Foto: Colaboração/Banda B
Uma cadela cega foi abandonada no início da tarde da última terça-feira, dia 20, em uma igreja de Curitiba. O caso ocorreu na Paróquia Nossa Senhora das Mercês. O animal estava dentro de uma caixa de transporte. Junto dela, havia uma carta e alguns pertences.
A cadela atende pelo nome de Chica. Ela foi recolhida pela secretária da paróquia logo após ser encontrada. A princípio, o episódio parecia uma doação comum. No entanto, a situação logo revelou um apelo desesperado por ajuda.
O diácono Jorge Antônio Ferreira de Andrade, responsável pela ação social da igreja, contou como tudo aconteceu. Ele explicou que encontrou a caixa no local. Ao abri-la, percebeu que se tratava de uma cadela cega acompanhada de um bilhete comovente.
“Seu nome é Chica… Benditos freis franciscanos, deixo aos seus cuidados esta cadelinha que, aos 5 anos, ficou cega, e agora tem sete anos. Irreversível, infelizmente. São Francisco de Assis não a deixaria ao relento. Acolherá. Tenho fé”, dizia o início da carta.
Além disso, a autora do bilhete revelou enfrentar sérios problemas de saúde. Segundo o relato, ela precisaria passar por uma cirurgia. Por isso, afirmou não ter outra alternativa.
“Estou sem saúde e prestes a fazer uma cirurgia. Estou indo para Belo Horizonte. Recebi muitos ‘nãos’ para adoção deste pobre bichinho”, escreveu.
De acordo com o diácono, a idosa chegou de carro à paróquia. Ela usava um andador. Além disso, demonstrava fragilidade física. Por esse motivo, não conseguiu permanecer no local.
Apesar das dificuldades, a mulher fez questão de informar que Chica estava bem cuidada. A carta afirmava que a cadela estava “em dia com as vacinas, vermífugos, etc”.
Em outro trecho, a idosa reforçou o pedido de acolhimento. Ela também criticou sugestões cruéis que recebeu anteriormente.
“Há quem diga que deveria fazer eutanásia, mas não está debilitada. Tem muita gente cruel nesse mundo. Vocês não! Vocês são abençoados”, escreveu.
A história logo se espalhou. Como resultado, sensibilizou a protetora Adriana Maria Bortolan. Ela atua no resgate de animais e também é cuidadora de idosos.
“Posso ficar com ela. Já resgatei um ceguinho, que foi abandonado. Posso cuidar dela também”, afirmou. Segundo Adriana, a decisão foi imediata. Ela explicou que a leitura da carta foi decisiva.
“Quando li a carta, pensei assim: ‘Poxa vida, segundo abandono. Vamos dar um lar definitivo para esse anjo de quatro patas’”, disse, emocionada.
Atualmente, Adriana cuida de 28 animais resgatados. Embora fique com alguns, ela encaminha outros para adoção responsável. Após a adoção, acompanha cada caso de perto.
Além de Chica, a protetora já cuida de outro cachorro cego e de um animal surdo. Portanto, a chegada da nova moradora foi recebida com carinho e experiência.
Agora, Chica tem um novo lar. Mais do que isso, ganhou uma nova chance de viver com dignidade. A história mostra como fé, solidariedade e empatia podem mudar destinos. Tudo começou com um bilhete deixado em silêncio. Terminou com esperança.
Fonte: Banda B
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