou.
De acordo com a investigação, o caso teve origem em um conflito relacionado à negociação de uma propriedade rural localizada no distrito de Vila Rica do Ivaí, em Icaraíma. O imóvel, com cerca de cinco alqueires, foi avaliado em aproximadamente R$ 750 mil.
A Polícia Civil apurou que Alencar Gonçalves de Souza Giron teria adquirido a área de Antônio Buscariollo mediante o pagamento inicial de R$ 255 mil. O restante seria quitado por meio de financiamento bancário, que acabou não sendo aprovado. A partir disso, as partes teriam firmado um distrato prevendo a devolução dos valores já pagos.
Ainda conforme as investigações, a devolução não ocorreu conforme o combinado, dando início a cobranças relacionadas ao negócio. Para tentar resolver a situação, Alencar teria recorrido a Diego Henrique Affonso, que foi até a propriedade acompanhado de outros dois homens vindos do interior de São Paulo.
No dia 5 de agosto de 2025, o grupo retornou ao local. Segundo os laudos periciais produzidos pela Polícia Científica, os quatro homens foram mortos por volta das 12h30. As análises indicam que as vítimas sofreram diversos disparos efetuados por armas de calibres diferentes, evidenciando a participação de mais de um atirador.
Dez meses depois da execução, os principais suspeitos continuam foragidos, o inquérito segue sob sigilo e as famílias ainda aguardam respostas sobre um caso que permanece entre os mais emblemáticos e misteriosos da história recente da região.
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