Venda de canetas emagrecedoras explode em grupos de WhatsApp de Umuarama e da região
A venda clandestina de canetas emagrecedoras, como o produto da marca Mounjaro, tem se espalhado rapidamente por grupos de WhatsApp de Umuarama e da região. A proximidade com a fronteira do Paraguai e a facilidade de transporte desses medicamentos têm impulsionado o contrabando e ampliado a oferta de produtos.
Durante apuração jornalística, um repórter do OBemdito entrou em um desses grupos e tentou negociar a compra de Tirzepatida, o princípio ativo do Mounjaro. A negociação ocorreu de forma rápida e simples, sem qualquer exigência legal.
No grupo, o vendedor informou o valor do produto — uma ampola de 15mg com doses para um mês. A medicação custaria cerca de R$ 950, quase 40% do preço do verdadeiro Mounjaro.
A conversa, registrada em prints, evidencia a facilidade com que esses medicamentos estão sendo comercializados de forma clandestina. Confira abaixo:






O barato que pode sair caro
A endocrinologista Dra. Carolina Ziliotto, de Umuarama, alerta que o uso indiscriminado das canetas emagrecedoras. “Essa é uma medicação com indicações bem definidas para o tratamento de obesidade e diabetes. Ele não é para quem quer perder dois ou três quilos. Seu uso faz parte de um tratamento, com mudanças de hábitos e acompanhamento médico”, explica.
Conforme a médica, o uso fora desse contexto pode trazer riscos importantes à saúde, como náuseas e vômitos, perda de massa magra, desidratação, hipoglicemia e alterações gastrointestinais.
Os riscos podem ser ainda maiores quando o produto é de origem duvidosa. “O paciente não sabe o que está aplicando, como esse produto foi armazenado, se ele têm algum contaminante e sequer se está sendo aplicado corretamente”, alerta.
No Brasil, a tirzepatida é vendida com o nome comercial Mounjaro, fabricada pelo laboratório Lilly. Por isso, a aquisição só pode acontecer em farmácias, com prescrição médica e retenção de receita.
Para a especialista, o recado é claro: “as pessoas estão buscando atalhos para o emagrecimento rápido, mas isso pode colocar a saúde em risco”, alerta.
Nesta semana a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a apreensão e proibição do Tirzepatida das marcas Synedica e TG. Confira mais detalhes aqui. Além disso, em dezembro a Anvisa divulgou um alerta sobre a compra e consumo das canetas emagrecedoras (veja aqui).
Leia também: Caneta emagrecedora ilegal deixa mulher internada em estado grave há um mês.

Apreensões de canetas emagrecedoras cresceram em 2025
Dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) de Guaíra mostram que em 2025 aconteceu a apreensão de 298 unidades de medicamentos emagrecedores na região. Um dos exemplos é uma apreensão da PRF no Paraná de 20 unidades do medicamento retatrutida, usados para o emagrecimento (confira aqui).
Segundo o assessor de comunicação da PRF de Guaíra, Bruno Miranda, o número pode não refletir a real dimensão do problema. “Esses dados podem estar subestimados e tendem a aumentar”. De acordo com ele, o crescimento das apreensões está ligado ao aumento do consumo desses medicamentos, à facilidade de compra em países estrangeiros e às restrições impostas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Miranda reforça que há regras claras para a importação de medicamentos. “Quando a importação é proibida pela Anvisa, a pessoa pode responder por crime contra a saúde pública, cuja pena pode variar de 10 a 15 anos de prisão. Já nos casos em que a importação é permitida, mas há excesso de quantidade em relação ao previsto na legislação ou na prescrição médica, o enquadramento pode ser por crime de descaminho”, explica.

Aumento do consumo resulta no aumento das vendas ilegais
Recentemente OBemdito divulgou informações a respeito do aumento das apreensões de canetas emagrecedoras e também de anabolizantes no Paraná. Este tipo de apreensão tem se tornado cada vez mais frequente, principalmente, na região de Umuarama.
Operações recentes da Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Rodoviária Federal e Estadual, além da Receita Federal revelam uma rede cada vez mais ativa de comércio, bem como, na distribuição ilegal de substâncias controladas. Além disso, indicam que muitas vezes esses produtos são oriundos do Paraguai.
O cenário acende um alerta sobre o aumento do consumo de produtos que prometem resultados rápidos, mas oferecem graves riscos à saúde. Veja aqui mais detalhes.
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Com imagens de Depositphotos.





