Fotos e imagens: Jessica Novak
Com as chuvas frequentes em Umuarama, moradores voltaram a conviver com a presença de animais que parecem inofensivos. Porém, alguns deles oferecem riscos reais, sobretudo para crianças e idosos. Por isso, uma mãe decidiu fazer um alerta público após um episódio traumático envolvendo a própria filha.
Nos últimos dias, jardins e terrenos vazios passaram a abrigar grande quantidade de piolhos-de-cobra, também chamados de gongolos. À primeira vista, eles não assustam. No entanto, podem causar lesões, irritações e dor ao entrarem em contato com a pele.
A situação ocorreu na semana passada com a menina Maria Luísa, filha da moradora de Umuarama. Segundo o relato da família, o dia começou como qualquer outro. A criança se preparava para ir ao CMEI, enquanto os pais ajudavam com a rotina.
Nesse momento, Maria Luísa quis calçar o tênis sozinha. A atitude sempre foi incentivada pelos pais. Os calçados ficam guardados em caixas organizadoras. Ainda assim, um piolho-de-cobra estava alojado dentro do tênis, sem que ninguém percebesse.
Inicialmente, a criança não sentiu dor. Por isso, foi levada normalmente para a escola. Porém, já no CMEI, começou a reclamar de desconforto no pé. Diante disso, a professora decidiu retirar o calçado.
Ao verificar, a educadora encontrou o animal esmagado dentro do tênis. Além disso, o pé da criança apresentava alteração de coloração, como mostram as imagens registradas pela família. O susto, então, se tornou maior.
Apesar disso, a situação se agravou no atendimento médico. Segundo relato da mãe, no posto de saúde, o profissional duvidou do relato apresentado. Ele questionou repetidas vezes se realmente se tratava de um piolho-de-cobra.
Mesmo com o relato da escola, o médico insistiu que poderia ser outra causa. Ele esfregou o pé da criança com álcool e papel toalha. Além disso, perguntou se a professora havia usado tinta ou realizado alguma atividade que justificasse a mancha.
O profissional também levantou a hipótese de escorpião. A mãe relatou indignação com a postura. “Ver sua filha com dor, assustada, e ainda não ser levada a sério é desesperador”, afirmou.
Por isso, a família decidiu transformar a experiência em um alerta. Em períodos de chuva, o cuidado deve ser redobrado. Calçados, roupas e brinquedos guardados precisam ser verificados com atenção.
Segundo a mãe, o piolho-de-cobra pode parecer inofensivo. Contudo, não é. Para ampliar a conscientização, ela produziu uma simulação mostrando como o animal reage ao se sentir ameaçado. O objetivo é evitar que outros pais passem pela mesma situação.
Especialistas afirmam que o piolho-de-cobra não oferece risco grave à saúde humana. Apesar do susto, o contato com o animal provoca apenas reações leves e temporárias na pele.
O biólogo Vidal Haddad Junior, professor titular de Dermatologia da Faculdade de Medicina de Botucatu, explica que o piolho-de-cobra pertence ao grupo Diplopoda. Segundo ele, o contato causa inflamação discreta e, depois, pigmentação.
“O escuro na pele é apenas uma tinta, que desaparece em algumas semanas”, afirma. De acordo com o especialista, não há repercussão clínica nem efeitos sistêmicos. “A pessoa logo estará bem”, destaca.
Haddad ressalta que não ocorre necrose. Embora possa haver ardência leve, a reação não evolui para quadros graves. Ele alerta que, em idosos e diabéticos, pode haver confusão com outros problemas, mas sinais como pulsos e temperatura do pé permanecem normais.
A estagiária em medicina veterinária Tamires Aragão também descarta risco de necrose. Segundo ela, a toxina liberada serve apenas como defesa do animal. “Basta lavar com água e sabão. Em alguns dias, a mancha desaparece”, explica.
Em alguns casos, médicos podem indicar pomadas para aliviar a ardência. Ainda assim, especialistas reforçam que informação correta ajuda a evitar pânico, sem reduzir a importância da prevenção.
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