Da esquerda para a direita: Lula, Kalil Bittar, Fernando Bittar (ao fundo), Lulinha e Jonas Suassuna. Foto: Divulgação – 2011Publicado
A Polícia Federal apura menções feitas a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, nas investigações sobre desvios de aposentadorias do INSS. O caso integra a Operação Sem Desconto, que investiga fraudes em benefícios previdenciários.
Segundo investigadores, uma das linhas de apuração avalia a possibilidade de Lulinha ter atuado como sócio oculto do lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.
A PF encaminhou essa informação ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, relator do inquérito. As citações ao filho do presidente Lula já haviam surgido de forma indireta em fases anteriores da investigação, divulgadas em dezembro. Naquele momento, de acordo com pessoas com conhecimento do caso, os investigadores já analisavam essas referências.
Embora citado, Lulinha afirma que não é investigado formalmente. Além disso, ele não constituiu advogado específico para o inquérito. No entanto, seu representante em outros processos rejeita qualquer irregularidade. Segundo a defesa, também será solicitado à PF um inquérito para apurar vazamentos de documentos sigilosos à imprensa.
A informação sobre as menções foi publicada inicialmente pelo jornal O Estado de S. Paulo. Posteriormente, a Folha de S.Paulo confirmou os dados. Para o advogado Marco Aurélio de Carvalho, que atua para Lulinha, as informações divulgadas não têm fundamento. “Esses vazamentos são graves. É um ponto fora da curva”, afirmou.
Ainda segundo o advogado, “o Fábio não é alvo direto ou indireto de nenhuma das investigações”. Ele acrescentou que o filho do presidente “não tem relação direta ou indireta com nenhum dos fatos relacionados ao INSS”. Por isso, classificou a linha investigativa como “fruto de pirotecnia” e “imaginação criativa”.
Apesar das críticas, a defesa diz confiar na atuação da Polícia Federal. Nesse sentido, Carvalho afirmou que a instituição “foi devolvida para o Estado brasileiro” durante o governo Lula. No entanto, reforçou a necessidade de apuração sobre os vazamentos, que classificou como criminosos.
Na operação realizada em dezembro, a PF investigou um pagamento de R$ 300 mil feito por ordem de Antunes a uma empresária próxima a Lulinha. Segundo os autos, o valor integrou um total de R$ 1,5 milhão repassado em parcelas. As transferências partiram da Brasília Consultoria Empresarial Ltda.
Em mensagens apreendidas, Antunes solicita a um operador o pagamento de R$ 300 mil. Quando questionado sobre o destinatário, responde que seria “o filho do rapaz”. Em seguida, o operador envia o comprovante para a empresa RL Consultoria e Intermediações.
A PF tenta identificar se a referência dizia respeito a Lulinha. A empresa beneficiada tem como sócia Roberta Moreira Luchsinger, alvo de busca e apreensão em Higienópolis, em São Paulo. Ela mantém proximidade com o filho do presidente.
De acordo com a PF, a Brasília Consultoria é uma empresa de fachada do grupo de Antunes. Além disso, os investigadores afirmam que os serviços declarados não foram prestados. A defesa de Roberta nega vínculo com o INSS e sustenta que os valores se referem a um projeto de canabidiol.
Em nota, a defesa afirmou que Roberta atua na prospecção de negócios. Segundo o texto, a empresária foi procurada para tratar da regulação do setor de canabidiol. Ainda de acordo com a nota, as tratativas não prosperaram e ocorreram antes das revelações sobre os desvios no INSS.
Com informações: Banda B
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