Antônio Buscariollo e o filho Paulo Ricardo Costa Buscariollo são apontados como principais suspeitos do crime e seguem foragidos (Foto Divulgação/rede social)
A Polícia Civil do Paraná (PCPR) cumpriu mandados de busca e apreensão contra Carlos Henrique Buscariollo e Carlos Eduardo Buscariollo, ambos filhos de Antônio Buscariollo, conhecido como Tonhão, que segue foragido. A operação contou com o apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de São Paulo.
A ação faz parte de uma investigação aprofundada sobre o crime organizado na região de Icaraíma, especialmente em Vila Rica do Ivaí, conhecida por sua rota de contrabando, tráfico de cigarros, drogas e armas. É também o local onde ocorreram quatro mortes no dia 5 de agosto de 2025 em um caso que ainda não teve desfecho e segue sob investigação.
Na noite de segunda-feira (9) o programa Cidade Alerta Maringá, da Ric Record, exibiu a primeira reportagem de uma série sobre o caso. O jornalista e apresentador William Bittar esteve com o repórter cinematográfico Elvis Marçal em Icaraíma para buscar mais informações sobre o crime e apresentou o que possivelmente são novos fatos relacionados com a investigação.
Uma das informações é o cumprimento de mandados em desfavor dos irmãos Carlos Henrique e Carlos Eduardo no município de Santa Bárbara do Oeste (SP). OBemdito entrou em contato com o delegado de Icaraíma, Thiago Andrade, que se limitou a confirmar que ocorreu o cumprimento das ordens judiciais no dia 26 de fevereiro no Estado de São Paulo. Ele disse que deve divulgar mais detalhes nos próximos dias.
Além disso, OBemdito manteve contato via e-mail com o Ministério Público de São Paulo (MPSP) para confirmar sua participação no cumprimento dos mandados. A resposta foi a seguinte: “O MPSP por meio do Gaeco informa que apenas prestou apoio à Polícia Civil do Paraná, responsável pelas investigações. As informações devem ser requeridas à Delegacia de Polícia de Icaraíma”.
Conforme apurado pela equipe da RIC, as autoridades suspeitam que Carlos Henrique e Carlos Eduardo estão financiando a fuga de Tonhão e Paulo Ricardo. Pai e filho estão foragidos e são procurados pela justiça como principais suspeitos das quatro mortes em Icaraíma.
As vítimas são Alencar Gonçalves de Souza Giron, de 36 anos, Diego Henrique Affonso, de 39 anos, Rafael Juliano Marascalchi, de 43 anos, e Robishley Hirnani de Oliveira, de 53 anos.
As investigações da Polícia Civil apontam que o crime teve origem em um conflito financeiro envolvendo um sítio de cinco alqueires. A propriedade está avaliada em aproximadamente R$ 750 mil e está localizada no distrito de Vila Rica do Ivaí.
Alencar comprou a propriedade de Antônio Buscariollo e pagou R$ 255 mil à vista. O restante seria quitado por meio de financiamento bancário, que acabou negado, levando ao distrato do negócio.
O acordo previa a devolução do valor pago em dez parcelas de R$ 25 mil, mediante emissão de notas promissórias em nome de Carlos Eduardo Cândido Buscariollo, outro filho de Antônio, residente em São Paulo. Com o atraso nos pagamentos, Alencar decidiu cobrar a dívida.
Para realizar a cobrança, Alencar contratou Diego, que levou junto Rafael e Robishley, ambos de São José do Rio Preto (SP). O grupo paulista chegou a Icaraíma em 4 de agosto e fez um primeiro contato com os Buscariollo.
No dia seguinte, retornou à zona rural para nova tentativa de negociação, logo após serem filmados tomando café em uma panificadora da cidade. As imagens se tornaram um dos últimos registros das vítimas com vida.
Laudos divulgados em 10 de dezembro de 2025 indicam que os quatro homens foram executados por volta das 12h30 de 5 de agosto, logo após chegarem à propriedade rural. Os corpos foram encontrados somente na madrugada do dia 19 de setembro em uma área de mata fechada no município.
Entre os novos fatos apresentados no programa Cidade Alerta, está o fato de que a Polícia Civil teria monitorado Carlos Eduardo. Dessa forma, os policiais descobriram que ele sacou R$ 50 mil, em dinheiro vivo, em uma agência bancária.
No entanto, conforme a RIC, o valor total que caiu na conta de Carlos Eduardo foi de R$ 100 mil, através de uma transferência que ocorreu em 11 de fevereiro. A princípio, o valor seria proveniente de um negócio envolvendo um imóvel. Contudo, ainda não há comprovação desta transação.
A polícia apreendeu os R$ 50 mil no momento do saque. Além disso, descobriu que outros R$ 40 mil já haviam sido transferidos para outra conta. Segundo Bittar, a Polícia Civil agora rastreia esse dinheiro, que seria crucial para desvendar a rede de apoio aos foragidos (Tonhão e Paulo Ricardo Buscariollo). Segundo a reportagem da RIC, um dos pontos centrais da questão é a origem dos R$ 100 mil.
Um homem de Icaraíma, ex-servidor municipal, é suspeito de realizar a transferência para a conta de Carlos Henrique. Questionado pela equipe do Cidade Alerta, ele negou a transação, apesar da existência de um comprovante com seu CPF.
Existe a suspeita de que este homem seja parente de Tonhão. Além disso, acredita-se que ele não teria condições financeiras para justificar tal montante, já que sua remuneração mensal seria de aproximadamente R$ 2,5 mil. A princípio, as autoridades devem investigar se o dinheiro já estava na conta dele ou se foi um repasse de outra origem para ser transferido a Carlos Henrique Buscariollo.
Apelidado de “Mamute”, Carlos Henrique possui um histórico criminal extenso, incluindo passagens por tráfico de drogas e investigações em diversos homicídios na região de Icaraíma. Ele estaria residindo em Santa Bárbara do Oeste, onde a operação ocorreu.
A quebra de sigilos bancários e financeiros, para rastrear o fluxo de dinheiro, é uma das formas de afunilar a investigação. Além disso, pode contribuir para entender como Antônio Buscariollo e Paulo Ricardo conseguem se manter foragidos há sete meses.
No início de março Antônio Buscariollo e o filho Paulo Buscariollo teriam sido vistos e reconhecidos em um pesque-pague no interior de São Paulo. OBemdito entrou em contato com o delegado Thiago Andrade Inácio, que explicou que a Polícia Civil soube da situação, porém como não houve uma denúncia formal e imediata às autoridades, não se pode confirmar a informação.
A investigação busca desmantelar a “rota invisível do crime organizado” em Icaraíma e responsabilizar os envolvidos.
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