Uma mobilização marcada para o próximo domingo (1º), às 9h30, deve reunir moradores de Umuarama em um ato público que pede investigação e mais rigor na apuração de atendimentos médicos no município.
A iniciativa é do recém-criado Grupo pelas Crianças de Nossa Cidade, formado por meio de um aplicativo de mensagens na última terça-feira (24) e que, em poucos dias, já reúne quase 800 participantes.
O grupo nasceu com a proposta de dar voz a famílias que relatam suspeitas de erros, descasos ou atendimentos médicos considerados inadequados na rede pública local, situações que, segundo integrantes, em alguns casos teriam resultado em mortes.
A primeira ação organizada pelo coletivo será a passeata pedindo investigação sobre a morte do menino Enzo Costa da Silva, de 12 anos, e, também, de outras pessoas que teriam sido vítimas de negligência médica.
Enzo morreu no último domingo (22), após complicações decorrentes de apendicite aguda com ruptura. O caso gerou forte comoção na cidade e ampla repercussão nas redes sociais. Antes da internação hospitalar, o adolescente havia recebido atendimento no Pronto Atendimento Municipal (PAM 24h).
Em nota divulgada na quarta-feira (25), a Prefeitura informou que a Secretaria Municipal de Saúde determinou, na segunda-feira (23), a abertura de sindicância para avaliar a conduta médica no atendimento prestado ao menino.
Segundo o comunicado, também foi decidido pelo afastamento preventivo da profissional médica envolvida no caso, por tempo indeterminado, até a conclusão das investigações. A administração municipal ressaltou que a medida é cautelar, enquanto os fatos são analisados oficialmente.
A concentração da passeata está marcada para as 9h30, na Praça Santos Dumont. De lá, os participantes seguirão em caminhada até o Pronto Atendimento Municipal, localizado na Avenida Ângelo Moreira da Fonseca, 786.
Uma das organizadoras do movimento, Larissa Hennydth, afirma que a mobilização busca chamar a atenção para a necessidade de melhorias no atendimento à população.
“Nossa luta é por atendimento mais justo e digno. Muitos diagnósticos supostamente errados são passados no PA e podem ter tirado a vida de muitas pessoas”, declarou.
O grupo tem recebido diversos relatos nos últimos dias, que devem embasar futuras ações do coletivo. A expectativa é que a passeata ocorra de forma pacífica e reúna famílias, amigos e moradores sensibilizados com os casos.
Para a mobilização, participantes também prepararam cartazes com relatos de casos e cruzes simbólicas, que serão levados durante a caminhada como forma de representar vidas que, segundo os organizadores, foram marcadas por atendimentos considerados inadequados.
“Além dos cartazes, faixas e cruzes brancas, teremos um ato com balões brancos que serão soltos em frente ao Pronto Atendimento Municipal”, revelou a organizadora.
A intenção é dar visibilidade às histórias compartilhadas no grupo e reforçar o pedido por apuração e melhorias no serviço de saúde.
“Será lindo e, ao mesmo tempo, pesado. Participará a família de todas as pessoas que estarão nos cartazes, cada uma levará o do seu ente. São muitas vidas que se foram e que podiam estar aqui ainda”, concluiu Larissa.
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