Passeata aconteceu na manhã deste domingo - Fotos: Gabson Vinicius
Cerca de 200 pessoas participaram de uma passeata contra erros médicos em Umuarama na manhã deste domingo (1º/3). O ato público também pediu investigação e mais rigor na apuração de atendimentos médicos no município.
A iniciativa é do recém-criado Grupo pelas Crianças de Nossa Cidade, formado por meio de um aplicativo de mensagens na última terça-feira (24). Em poucos dias o grupo já reúne mais de 840 participantes. Nele estão familiares e amigos de vítimas de negligência médica, além de apoiadores.
Com cartazes, faixas, cruzes e usando roupas pretas, os manifestantes iniciaram a passeata por volta das 10h na praça Santos Dumont. Eles seguiram pela avenida Paraná, passaram em frente ao hospital Cemil e finalizaram o trajeto às 11h no Pronto Atendimento (PA) do município. Um carro de som acompanhou as pessoas durante o percurso.
Na unidade de saúde, o grupo orou um Pai Nosso e soltou balões brancos em homenagem às vidas perdidas por erros ou negligência médica. Além disso, os integrantes deixaram as cruzes no canteiro central em frente ao Pronto Atendimento.
Larissa Hennydth, uma das organizadoras da passeata, disse a OBemdito que a mobilização busca chamar a atenção para a necessidade de melhorias no atendimento à população. Ela também informou que neste domingo o grupo criou abaixo-assinado requerendo à administração municipal um aparelho de ultrassom para o PA.
O abaixo-assinado ficará disponível para quem quiser participar até a próxima quinta-feira (5). Depois disso, será entregue para as autoridades. “Durante a semana estaremos na rua recolhendo mais assinaturas. Quem quiser também pode ir ao meu estúdio assinar. Ele fica na rua Santa Catarina, 5209, zona 2”, disse.
O grupo nasceu com a proposta de dar voz a famílias que relatam suspeitas de erros ou descasos nos atendimentos médicos da rede pública local. De acordo com os integrantes, vários desses casos resultaram em mortes de familiares e amigos e geraram indignação.
Durante o ato público, os manifestantes pediram uma investigação sobre a morte do menino Enzo Costa da Silva, de 12 anos. Do mesmo modo, o grupo solicitou investigações relativas a outros casos de negligência médica.
Enzo morreu no último domingo (22), após complicações decorrentes de apendicite aguda com ruptura. O caso gerou forte comoção na cidade e ampla repercussão nas redes sociais. Antes da internação hospitalar, o adolescente havia recebido atendimento no Pronto Atendimento Municipal.
Em nota divulgada na última quarta-feira (25), a Prefeitura informou que a Secretaria Municipal de Saúde determinou, na segunda-feira (23), a abertura de sindicância. O procedimento, a princípio, vai avaliar a conduta médica no atendimento prestado ao menino.
Conforme o comunicado, também foi decidido pelo afastamento preventivo da profissional médica envolvida no caso, por tempo indeterminado, até a conclusão das investigações. A administração municipal ressaltou que a medida é cautelar, enquanto os fatos são analisados oficialmente.
(Fotos: Gabson Vinicius/Vídeo: Larissa Hennydth)
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