Último plantão: sargento encerra carreira marcada por resgates e histórias de vida
A manhã desta segunda-feira (27) foi marcada por emoção e reconhecimento na 2ª Companhia Independente de Bombeiro Militar, em Umuarama. O 1º sargento Claudio Pereira dos Santos participou da solenidade de passagem para a reserva remunerada, encerrando uma trajetória de quase três décadas dedicada ao Corpo de Bombeiros do Paraná.
Natural de Dracena, Claudio ingressou na corporação em 1996 e construiu uma carreira pautada pelo profissionalismo, pela constante capacitação e pelo compromisso com a missão de salvar vidas. Ao longo dos anos, foi promovido até alcançar o posto de 1º sargento, acumulando cursos, experiências e condecorações.

Durante a cerimônia, o reconhecimento veio em forma de homenagens, palavras de respeito e também na presença de colegas de diferentes momentos da carreira. Mas foi após a solenidade, em entrevista ao OBemdito, que o sargento traduziu em palavras o que sentia naquele momento.
“Tem muita emoção, né? Nem esperava que fosse assim. A gente sempre procura não trazer toda essa emoção”, disse, ainda visivelmente tocado, em entrevista a OBemdito. Mesmo após sair de um plantão, ele destacou o esforço para manter o controle: “Trabalhei até agora pouco, estou saindo de plantão, então a gente tem que procurar se controlar”.

Apesar da despedida, o sentimento predominante é de realização. “Mas o sentimento é de dever cumprido. Tudo o que tive, graças a Deus, todas as ocorrências, a gente conseguiu desenvolver da melhor maneira possível”, afirmou.
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A mistura de emoções também ficou evidente. “É uma mistura de emoção, alegria e um fundinho de tristeza, mas muito mais alegria”, resumiu.

Ao olhar para trás, Claudio não hesita em apontar o que mais marcou sua trajetória: as pessoas. “O que mais marca é a amizade, esse companheirismo que a gente tem. A gente conhece bombeiro por todo o Paraná”, contou.
Segundo ele, os vínculos criados ao longo da carreira são duradouros. “Às vezes você fica vinte anos sem ver uma pessoa e, quando encontra, parece que o tempo não passou. Existe uma irmandade, uma afetividade”.

As ocorrências atendidas ao longo dos anos também deixaram marcas, sendo algumas mais difíceis de esquecer. “Foram muitas ocorrências, mas tive uma recentemente que marcou bastante. Infelizmente, a pessoa faleceu”, disse. Situações com crianças, segundo ele, costumam ser ainda mais impactantes.
Por outro lado, há também episódios que reforçam o propósito da profissão. “Ontem a gente foi recuperar um animal, um gato que estava preso num cano. É uma vida, né? Quando você consegue ajudar, dá aquele sentimento de dever cumprido”.

O reconhecimento da população é outro ponto que ele leva consigo. “Às vezes você encontra alguém na rua e a pessoa fala: ‘você me atendeu num acidente’. Você nem lembra, mas para ela aquilo fez diferença. Isso é muito gratificante”.
Após a cerimônia, em um gesto simbólico de despedida, Claudio foi levado por uma guarnição até sua casa, encerrando oficialmente o ciclo na ativa. Ainda assim, a história pode não terminar aqui. Movido pela paixão pela profissão, ele ingressou com um recurso e aguarda a possibilidade de permanecer por mais dois anos no serviço.
Entre lembranças, emoções e reconhecimento, fica o legado de um bombeiro que fez da profissão um propósito e que, mesmo ao se despedir, segue marcado pela missão de salvar vidas.
(Com imagens e entrevista de Danilo Martins para OBemdito)





