Paraná

BPFron terá base em Icaraíma para reforçar combate ao tráfico e contrabando

O município de Icaraíma (PR) será um dos pontos estratégicos do novo projeto Polícia de Fronteira, lançado pelo Governo do Estado para reforçar o combate ao crime organizado, ao tráfico de drogas, ao contrabando e aos crimes transfronteiriços.

A cidade está entre as 11 que vão receber bases operacionais do programa, criado para ampliar a presença das forças de segurança em regiões consideradas sensíveis por estarem próximas a divisas interestaduais e rotas usadas por organizações criminosas. Não foi divulgado o cronograma da implantação da base.

A primeira unidade do projeto foi inaugurada nesta quarta-feira (21), em Ribeirão Claro, no Norte Pioneiro, próximo à divisa com São Paulo. Além de Icaraíma, também estão em construção bases em Sengés, Porecatu, Itaguajé, Querência do Norte, Diamante do Norte, Santa Helena, Capanema, Vitorino e Campo do Tenente.

EUnidade integra forças de segurança e aposta em tecnologia para agir contra crimes transfronteiriços (Foto PMPR)

A escolha de Icaraíma se dá por sua posição geográfica estratégica, em uma região frequentemente usada como corredor para o transporte de drogas, armas e mercadorias ilegais. A expectativa do governo é que a instalação da base amplie a capacidade de resposta das forças policiais e ajude a desarticular rotas do crime organizado no Noroeste do Estado.

O projeto prevê 11 bases operacionais físicas integradas por sistemas de informação que permitem a atuação conjunta da Polícia Militar do Paraná, Polícia Civil e guardas municipais. A estratégia combina tecnologia, inteligência policial e patrulhamento especializado.

As unidades contam com viaturas RAM 3500, armamento de maior calibre, como fuzis, e integração de bancos de dados, incluindo as câmeras do programa Olho Vivo, o que permite resposta imediata em flagrantes e operações.

Segundo o secretário estadual da Segurança Pública, Hudson Teixeira, a criação das bases resulta de um diagnóstico aprofundado do cenário criminal e de uma solicitação do governador Carlos Massa Ratinho Junior.

“O objetivo é fazer a proteção não só das nossas fronteiras, como das divisas do nosso Estado com o Sul e Sudeste. É um combate rigoroso ao crime organizado, coibindo o tráfico de drogas, armas e o contrabando”, afirmou.

Leia também: Polícia mapeou 22 bunkers na fazenda onde corpos foram enterrados em Icaraíma

Cada base receberá investimento de R$ 5 milhões, incluindo estrutura física, fuzis, cães de faro e veículos especiais. O projeto também prevê o reforço do efetivo, com a autorização para a contratação de mais 4 mil policiais militares, que atuarão em todo o Estado e nas novas unidades previstas para 2026 e 2027.

Além do foco nas fronteiras, a iniciativa também mira os crimes transfronteiriços. Em 2025, o Paraná liderou as apreensões de drogas no País, com 566 toneladas, resultado da proximidade com o Paraguai e da intensificação das ações coordenadas nas rotas do tráfico.

De acordo com o comandante do Batalhão de Polícia Militar de Fronteira, tenente-coronel Edilson Martins do Prado, o Estado vive uma transformação na área da segurança.

Projeto cria uma malha de bases em regiões estratégicas, incluindo Icaraíma, no Noroeste do Estado (Foto PMPR)

“No policiamento de fronteira tivemos avanços consideráveis, e as bases estratégicas vão apoiar as demais instituições e fortalecer a logística das forças. O foco é o controle de acesso, a proteção das pessoas e do patrimônio”, disse.

O prefeito de Ribeirão Claro, Lisandro Baggio, afirmou que a primeira base beneficia toda a região. “Ela atende não só o município, mas toda a macro região do Norte Pioneiro, fortalecendo o combate ao crime organizado e ao narcotráfico”, declarou.

A inauguração da unidade ocorreu no mesmo dia em que o Ministério da Justiça atualizou os dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), que apontam uma redução de 24% nas mortes violentas no Paraná em 2025, o segundo melhor resultado do País. O mesmo relatório indica queda de 20% nos casos de feminicídio, atribuída a políticas públicas como o programa Mulher Segura.

(Com informações da Agência Estadual de Notícias)

Rudson de Souza

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